Português: Fenômenos Linguísticos

Prepare o caderno, o lápis e as canetas: hoje tem aula de Português!

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Português: Fenômenos Linguísticos

Turma da Manhã: 10:15 às 11:15

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Lista de Exercícios

MATERIAL DE AULA AO VIVO

Várias bancas de vestibular mudaram bastante a sua cobrança nas provas de Língua Portuguesa de dez anos para cá. É bem verdade que aquela “gramatiquice”, que, por muitas vezes, fazia o aluno apenas decorar a matéria, tem sido deixada de lado para ser substituída por um entendimento mais interpretativo de enunciados, de propagandas, de manchetes, de tirinhas, de fotos e de textos de uma forma em geral. Para isso ser traduzido em resultado eficaz nas nossas provas, principalmente a do Enem, precisamos estudar este módulo com bastante atenção. É fundamental saber reconhecer fenômenos linguísticos para aprimorarmos a nossa capacidade de leitura e de produção. Lembre-se que os exercícios são tão importantes quanto à teoria.

1) Relações entre Palavras

a) Sinonímia: Dois vocábulos possuem significados muito próximos. Como se trata de uma relação semântica entre as palavras, para determinar se dois vocábulos são sinônimos ou não, o contexto é fundamental.
Veja, por exemplo, o enunciado “Joana implorou por paz no mundo”. Nele, poderíamos substituir “implorou” por “rogou”, embora percamos um pouco da expressividade que aquela primeira palavra emprestava ao texto. Por isso, “implorar” e “rogar” são, nesse contexto, sinônimos.

b) Antonímia: Dois vocábulos possuem significações opostas. Mais uma vez, o contexto é essencial para determinar se dois vocábulos são antônimos ou não. Por exemplo, na canção “O Quereres”, Caetano Veloso diz:

“Onde queres coqueiro / Sou revólver”,

Criou-se uma antonímia contextual entre os vocábulos “coqueiro” e “revólver”.

c) Hiperonímia e Hiponímia: Um termo é hiperônimo quando sua significação engloba o sentido de outros termos, que são, por isso, chamados de hipônimos. Por exemplo, “peixe” é hiperônimo de “salmão”, “bacalhau”, “linguado”, etc.

d) Paronímia: Dois vocábulos são parecidos na grafia e na sonoridade, mas diferentes no sentido, como “infligir” e “infringir”. A utilização recorrente de parônimos em um texto pode gerar um recurso expressivo bastante interessante chamado paronomásia.

e) Homonímia: Há identidade no campo sonoro e/ ou gráfico de dois vocábulos de origens distintas. Por isso, os homônimos podem ser:

• Homógrafos – a identidade ocorre no nível gráfico – (sede – lugar x sede – vontade de beber)
• Homófonos – a identidade ocorre no nível sonoro – (sessão x seção x cessão)
• Perfeitos – a identidade ocorre no nível gráfico e no nível sonoro (manga)

f) Polissemia: Um mesmo vocábulo pode apresentar mais de um sentido. Difere da homonímia por ser a mesma palavra, e não, palavras com origens diferentes que convergiram foneticamente; a principal causa da polissemia é o uso figurado, por metáfora ou metonímia, por extensão de sentido, analogia, etc. É o caso, por exemplo, da palavra “prato”, que pode significar “vasilha”, “comida”, “iguaria”, “instrumento musical”, etc.

2) Ambiguidade

Um determinado segmento linguístico pode produzir mais de uma leitura. A ambiguidade é um fenômeno muito frequente, mas, na maioria dos casos, o contexto (tanto o linguístico quanto o situacional) indica qual a leitura mais apropriada. Em tese, ela deve ser evitada em determinados tipos de textos, a fim de evitar ruídos ou prejuízos no entendimento. A ambiguidade pode ser causada por diversos fatores, como, por exemplo, a má colocação do pronome possessivo. Veja:

A mãe de Pedro entrou com seu carro na garagem.
De quem era o carro?
A mãe de Pedro entrou na garagem com o carro dela.

3) Modalizadores

Elementos linguísticos capazes de determinar a maneira como aquilo que se diz é dito. Nesse caso, passam a ser essenciais para a correta compreensão do texto. Analisemos, por exemplo, a modalização operada pelo verbo “dever” nos seguintes enunciados:

• Todos os cidadãos devem votar no dia da eleição.
O verbo “dever” aqui indica algo obrigatório.

• O trânsito deve piorar depois das férias.
O verbo “dever” aqui indica algo provável.

• A economia deve melhorar só daqui a dois anos.
O verbo “dever” aqui indica algo possível.

Alguns dos elementos linguísticos capazes de traduzir esse fenômeno são:
a) expressões cristalizadas – (é provável, é possível, é obrigatório, etc.)
b) advérbios e locuções adverbiais – (talvez, provavelmente, certamente, obrigatoriamente, etc.)
c) determinados verbos auxiliares – (dever, poder, etc.)
d) determinadas locuções verbais, em geral com verbo principal no infinitivo -(ter de/que, precisar + infinitivo, dever + infinitivo, etc.) e) determinadas “orações” – (tenho certeza de que, há possibilidade de, todos sabem que, não há dúvida de que, etc.)

