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O que podemos aprender com o caso do Resgate na Tailândia?

Foram 17 dias presos dentro de uma caverna inundada na Tailândia até serem todos resgatados. 12 meninos e o seu treinador do time de futebol saíram no dia 23 de junho para comemorar o aniversário de um dos integrantes do grupo e, ao explorar uma caverna turística local, acabaram presos após uma forte tempestade típica de verão que alagou a gruta e bloqueou a saída.

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Mas como isso aconteceu? A Geografia ajuda a explicar.

Para entender melhor, precisamos contextualizar o lugar. A Tailândia é um país localizado no sudeste asiático, e se destaca pelo seu recente processo de industrialização voltado para a exportação, que começou no fim da década de 1980 e início de 1990, sendo considerado, inclusive, um dos novos tigres asiáticos.

Localização da Tailândia
Localização da Tailândia – Fonte: IBGE

Além da indústria, o país também se destaca pelo turismo e agricultura. E esse último acontece principalmente devido à ocorrência das monções de verão e de inverno, que favorecem a rizicultura. Por outro lado, esse fenômeno climático causa inúmeras perdas humanas e materiais.

O que é o fenômeno climático de monções?

As monções são um fenômeno climático marcado pela dinâmica de circulação de ventos sazonais, ou seja, ventos que ocorrem periodicamente, e que alcançam o Sudeste da Ásia. Mas essa dinâmica não acontece da mesma forma o ano todo, a circulação destes ventos é distinta no verão e no inverno. Normalmente é assim que rola: os ventos vão de uma área de alta pressão (ou seja, área mais fria) para uma área de baixa pressão (área mais quente).

Tá, e como as monções surgem?

Monções na Tailândia
Como acontecem as monções

Como visto, os ventos circulam entre áreas de pressões diferentes. Desse modo, as monções surgem a partir da diferença de pressão entre o continente e o oceano. Sendo assim, no verão, os ventos vão do oceano para o continente carregando umidade e contribuindo para a ocorrência de chuvas. E no inverno, o vento sopra do continente para o oceano sem umidade.

E por que essa mudança de acordo com as estações do ano?

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Durante o verão, a terra está mais quente que a água do mar e isso cria uma diferença na pressão atmosférica Foto: deuxlai.com

No verão, a quantidade de calor liberada é absorvida e acumulada nas águas do mar, e essa quantidade é maior do que a acumulada no continente. Como consequência, as zonas terrestres aquecem com maior rapidez durante a estação mais quente do ano, mas também esfriam ainda mais rápido durante o inverno.

Como resultado, durante o verão, a terra está mais quente que a água do mar, e esse ar quente sobre a terra tende a subir, criando uma área de baixa pressão atmosférica sobre a região, a qual é diferente do ar mais fresco situado sobre o mar.

E é aí que essa diferença de pressão atmosférica cria um vento constante no sentido do mar para a terra, levando para o continente um ar marítimo rico em umidade. Este ar, ao ser elevado pelo efeito convectivo, se esfria, o que provoca condensação e as consequentes chuvas.

Já no inverno, a situação se inverte. As regiões continentais esfriam rapidamente, enquanto o oceano se conserva quente. Como resultado, formam-se baixas pressões sobre o oceano (enquanto que, no continente, se forma uma alta pressão) e o sentido dos ventos passa a ser da terra para o mar, além de serem muito secos e frios.

Por que as monções acontecem predominantemente no Sul da Ásia?

As chuvas de monções no Sudeste da Ásia podem ser torrenciais Foto: AP

O fenômeno das monções acontece em outros lugares. No entanto, a monção asiática é a mais intensa. A dimensão da Ásia e o contraste térmico existente entre o continente e as águas do Oceano Índico são as razões que justificam a intensidade das monções nesta região.

Vale entender que o fenômeno das monções, por si só, não formaria as famosas chuvas pelas quais já é conhecido o Sudeste asiático. Outros fatores entram nessa conta: a combinação das monções com o relevo asiático faz com que a umidade seja lançada para partes mais frias da atmosfera (nas altas altitudes), condense e retorne como chuvas torrenciais – como essas que ocorreram depois dos meninos entrarem na caverna. As chuvas de monções são comuns nos sopés do Himalaia e na cordilheira Anamita, no Vietnã, por exemplo.

A sobrevivência do ser humano em situações extremas

Como o nosso corpo consegue sobreviver em condições extremas? Foto: Royal Thai Army

A complexidade deste caso não acaba por aqui. Foram 17 dias dentro de uma caverna. No entanto, o grupo de jovens só foi encontrado nove dias depois do desaparecimento. E isso nos leva a uma pergunta: como o corpo humano sobrevive em situações extremas?

A Biologia pode nos ajudar a entender.

Os 13 rapazes passaram pelo menos nove dias em condições pouco favoráveis para um ser humano: com pouco oxigênio, risco de afogamento, completamente na escuridão e sem alimentação.

