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15 erros gramaticais que você não pode cometer no Enem

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Finalmente vou aprender toda essa bagaça! Yay!

Você sabe quais são os erros gramaticais mais cometidos em uma redação, que podem prejudicar a sua nota e que você não pode fazer no Enem? Não? Fique esperto, porque a competência 1 do exame faz referência ao domínio da norma padrão da língua portuguesa, ou seja, nessa competência (que, sozinha, vale 200 pontos!) o corretor vai averiguar se você conhece e sabe usar a norma padrão de sua língua, apresentando pouco ou nenhum desvio e marca de oralidade.

Pra chegar ao tão sonhado 1000, então, precisamos ter bastante cuidado. E nós vamos te mostrar como! Sai do Facebook rapidinho e vem ver! 😉

1. Uso equivocado da vírgula

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Esse é um erro que cometemos bastante e que quase nunca percebemos. Ao escrever uma redação, há dois erros graves quanto ao uso da vírgula que podem nos prejudicar: usar vírgulas de menos e usar vírgula demais. A dica de hoje é pra você evitar o uso em excesso. Esse erro está associado ao fato de, muitas vezes, separarmos os termos essenciais da oração por vírgula.

Primeiro, vamos entender o que é isso: entendemos por termos essenciais aqueles que formam a estrutura básica de uma oração, ou seja, o sujeito e o predicado. Vamos traduzir isso tudo que acabamos de ler. Não se pode separar o sujeito do resto da oração, beleza? É importante que a gente saiba quem é o sujeito da oração que estamos escrevendo, pra não acabar fazendo isso. Dá uma olhada nesses exemplos de como costumamos usar e como deveríamos usar:

O homem tão dividido, acaba por ignorar os problemas mais graves.

O homem, tão dividido, acaba por ignorar os problemas mais graves.

Não vamos mais errar isso, certo?

 

2. Falta de concordância verbal e nominal

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“Respeita as miga” ou “Respeita as migas”?

Temos que ficar sempre atentos quanto a isso, pois, muitas vezes, acabamos não realizando a concordância porque, num período muito grande, os termos que devem concordar podem acabar ficando muito distantes, principalmente no caso da concordância verbal. Então, presta atenção aqui: o verbo deve sempre concordar com o sujeito. Se o sujeito está no plural, o verbo deve estar no plural, assim como deve estar no singular, se o sujeito estiver no singular. Isso você já deve saber, mas é sempre importante consultar o sujeito, ainda mais quando o verbo estiver distante. A concordância verbal, então, diz respeito a uma relação entre um verbo e um nome. Já a concordância nominal, está ligada a uma relação entre nomes, na esfera do sintagma nominal. Vamos entender: toda vez que tivermos um nome associado a outro (substantivo + adjetivo, artigo + substantivo, pronome + adjetivo), eles têm de estabelecer uma concordância, ou seja, têm de estar ambos no mesmo gênero e número. Se, por exemplo, o substantivo é feminino e está no plural, o adjetivo tem de estar no feminino e no plural.

Olha aqui um exemplo de falta de concordância verbal e nominal, e as respectivas correções:

Os objetivos define os planos. Os objetivos definem os planos.

Os menino foram à praia. Os meninos foram à praia.

Observação: Há um caso muito específico que quase sempre passa despercebido. O verbo haver, no sentido de existir, é impessoal e, portanto, não varia. Então, na oração Amanhã, haverão mais razões pra ser feliz., o verbo haver deveria estar no singular, já que o termo “mais razões” não é sujeito, mas objeto do verbo. O correto é Amanhã, haverá mais razões pra ser feliz.

 

3. Uso inadequado da crase

(Reprodução: Brasil Escola)

A crase é algo que, às vezes, parece impossível entender. Por isso, usamos crase onde não é necessário e\ou deixamos de usá-la onde deveríamos. Mas vamos te mostrar que ela não é um bicho de sete cabeças.

