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Exercício Resolvido: Ética Kantiana

1. (UEL 2003) “O imperativo categórico é, portanto só um único, que é este: Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal.”

(KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. Trad. de Paulo Quintela. Lisboa: Edições 70, 1995. p. 59.)

 

Segundo essa formulação do imperativo categórico por Kant, uma ação é considerada ética quando:

a) Privilegia os interesses particulares em detrimento de leis que valham universal e necessariamente.
b) Ajusta os interesses egoístas de uns ao egoísmo dos outros, satisfazendo as exigências individuais de prazer e felicidade.
c) É determinada pela lei da natureza, que tem como fundamento o princípio de auto-conservação.
d) Está subordinada à vontade de Deus, que preestabelece o caminho seguro para a ação humana.
e) A máxima que rege a ação pode ser universalizada, ou seja, quando a ação pode ser praticada por todos, sem prejuízo da humanidade.

 

 

 

 

GABARITO

  1. E

E aí, galera, como fomos no ENEM? Tudo em ordem? Ninguém desesperado? Espero que sim. Uma etapa importantíssima passou, mas ainda teremos algumas outras fundamentais logo, logo: nossas provas de segunda fase. É, e não pense que filosofia e sociologia estão fora dessa não! Há importantes faculdades públicas no país que estão incluindo essas disciplinas em suas provas discursivas: UNESP, UFPR, UEL, etc. Portanto, sem perder o ritmo e sem mais delongas, vamos ver nossa questão comentada dessa semana?

A questão selecionada é da Universidade Estadual de Londrina e trata da ética kantiana, um tema que já caiu na primeira fase da UEL deste ano e que pode se repetir na segunda. Vamos lá: como você já sabe, a ética ou filosofia moral é a área da investigação filosófica que procura determinar como deve ser o comportamento humano, qual é o modo de agir correto para o homem. Em outras palavras, a questão central da ética, matriz de todos os seus problemas é: “Afinal, o que devemos fazer de nossas vidas?” O grande objetivo, pois, do filósofo moral é apresentar quais são as normas que devem guiar a existência humana e justificá-las racionalmente.

Kant, é claro, não saiu da rota. Tal como os outros grandes pensadores que se dedicaram ao tema da ética, o filósofo alemão do século XVIII procurou, acima de tudo, encontrar um princípio moral, uma norma de conduta que pudesse guiar a vida humana e que fosse aceitável por todos os homens. Dito de outro modo, Kant procurava por um princípio universal de conduta. Segundo ele, porém, tal princípio, para ser aceitável por todos, não poderia pressupor noções controversas, como a de felicidade, por exemplo. De fato, por mais que todos os homens desejem ser felizes, nós nunca somos capazes de entrar em um acordo a respeito do que é a vida feliz. Como, pois, algo tão sujeito a controvérsias poderia ser o fundamento de uma autêntica filosofia moral? Indo então na direção oposta, mas mantendo-se fiel ao seu propósito, Kant procurou resolutamente se abster de noções sujeitas a discussões intermináveis. Ele pensava que a única norma de conduta moral legítima seria aquela que pudesse ser inteiramente aceita por qualquer ser racional. Isto significa que, para Kant, a principal característica da lei moral é sua possibilidade de universalização. Em outras palavras, a ação correta seria somente aquela que qualquer um aceitaria que se tornasse o padrão universal de comportamento dos homens, independentemente das circunstâncias concretas.

Foi justamente esse critério – de possibilidade de universalização – que Kant assumiu como o fundamento de sua moral e que, como fica claro no texto do enunciado, ele chamou de imperativo categórico. Para Kant, é o imperativo categórico que mostra, por exemplo, que o roubo e a mentira são ações ruins. Afinal, mesmo o maior ladrão ou mentiroso não desejaria que suas práticas se tornassem o padrão de conduta de toda a humanidade. Diante do que, evidentemente, é fácil saber que a única resposta possível para a questão é a letra E. Segundo o filósofo alemão, a lei moral é fruto da racionalidade humana e não da natureza ou da vontade de Deus. Ademais, para Kant, a ação correta se funda na universalidade do imperativo categórico e não em interesses ou exigências particulares e egoístas.