Modelo de Redação: A prática de bullying nas escolas do Brasil

Modelo de Redação: A prática de bullying nas escolas do Brasil

Sabe aquele tema de redação que nós indicamos para você na semana 8 de 2017? Ele virou um modelo de redação aqui no blog, feito pela monitora Bruna Saad, para você se inspirar e comparar com a sua própria redação.

Veja aqui a coletânea de textos completa para este tema e faça já a sua redação: A prática de bullying nas escolas do Brasil.


Quer saber como ficaria uma redação mediana sobre esse tema? Confira:

A prática do bullying tem se tornado cada vez mais comum na sociedade, principalmente no ambiente escolar. Bullying significa intimidação e se refere a todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas adotadas por um ou mais alunos contra outro ou outros alunos. Muitas vezes o agressor pratica o bullying para se sentir realizado, para demonstrar o domínio, o poder que exerce sobre outros, e muitas vezes acaba se tornando um adulto agressivo e violento. O aluno que sofre o bullying – a vítima – se sente humilhado, rejeitado e rebaixado, podendo desenvolver quadros de depressão, dificuldade de relacionamento, entre outros problemas que podem levar ao suicídio. Em consequência, as pessoas que testemunham o bullying e não são vítimas nem agressoras acabam se sentindo culpadas por não ajudarem a vítima, além de intimidadas pelo agressor. É um problema que envolve toda a escola, incluindo os professores que presenciam o bullying e muitas vezes não são capacitados para lidar com isso.

Com o objetivo de prevenir e combater o bullying, o “Diário Oficial da União” publicou em 09/11/2015 um texto aprovado pela Câmara em 10/2015 e enviado para a sanção presidencial. Esse texto define o bullying como uma prática de atos de violência física ou psíquica exercidas intencionalmente e repetidas vezes por um ou mais indivíduo contra uma ou mais pessoas para intimidar ou agredir, causando angústia à vítima. O projeto aprovado pela Câmara determina a realização de capacitações dos docentes e das equipes pedagógicas para o desenvolvimento de ações de prevenção e solução do bullying, e também para apoiar e orientar os pais e familiares a identificarem as vítimas e saber como ajudá-las. Esse projeto pode ajudar muito na redução dos quadros de bullying em todo o país, porém necessita de professores dispostos a colocá-lo em prática. Além disso, necessita-se de uma abordagem melhor sobre o tema nas salas de aula, nas reuniões de pais e professores, nas igrejas, nas empresas, na televisão, internet e em todos os lugares possíveis de divulgação. Possivelmente o resultado não seja imediato, mas ao longo dos anos pode ocorrer uma redução do bullying nas escolas.

Vale lembrar que muitas vezes o bullying começa em casa, por isso torna-se tão importante a abordagem sobre o tema com os pais e familiares. Dentre as abordagens que podem ser realizadas nas escolas estão as atividades, brincadeiras, palestras, gincanas, projetos realizados com o objetivo de aproximar os alunos e reduzir as diferenças encontradas na convivência diária. Ressaltar a importância e os benefícios dos trabalhos em grupo, da aceitação de diferentes raças, sexos, crenças, etc, e o mais importante, evitar punições severas ao agressor, pois isso pode desencadear quadros piores de bullying. Sendo assim, observa-se a importância de um bom planejamento estratégico nas escolas, respeitando suas necessidades e particularidades, pois os ambientes escolares podem ser bem diferentes uns dos outros.

Análise da redação

Introdução

Em “Preciosa”, filme de 2009, a personagem Claireece prova que a 29 anos os Estados Unidos já discutiam o tão perigoso bullying. Violentada pelo pai e negligenciada pela mãe, a menina de 16 anos, já com um filho, precisava lidar com os gozações em sala de aula, alimentando o seu isolamento e, distanciando ela do aprendizado escolar. No Brasil, nos últimos anos a prática de violência verbal e física sem motivo aparente denominada bullying vem crescendo de forma demasiada

Comentário:

Para uma introdução cumprir o seu papel, ela deve apresentar a contextualização do tema e apresentação da tese. No parágrafo anterior, só há contextualização, tornando-o mais expositivo do que argumentativo. Além disso, existem alguns problemas quanto ao vocabulário – expressões coloquiais – assim como ausência de vírgula isolando o adjunto adverbial.