Crase é a junção da preposição “a” com o artigo definido “a(s)”, ou, ainda, da preposição “a” com as iniciais dos pronomes demonstrativos aquela(s), aquele(s), aquilo ou com o pronome relativo a qual (as quais). Essa junção, graficamente, é representada por um acento grave, aquele contrário ao agudo: à.

Algo que você precisa saber, antes de tudo, é que a crase só ocorre antes de palavras femininas, já que o artigo “a” só é empregado nesse caso. Assim sendo, uma dica legal é substituir a palavra feminina após o “a” que você tá em dúvida, por uma palavra de gênero masculino. Se antes da palavra masculina você tiver colocado a forma “ao”, isso significa que, ali, houve a junção da preposição a com o artigo masculino o. Portanto, nesse caso, a preposição é requerida, então, sim, há crase. Caso contrário, não use a crase.

Olha o exemplo:

Fui a escola.
Fui ao parque.
Fui à escola. 

Dicas: Ainda está com dúvida? Um bom truque é encaixar a palavra na seguinte frase: “Vou a, volto da, crase há! Vou a, volto de, crase pra quê?”. Exemplo: Vou a São Paulo, volto da São Paulo, crase há! Mas sabemos que, o correto é: Vou a São Paulo, volto de São Paulo, crase pra quê? Logo, a frase Vou a São Paulo não possui crase!

Observação: para facilitar sua vida, separamos alguns casos em que sempre ocorre a crase: às duas horas; à tarde; à direita; à esquerda; às vezes; às pressas; à frente; à medida, à vontade, à disposição, à moda de, à maneira de etc.

 

4. Marcas de oralidade

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Marcas da oralidade (Reprodução: Agência Jovem)

Destacamos algumas coisas que costumamos fazer que configuram marca de oralidade, que, na língua escrita, podem ser considerados erros gramaticais.

  • Pra x Para:

Utilizamos muito a forma “pra”, no nosso discurso oral, no lugar da preposição “para”. Vamos deixar isso de lado na nossa redação, ok?

  • Entenderão x Entenderam:

Costumamos cometer um erro grave de conjugação verbal ao confundir a forma de pretérito perfeito com a forma de futuro, uma vez que, oralmente, ambos terminam com “ão”. No entanto, na escrita, é necessário fazermos a distinção entre eles. Portanto, é importante sabermos que os verbos no pretérito perfeito terminam em “am” e os verbos no futuro, em “ão”.

Observe:

Amanhã, os vendedores traram as frutas. – Amanhã, os vendedores trarão as frutas.

Ontem, as cortinas forão lavadas. – Ontem, as cortinas foram lavadas.

  • Gírias:

Elas, talvez, sejam o maior exemplo de oralidade. Portanto, tenha sempre cuidado pra não usá-las.

OBS: as gírias podem ser usadas em caso de exemplificação, e devem estar entre aspas.

 

5. Emprego inadequado dos pronomes

O pronome deve ser usado com bastante cautela. Muitas vezes, achamos que estamos nos aproximando da norma padrão mas, pelo contrário, estamos nos distanciando, por não saber como o fazer. Quer um exemplo¿ Eu sei que quando a gente coloca o pronome depois verbo, a gente tem aquela sensação de estar falando bonito, mas nem sempre a ênclise é necessária. Dá uma olhada nessa dica: Em início de frase ou após vírgulas, deve-se usar a ênclise. Salvo raras exceções, nos demais casos, devemos usar a próclise, como vemos nos exemplos abaixo.

Nos dias de hoje, se calar é uma dádiva. – Nos dias de hoje, calar-se é uma dádiva.

Muito fala-se sobre amor nos livros. – Muito se fala sobre amor nos livros.

Outro erro, que a gente comete sem perceber, é usar o pronome relativo “onde” sem que o referente seja um lugar concreto. Na frase “A situação caótica de segurança pública onde se encontra o Brasil é simplesmente lastimável”, o pronome relativo “onde” foi utilizado inadequadamente. Calma, a gente explica. O referente, ou seja, o termo retomado pelo pronome, nesse caso, é “A situação caótica de segurança pública”, que não corresponde a um lugar concreto. Logo, esse pronome está sendo usado de maneira inadequada, devendo ser substituído por outro, que possa ter como referência um lugar virtual\abstrato. “Em que” e “na qual”, por exemplo, são pronomes que podem ser usados nesse caso. Esteja, vestibulando, sempre atento ao referente do pronome.

