História do feminismo: tudo o que você precisa saber

O termo “feminismo” e as pautas a ele associadas frequentemente alcançam os “trending topics” do Twitter, viralizam nas redes sociais e são alvos de debates em espaços do cotidiano (salas de aula, reuniões familiares, conversa no busão…). Vivemos em um contexto global complexo no qual uma série de movimentos sociais eclodem a cada dia.

Por essa razão, para melhor nos situarmos diante disso tudo, as vezes é necessário fazer uma pausa e procurar conhecer onde tudo isso começou. O Descomplica te convida para mergulhar nas “ondas do feminismo” e conhecer tudo que você precisa sobre esse movimento.

Marcha feminista pelo fim da violência contra a mulher

Diversos feminismos:

Em primeiro lugar, é preciso desfazer a ideia de que o feminismo é uma coisa homogênea, ou seja, que é igual em todos os lugares. Nunca foi e nunca será. Vivemos num mundo diverso, no qual as contradições atingem os diferentes grupos de maneira desigual.

De modo geral, as mulheres foram ao longo da história submetidas à condições de injustiça pelo simples fato de serem mulheres. Assim, elas se organizaram com o objetivo de denunciar e reverter esse cenário. A depender contexto social e histórico em que estavam inseridas, pautaram suas reclamações e aplicaram diferentes estratégias de luta política que vêm desde então transformando a sociedade em que vivemos. Vejamos como isso aconteceu.

Antes do “feminismo”:

Já havia feminismo antes de haver “feminismo”. Ou seja, as mulheres de diferentes lugares e contextos sociais, historicamente se rebelaram contra as diversas opressões as quais estavam submetidas.Na medida em que as divisões sexuais do trabalho e desenvolvimento das primeiras civilizações humanas aconteciam, às mulheres foi-se relegando papéis sociais de submissão e desigualdade.

Retrato da ativista francesa Olympe de Gouge, guilhotinada na Revolução Francesa por lutar pelo direito das mulheres

Com o passar do tempo, mesmo já na Era das Luzes e os processos revolucionários subsequentes, muito pouco foi concedido ao sexo feminino em termos de direitos. Mesmo a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789), pouco avançou nesse sentido. Isso levou, por exemplo, a dramaturga francesa Olympe de Gouges (1748-1793), a escrever a “Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã”. Tal fato a condenou a ativista à guilhotina.

Exemplos como esses ocorrem em vários momentos e em diferentes lugares. Com o passar do tempo, essas insatisfações foram se consolidando em movimentos estruturados. Desse modo, convencionou-se separar didaticamente a história desses movimentos em três períodos ou “ondas”.

A Primeira Onda:

A primeira onda

Elisabeth Freeman (1876-1942), sufragista americana, também atuou nos movimentos anti-linchamento e pela liberdade de expressão.

A primeira onda, ocorrida entre o final do século XIX e meados do século XX, teve como principal característica a luta por igualdade política e jurídica. A busca por cidadania era sustentada pela retórica do universalismo. Ou seja, se homens e mulheres são iguais, devem ter direitos e deveres iguais.

Nesse período, destaca-se a luta das “sufragistas”, mulheres que reivindicavam o direito ao voto, como estratégia de inserção das demais bandeiras de luta na condução da vida política de seus países.

Importante ressaltar que nesse período a luta abolicionista das mulheres negras já acontecia. Destaca-se o papel de Sojourner Truth(1797-1883), abolicionista afroamericana, que colocava já naquela época a perspectiva da “interseccionalidade”, isto é, o fato de que, além do gênero, outros fatores como a raça e classe social podem gerar discriminação “adicional”.

A Segunda Onda:

Inicia-se em meados do século XX e vai até o final do mesmo. Além de questões como as desigualdades salariais, dupla/tripla jornada e o trabalho doméstico não remunerado, as feministas da segunda onda pensavam a condição de subordinação feminina em termos culturais e sociais.

Enquanto faz as camas, as compras, combina as roupas de cama, come sanduíches de manteiga de amendoim com seus filhos, chafurda nos biscoitos e brownies de escoteiros, deita ao lado de seu marido à noite… ela tinha medo até de se fazer a pergunta em silêncio: é só isso?”

Elas questionavam o papel da mulher naquela época como os estereótipos de “reprodutora”, “dona do lar”, etc. A o episódio da Queima de Sutiãs, em 1968, durante a realização do concurso de Miss America, foi uma das manifestações mais marcantes da época.

O slogan clichê (atualmente) “meu corpo, minhas regras” sintetiza bem as reivindicações feministas dessa fase. As mulheres queriam (e ainda querem) poder decidir o que fazer com seus próprios corpos. A questão do anticoncepcional é também um dos símbolos desse período. Ele representa a possibilidade de escolha sobre a reprodução.

A Terceira Onda:

Mulheres protestando contra feminicídio.Na placa lê-se: 'Voltamos a gritar! Nenhuma a menos!'

Inicia-se nos anos 1990 e vai até os dias de hoje. Nesse momento o feminismo olha para dentro dele mesmo, vendo suas lacunas, suas falhas. A pergunta que se faz é: “Quem está ficando de fora?”

Aqui as feministas começam a perceber que a opressão sofrida por mulheres não brancas e pobres, por exemplo, é diferente daquela sofrida pelas feministas de classe média dos subúrbios americanos. Assim, as condições sociais e étnicas passam a ser reconhecidas pelas teorias feministas como fatores agravantes.

Por exemplo, devido ao racismo estrutural na sociedades ocidentais mulheres negras ou latinas tendem a receber menos que mulheres brancas. Tal fato as colocam em condições de vulnerabilidade maiores.

Dessa forma, a terceira onda é marcada pelo surgimento de vários movimentos feministas que olham para o problema da opressão da mulher a partir de diferentes perspectivas. De uma maneira geral, pode-se dizer, então, que o feminismo foi cada vez mais se ramificando e ampliando seus horizontes mas mantendo sempre o mesmo objetivo: tornar o mundo um lugar mais justo para as mulheres.

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