Sugestão de reescritura:

No drama “Preciosa”, de 2009, a personagem Claireece comprova que há 29 anos os Estados Unidos já discutiam o tão perigoso bullying. Violentada pelo pai e negligenciada pela mãe, a menina de 16 anos, já com um filho, ainda precisava lidar com os duros deboches em sala de aula, alimentando o seu isolamento e, consequentemente, o distanciamento do aprendizado escolar. No Brasil, a realidade não é diferente; porém, a verdadeira preocupação só chegou às instituições de ensino em 2016, ano em que a prevenção e o combate à prática tornou-se lei no país. Isso confirma que, diferentemente da situação norte-americana, a luta aqui é recente e precisa ser valorizada, tanto no ambiente escolar quanto no familiar.

Desenvolvimento 1

Em um primeiro plano, destacamos a importância da escola na solução desses atos. Isso se dá porque, além da simples exposição de conteúdo, é dever da escola educar o aluno para conviver com os outros. Isso comprova a necessidade de as instituições trabalharem o assunto dentro e fora de sala, combatendo a violência entre os alunos e dos próprios professores com os estudantes.

Comentário:

A expressão “em um primeiro plano” não é legal em uma dissertação. Pode ser substituída por “em primeiro lugar”. A expressão “isso se dá” é marca coloquialidade. Além disso, há repetição de palavras que poderia ter sido evitada. Outro fator que deve ser destacado é a ausência de fatos (dados, exemplos, citações, contrastes) que reforcem a argumentação. Em um parágrafo de desenvolvimento, é imprescindível que haja ponto de vista + apresentação de fatos.

Sugestão de reescritura:

Em primeiro lugar, é preciso destacar a importância da escola na solução de atos como o bullying. Isso porque, além da simples exposição de conteúdo, é seu dever educar o aluno para a convivência no coletivo, nas relações pessoais e profissionais. Paulo Freire já falava em uma “cultura da paz”, evidenciando o papel da educação na exposição de injustiças, incentivando a colaboração, a convivência com o diferente, a tolerância. Isso comprova a necessidade de as instituições trabalharem o assunto dentro e fora de sala, combatendo a violência entre os alunos e dos próprios professores com os estudantes. Há, porém, outro agente muito importante nessa luta: a família.

Desenvolvimento 2

Em segundo plano, destacamos que apesar de acontecerem sempre dentro das escolas, os casos de bullying também podem ser combatidos com a ajuda dos responsáveis. O medo envolve toda a prática do bullying dentro das escolas. Os praticantes dos atos violentos os fazem por medo de se tornarem as vítimas. As testemunhas possuem o medo de se tornarem os próximos. As vítimas sentem o apavoro de todos os dias serem rebaixados ao nada, sentindo sua autoestima escorrendo pelos seus dedos, entretanto, seu próprio psicológico insiste em lhe ferir ainda mais.

Comentário:

Devemos ressaltar, novamente, que não é interessante começar o parágrafo com “em primeiro plano”, muito menos dar continuidade com a expressão “em segundo plano”. Mais uma vez não há apresentação de fatos que embasam a argumentação, e, além disso, as ideias estão desconexas. A ideia contida no tópico frasal, que defende a participação dos responsáveis no combate ao bullying, não foi desenvolvida ao longo do parágrafo. Há, também, uso de expressão metafórica coloquial (“escorrendo pelos seus dedos”) e problemas com o uso do conectivo “entretanto”, que deve ser usado para marcar oposição de ideias.

Sugestão de reescritura:

Apesar de acontecerem, em sua maioria, dentro das escolas, os casos de bullying também podem ser combatidos com a ajuda dos responsáveis. Para isso, porém, é necessário que o ambiente em casa seja de acolhimento, e não de repulsa. No filme, a mãe de Preciosa não apoiava a filha, não ligava para os seus problemas e, inclusive, permitia abusos por parte do pai. Se o espaço privado não é de compreensão, os problemas na rua se agravam e, consequentemente, o isolamento do indivíduo é cada vez maior. Claireece se escondia na sua imaginação, a única coisa que, de fato, a aceitava como era.

Conclusão

Por fim, fica clara a necessidade de questionarmos a questão e o papel escola nesse combate. O governo poderia colocar na grade curricular um sistema de aula especial que estudasse o ser humano e suas diferenças. Cabe à mídia conscientizar a população, denunciando os casos. Além disso, a escola deve convidar os pais para palestras, para que a diversidade humana seja sempre contemplada por todos.