 

6. Uso inadequado dos “porques”

Não-caia-nas-armadilhas-do-português.-Saiba-usar-os-Porquês

Os porquês são usados, muitas vezes, de maneira incorreta nas redações, pois é muito fácil confundir. Seria muito bom que tivéssemos um tipo só de porquê, mas enquanto isso não acontece, dá uma olhada nesse esquema que a gente fez pra te ajudar a entender:

  • Por que (separado sem acento)
    Usa-se esta forma para fazer perguntas, ou quando puder ser substituído por “motivo” ou “razão”:

– Por que isso aconteceu?

– Eu queria saber por que isso aconteceu.

Dica: Podemos trocar o “por que” por “por qual motivo”, sem que haja alteração no sentido: “Por qual motivo isso aconteceu?”

  • Porque (junto sem acento)
    Utilizamos esse tipo para responder perguntas.

– Isso aconteceu porque eu esqueci o fogão ligado.

Dica:  É possível trocar o “porque” por outras conjunções explicativas, como o “pois”.

– Isso aconteceu pois esqueci o fogão ligado.

  • Por quê (separado com acento)
    Utiliza-se o “por quê” em final de frases. Esse é um caso muito particular.                                                                                                                                   Sabemos que você não compareceu à reunião, por quê?
  • Porquê (junto com acento)
    Essa forma é utilizada quando o “porquê” tem função de substantivo:

– Se isso aconteceu, teve um porquê!
– Queria saber o porquê de isso ter acontecido.

Abaixo, você vai ver alguns pares de palavras que costumam nos confundir, por serem muito parecidas visualmente e/ou sonoramente. Mas dá uma olhada no que a gente fez pra descomplicar isso tudo:

 

7. Mais x Mas

  • Mas = indica adversidade, contraste, oposição. É o mesmo que “porém”; (Choveu, mas fez calor.)
  • Mais = indica adição; (Eu mais você dá amor.)

 

8. Mal x Mau

  • Mal= Mal é advérbio, antônimo de bem. (Tenho dormido mal.)
  • Mau= Mau é um adjetivo, antônimo de bom. (Ele é um mau professor.)

Uma boa dica é saber os antônimos. Numa frase, troque por bem ou bom, e verifique qual a melhor opção, caso seja bem, é mal com l, caso seja bom, é mau com u.

 

9. Há x a

Essa é uma dicotomia que nos deixa muito em dúvida. Mas, apesar de terem o som muito parecido, as formas escritas e os significados são bastante diferentes. Na verdade, até a classe é diferente entre as duas palavras, já que “há” é um verbo, e “a”, uma preposição. Além disso, esse significa distância, tempo futuro, enquanto aquele significa tempo decorrido.

Observe mais detalhadamente:

  __________

Classe Gramatical

Significado

Termo substituível

Exemplo

          HÁ          Verbo

Tempo decorrido (passado)

             FAZ – Me casei há 2 anos.- Faz 2 anos que me casei.
           A     Preposição

Distância \  Tempo futuro

____________ – Alagoas fica a muitos km daqui.

 

10. Onde x Aonde

  • Onde: sinônimo de “em que lugar”. Indica permanência, lugar fixo.

 Ex: Onde fica o Maracanã? / Não sei onde é esse endereço.                                                                                             

  • Aonde: sinônimo de “para que lugar” ou “a que lugar”. Indica direção, movimento.

Ex: Aonde você vai?

 

11. Menos x Menas / Seja x Seje

Muita gente utiliza as palavras “menas” e “seje”. Embora a gente escute muito por aí, essas formas não são aceitas pela norma padrão, então, nada de usar na redação, ok?