O que acontece com o nosso corpo quando há escassez de oxigênio?

O processo respiratório envolve vários mecanismos Fonte: Medical News Today

Primeiro, é importante entender como acontece o nosso processo de respiração. Vários mecanismos estão envolvidos para que os tecidos biológicos tenham a devida quantidade de oxigênio.

Esse gás chega aos pulmões por meio da inspiração e sofre hematose, que é o processo de trocas gasosas entre os alvéolos pulmonares e os capilares sanguíneos.

No sangue, temos as conhecidas hemácias (ou eritrócitos), que são células bicôncavas sem núcleo, repletas de hemoglobina, e responsáveis pelo transporte do oxigênio.

Já nos tecidos, o oxigênio é liberado e entra por difusão nas células, através da membrana plasmática. Na mitocôndria, por sua vez, é utilizado como aceptor final de elétrons na fase da fosforilação oxidativa (ou cadeia respiratória) da respiração celular aeróbica.

Com a redução da chegada do O2 aos tecidos (e para esse problema tem-se o nome de hipóxia), é provocado o aumento da liberação da eritropoietina, hormônio responsável pelo estímulo da produção de hemácias pela medula óssea. Isso é como um mecanismo de compensação à falta de oxigênio.

No breu total

A falta de iluminação pode causar a sensação de alucinação Foto: TripAdvisor

Ficar num lugar sem qualquer tipo de iluminação também pode trazer consequências para o nosso corpo.

No olho humano, dois principais fotorreceptores estão presentes na retina: cones e bastonetes. Os primeiros são importantes para a diferenciação de cores, e os segundos, para a percepção do claro e escuro – incluindo a capacidade de enxergar à noite.

Entretanto, na total escuridão, os bastonetes não conseguem gerar imagens nítidas, o que dificulta a habilidade de localização espacial e orientação entre as rochas, no exemplo do grupo preso na caverna da Tailândia.

Com o passar do tempo, a falta de iluminação passa a hipersensibilizar esses dois receptores, fazendo com que qualquer estímulo se torne uma imagem maior do que realmente é. Isso também gera a sensação de alucinação e imagens fantasiosas, o que prejudica a estabilidade psicológica de qualquer um.

É possível ficar tanto tempo sem se alimentar?

Por incrível que pareça, o nosso organismo pode ficar até semanas sem a ingestão de alimentos sem entrar em estado de hipoglicemia (baixa glicose no sangue). Isso acontece por conta das nossas complexas vias bioquímicas.

O corpo humano funciona da seguinte forma, caso não receba alimentação: nos dois primeiros dias, a principal reserva utilizada para manter a glicose plasmática é o glicogênio hepático – o glicogênio muscular não pode ser utilizado para esse fim. Esse estímulo acontece por meio do aumento dos níveis do hormônio glucagon no sangue, que é produzido pelas células alfa das ilhotas pancreáticas. Como o glicogênio é um polímero formado por glicoses ligadas, a sua quebra libera monossacarídeos para a circulação sanguínea.

Outra reserva que passa a ser mobilizada é a presente no tecido adiposo. Entretanto, no caso dos meninos da Tailândia, por serem criança  com porte atlético, eles possuem pouca gordura corporal. Mas o processo normal é o seguinte: os triglicerídeos presentes nos adipócitos são quebrados em três ácidos graxos e uma molécula de glicerol. Os ácidos graxos, por sua vez, podem ser utilizados para a geração de energia, entrando diretamente no tão conhecido ciclo de Krebs, na forma de Acetilcoenzima A.

Por fim, o corpo passa a utilizar as reservas musculares para a obtenção de energia. Proteínas musculares são quebradas em aminoácidos e alguns deles podem seguir para a vida da gliconeogênese para a manutenção da glicemia.

Nesse estágio, a tentativa desesperada do organismo faz com que a pessoa se torne progressivamente mais fraca, por conta da perda de massa muscular.

Não à toa, os primeiros alimentos levados para os meninos presos na caverna eram extremamente energéticos e fáceis de digerir.

Já ficar sem água…

Um ser humano normalmente não consegue sobreviver a mais de cinco dias sem ingerir água

O ser humano consegue ficar muitos dias sem comida, mas quando o assunto é hidratação, a história é outra.

O tempo de sobrevivência sem ingerir água é bem menor. Alguns especialistas calculam entre três a cinco dias, dependendo da pessoa, mas há casos que superam esse limite.

A desidratação altera a osmolaridade plasmática, elevando-se também os níveis do hormônio antidiurético ADH, numa tentativa dos rins de pouparem água.

Numa situação extrema, a falta d’água leva à redução da eliminação de urina e aumento de escórias nitrogenadas no organismo, como a ureia. Vários metabólitos são tóxicos ao sistema nervoso central, assim como essa variação da osmolaridade, o que dificulta a capacidade de raciocínio e de orientação.

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