Comentário:

Mais uma vez, o parágrafo não foi iniciado com o conectivo ideal. Outros operadores argumentativos conclusivos poderiam ter sido utilizados, como “fica claro, portanto”. Além disso, há redundância em “questionarmos a questão” e, nesse caso, a primeira pessoa poderia ter sido evitada, a fim de demonstrar menos pessoalidade. Ao criarmos propostas de intervenção, devemos sempre apontar o agente interventor, o que ele vai fazer e para que deve ser feito. A frase de efeito “para que a diversidade humana seja contemplada por todos” não tem lógica. Deveríamos substituir “contemplada” por “respeitada”, para que o argumento faça sentido.

Sugestão de reescritura:

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de se discutir a questão e o papel da escola e dos responsáveis nessa luta. Em primeiro lugar, o poder público, criador da lei que incentiva o combate à prática, pode fiscalizar as instituições e fazer valer o que está no Diário Oficial, contratando, inclusive, mais psicólogos para os colégios e promovendo treinamentos. A mídia pode denunciar os casos, a fim de facilitar o trabalho do governo e, é claro, conscientizar a população. Deve, também, por meio de ficções, levar a discussão à família, mostrando a importância de o assunto ser tratado em casa. A escola, então, pode chamar os pais ao debate e, com palestras e reuniões em grupo, mostrar o seu papel nessa prevenção. Só assim será possível evitar que, no Brasil, 29 anos depois, tenhamos mais figuras como a de Preciosa, que precisava dos sonhos para escapar de todo o pesadelo que a sua vida insistia ser.

Redação exemplar

No drama “Preciosa”, de 2009, a personagem Claireece comprova que há 29 anos os Estados Unidos já discutiam o tão perigoso bullying. Violentada pelo pai e negligenciada pela mãe, a menina de 16 anos, já com um filho, ainda precisava lidar com os duros deboches em sala de aula, alimentando o seu isolamento e, consequentemente, o distanciamento do aprendizado escolar. No Brasil, a realidade não é diferente; porém, a verdadeira preocupação só chegou às instituições de ensino em 2016, ano em que a prevenção e o combate à prática tornou-se lei no país. Isso confirma que, diferentemente da situação norte-americana, a luta aqui é recente e precisa ser valorizada, tanto no ambiente escolar quanto no familiar.

Em primeiro lugar, é preciso destacar a importância da escola na solução de atos como o bullying. Isso porque, além da simples exposição de conteúdo, é seu dever educar o aluno para a convivência no coletivo, nas relações pessoais e profissionais. Paulo Freire já falava em uma “cultura da paz”, evidenciando o papel da educação na exposição de injustiças, incentivando a colaboração, a convivência com o diferente, a tolerância. Isso comprova a necessidade de as instituições trabalharem o assunto dentro e fora de sala, combatendo a violência entre os alunos e dos próprios professores com os estudantes. Há, porém, outro agente muito importante nessa luta: a família.

Apesar de acontecerem, em sua maioria, dentro das escolas, os casos de bullying também podem ser combatidos com a ajuda dos responsáveis. Para isso, porém, é necessário que o ambiente em casa seja de acolhimento, e não de repulsa. No filme, a mãe de Preciosa não apoiava a filha, não ligava para os seus problemas e, inclusive, permitia abusos por parte do pai. Se o espaço privado não é de compreensão, os problemas na rua se agravam e, consequentemente, o isolamento do indivíduo é cada vez maior. Claireece se escondia na sua imaginação, a única coisa que, de fato, a aceitava como era.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de se discutir a questão e o papel da escola e dos responsáveis nessa luta. Em primeiro lugar, o poder público, criador da lei que incentiva o combate à prática, pode fiscalizar as instituições e fazer valer o que está no Diário Oficial, contratando, inclusive, mais psicólogos para os colégios e promovendo treinamentos. A mídia pode denunciar os casos, a fim de facilitar o trabalho do governo e, é claro, conscientizar a população. Deve, também, por meio de ficções, levar a discussão à família, mostrando a importância de o assunto ser tratado em casa. A escola, então, pode chamar os pais ao debate e, com palestras e reuniões em grupo, mostrar o seu papel nessa prevenção. Só assim será possível evitar que, no Brasil, 29 anos depois, tenhamos mais figuras como a de Preciosa, que precisava dos sonhos para escapar de todo o pesadelo que a sua vida insistia ser.

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REDAÇÃO PRONTA – ENEM 2006

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