 

12. Se não x Senão

Esse par é bastante problemático, pois um simples espaço muda completamente o sentido da palavra. Senão, junto, significa contraste, oposição, e pode ser substituído por “mas”, “caso contrario”, entre outros conectivos que expressem adversidade. Enquanto se não, separado, estabelece uma relação de condição, e equivale a “caso não”, “quando não”. É bastante importante, então, saber dessa diferença, uma vez que, por falta de atenção, a gente pode comprometer o sentido de uma frase inteira. Calma, vamos te explicar de outra forma, olha:

  • Senão: adversidade: Saia desse computador, senão sairemos atrasados. (Saia desse computador, caso contrario, chegaremos atrasados.)
  • Se não: condição: Não vou ao parque hoje se não fizer sol. (Não vou ao parque hoje caso não faça sol.)

 

13. A fim x Afim

  • Afim: indica semelhança\ afinidade:

Eles tem inimigos afins. (em comum)

  • A fim (de): indica finalidade:

Eu estava a fim de ver um filme hoje. (a minha finalidade era ver um filme hoje)

 

14. Apesar x A pesar

A forma mais usada no português do Brasil é apesar, junto, que é um advérbio, muito utilizado na locução prepositiva apesar de, que transmite uma ideia contrária a uma afirmação feita.

Ex: Apesar de ser bonito, ele não faz o meu tipo.

A outra forma, a pesar, é muito pouco usada no Brasil, e é uma maneira de usar a forma infinitiva do verbo pesar.

Ex: Eu estava a pesar o significado desse sentimento.

 

15. Acentuação gráfica

Deve-se ter muita atenção nesse ponto, pois, muitas vezes, esquecemos de usar letra maiúscula no começo de nomes próprios e de frases. Além disso, é importante sabermos um pouco sobre a reforma ortográfica, que aconteceu há um tempinho. Dá uma olhada:

Novo acordo ortográfico – 2009

O que muda:

Acento agudo:

Não é mais utilizado em 3 casos:

  • Nos ditongos abertos ei e oi das palavras paroxítonas.

Ex: Jiboia – Ideia (antes: Jibóia – Idéia)

  • Nas palavras paroxítonas com i e u tônicos após ditongo, formando um hiato.

Ex: Baiuca – Feiura (antes: Baiúca – Feiúra)

  • Nas formas verbais que possuem ou tônico precedido das letras g ou q e seguido de e ou i. (Esse caso ocorre apenas com os verbos quase inutilizados no português do Brasil – arguir e redarguir)

Acento diferencial:    

Esse acento era/é utilizado para que duas palavras que sejam pronunciadas da mesma forma se diferenciem na ortografia. (Ex: Para [preposição] x Pára [verbo])No entanto, o acento diferencial não é mais amplamente utilizado após a reforma, sendo específico para os pares de palavras pôr (verbo) x por (preposição) e pôde (verbo no passado) x pode (verbo no presente).

Acento circunflexo:

Não é mais utilizado em 2 casos:

  • Em palavras com terminação oo:

Ex: Voo – Povoo (verbo povoar) – Magoo (verbo magoar)

       (antes: Vôo – Povôo – Magôo)

  • Em palavras com terminação eem (terminação de alguns verbos conjugados na 3ª pessoa do plural):

Ex: Eles veem – Eles creem (antes: vêem – crêem)

Trema:

O trema foi extinto das palavras do português (cinqüenta-> cinquenta) pelo novo acordo ortográfico, porém, as palavras de origem estrangeira continuam recebendo trema (Müller).

Hífen:

O hífen não é mais utilizado em 3 casos:

  • Quando o primeiro elemento da palavra terminar em vogal diferente da vogal que inicia o segundo.

  Ex: autoescola – neoexpressionismo (antes: auto-escola – neo-expressionismo)

  • Quando o primeiro elemento terminar em vogal e o segundo começar com as consoantes r ou s. Nesse caso, a consoante será duplicada.

Ex: antirrugas – extrasseco (antes: anti-rugas – extra-seco)

  • Nas palavras que, antes, recebiam o hífen, mas perderam a noção de composição.

Ex: paraquedas – pontapé (antes: para-quedas – ponta-pé)

Veja o acordo completo aqui!