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Interdisciplinaridade: como usá-la

Olá, cabecinhas pensantes! Vamos começar os trabalhos para o ENEM?

Bom, no último post eu prometi que falaria sobre a interdisciplinaridade no modelo dissertativo do ENEM.  Vocês se lembram quando eu disse que uma das questões mais importantes deste exame é a aplicação de conceitos de várias áreas do conhecimento para a realização do seu texto?  Pensemos: a prova do ENEM, sendo um exame de nível nacional, tem por objetivo medir o grau de cidadania, senso crítico e responsabilidade social.

Sabemos, também, que se trata de um texto dissertativo-argumentativo, no qual vocês devem analisar, interpretar e relacionar dados e informações, além de, é claro, apresentar suas opiniões valendo-se do recurso da argumentação para comprovação de hipóteses e teses. Sendo assim, se a aplicação de conceitos de várias áreas do conhecimento é demandada, nada mais evidente do que utilizar a interdisciplinaridade. Isso quer dizer, simplesmente, fazer referências a termos de matérias diversas, como, por exemplo, a aplicação de conteúdos de história, física ou biologia em sua redação.

Calma, ninguém está pedindo que vocês discorram profundamente sobre a Revolução Francesa, sobre Calorimetria, ou sobre Metabolismo Celular. Isso seria, inclusive, fugir ao tema, um erro grave! Entretanto, é interessante mostrar que você tem conhecimento sobre as mais diversas matérias, e sabe relacioná-las ao tema proposto, seja ele qual for.

Recorramos a um exemplo. Em 2004, o ENEM pediu que o candidato fizesse um texto dissertativo-argumentativo sobre “Liberdade e Abusos nos Meios de Comunicação”. A princípio, poderia parecer descontextualizado inserir conteúdos de Biologia em um texto sobre Meios de Comunicação. Porém, eis o diferencial! Nos parágrafos de desenvolvimento, o candidato poderia falar sobre os papeis exercidos pelas mais diferentes esferas da Comunicação e da Educação, como a mídia de massa, a imprensa sensacionalista, e até mesmo o ensino do jornalismo nas Universidades. Desta forma, ele mostraria que há muitos responsáveis pela manutenção deste frágil equilíbrio (liberdade x abusos) nos meios de comunicação. Na conclusão, entretanto, ele poderia valer-se deste recurso da interdisciplinaridade, mostrando que todos estes campos se relacionam. Observe:

“Dessa maneira, pode-se perceber que, assim como na Biologia, em que o mutualismo é a relação harmônica em que um necessita do outro para sobreviver, é necessária uma mobilização de todas as partes para o combate ao abuso nos meios de comunicação. Isso, é claro, preservando sempre a liberdade de expressão. Além disso, é indiscutível que se faz coerente uma reciclagem em todos os setores da comunicação voltada para as massas, para que se possa alcançar não só a preservação, mas a valorização dos princípios fundamentais da ética. Gutenberg, e toda a humanidade, agradecem.”

Sabendo, inclusive, que o título da redação do candidato foi “Mutualismo”, ficou evidente que ele soube relacionar um assunto aparentemente descontextualizado ao tema proposto. Ele mostrou, assim, mais do que conhecimento em várias áreas, mas também originalidade, ao utilizar-se de um assunto pouco evidente para construir seu ponto de vista.

Perceberam?

Procurem treinar este recurso. Relacionem matérias diversas aos temas propostos. Aproveitem que esses conteúdos estão fresquinhos, já que vocês estão prestando vestibular!

Até a próxima, e não se esqueçam de deixar suas dúvidas e comentários aqui!

Bom estudo!

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Olá, Carolina,

Adorei seu blog! Será que você poderia explicar a diferença entre um texto dissertativo e um argumentativo?

obrigada!

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Olá, Ana Luiza! Obrigada pelo comentário.

Bem, geralmente, no vestibular, é pedido um texto dissertativo-argumentativo. No texto dissertativo, espera-se que o autor apresente, de forma impessoal, uma tese, defenda argumentos e, de preferência, chegue a uma conclusão. É pedido que não se use a primeira pessoa, e que se respeite um certo padrão: introdução, desenvolvimento (no qual vc defende sua tese/argumentos) e conclusão. O que é, também, a proposta de um texto argumentativo, a exposição e defesa de seus argumentos. Por isso, é chamado dissertativo-argumentativo. Só fazemos essa espécie de “distinção”, pois há um outro tipo de texto pedido por algumas bancas, a carta argumentativa. E uma coisa é o modelo dissertativo-argumentativo (esse sobre o qual venho falando), e outra bastante diferente é a carta argumentativa. Falarei sobre ela em uma futura oportunidade, mas não se preocupe com isso para o ENEM. Pode focar em realizar um texto dissertativo-argumentativo. Estabeleça sua tese, disserte sobre ela, defenda seus argumentos. Mais alguma dúvida? Volte sempre! Beijinhos, Carolina.

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