4) Marcadores de Pressuposição

Elementos linguísticos que nos fazem entender informações secundárias, não-explícitas nos enunciados. Veja, por exemplo, o segmento:

Jorge parou de fumar.

A presença da locução “parar de” nos permite pressupor que, antes, Jorge fumava. Perceba, também, que o emissor, ao proferir esse enunciado, parte do princípio de que seu receptor já domina esse conteúdo pressuposto, sob pena de a comunicação se tornar incoerente ou, no mínimo, pouco eficiente. Essa característica possibilita ao emissor trabalhar os conteúdos pressupostos para construir enunciados interessantes do ponto de vista argumentativo. Analise, por exemplo, o segmento:

Lamentamos não aceitar cartão de crédito nos pagamentos.

A utilização do verbo “lamentar” para inserir de forma pressuposta a ideia de que o estabelecimento não aceita pagamento em cartão de crédito. No entanto, constituído dessa forma, o enunciado sugere que o receptor já tinha domínio dessa informação (o estabelecimento não aceita cartões), o que atenua o tom desagradável dela.

Além dos operadores, podem instituir conteúdos pressupostos os seguintes marcadores, por exemplo:
a) Verbos auxiliares que modificam o aspecto verbal, indicando mudança ou permanência de estado (começar a, deixar de, continuar, passar a, tornar-se, etc.)
b) Verbos que introduzem uma noção ou um estado de espírito diante de um fato (lastimar, sentir, saber, etc.)
c) Conectores circunstanciais, especialmente quando a ideia por eles introduzida vem anteposta (desde que, visto que, antes que, etc.)

5) Polifonia

Em um mesmo texto, ouvem-se outras “vozes” (que não a do emissor), sejam elas explícitas, sejam elas implícitas. Trata-se de um fenômeno interessante porque permite que o emissor mostre perspectivas diversas da sua, para se identificar com elas ou refutá-las. A polifonia vem sendo utilizada na linguística para analisar os enunciados nos quais várias “vozes” são percebidas simultaneamente.

Veja, por exemplo, no slogan da propaganda abaixo, que diz: “Aventura está no nosso sangue”.

Repare que a aventura pode tanto estar no sangue de quem lê como no da Ford, fornecedora do produto. Isso fica bastante evidente com o uso do pronome “nosso”. Determinados elementos gramaticais podem funcionar como índices da presença, no texto, de uma outra “voz”. Alguns dos principais são:

a) Determinados operadores argumentativos, como, por exemplo, o “pelo contrário” na sequência “Clara não é relaxada. Pelo contrário, tem organizado muito bem o seu quarto”. Repare que “tem organizado muito bem o seu quarto” não se opõe a “Clara não é relaxada”. O que explica a presença do termo “pelo contrário”, que possui claro valor adversativo, é a presença de uma outra “voz” que afirma ser Clara uma pessoa relaxada. O termo em questão, portanto, introduz uma oposição ao pensamento definido por essa outra voz, e não uma oposição ao enunciado anterior.
b) Os marcadores de pressuposição;
c) Em alguns casos, as aspas e outros recursos gráficos como o itálico e o negrito;
d) A intertextualidade;
e) O discurso indireto livre. Sabemos que, nessa modalidade discursiva, o narrador fala como se fosse o personagem. Assim, caracteriza-se facilmente a polifonia.

Exercícios

1. (ENEM 2003) No ano passado, o governo promoveu uma campanha a fim de reduzir os índices de violência. Noticiando o fato, um jornal publicou a seguinte manchete:

CAMPANHA CONTRA A VIOLÊNCIA DO GOVERNO DO ESTADO ENTRA EM NOVA FASE

A manchete tem um duplo sentido, e isso dificulta o entendimento. Considerando o objetivo da notícia, esse problema poderia ter sido evitado com a seguinte redação:

a) Campanha contra o governo do Estado e a violência entram em nova fase.
b) A violência do governo do Estado entra em nova fase de Campanha.
c) Campanha contra o governo do Estado entra em nova fase de violência.
d) A violência da campanha do governo do Estado entra em nova fase.
e) Campanha do governo do Estado contra a violência entra em nova fase.

2. O enunciado a seguir é ambíguo por apresentar mais de uma possibilidade de leitura: A indicação do neurocientista trouxe benefícios para a pesquisa.

a) Explique quais são as leituras possíveis.
b) Desfaça a ambiguidade, deixando clara uma dessas leituras.

3. O verbo poder é considerado um modalizador da nossa língua por contribuir para a construção de sentido do discurso, determinando o modo como se diz aquilo que é dito. Observe, portanto, os enunciados abaixo e explicite o sentido que o verbo poder assume em cada um deles.

a) “Dutcher pode escrever substantivos, adjetivos ou advérbios sem qualquer dificuldade.”
b) Um derrame pode lesar uma área do cérebro onde os verbos são processados.

4.
I. Para se candidatar a um emprego, o recém- formado compete com levas de executivos de altíssimo gabarito, desempregados. O jovem, sem experiência, literalmente, dança.
II. Acostumados às apagadas, às vezes literalmente, mulheres dos dirigentes do Kremlin, os russos achavam que ela era influente demais, exibida, arrogante.

a) O advérbio “literalmente” está adequadamente empregado nos dois textos? Justifique sua resposta.
b) A que palavra, em II, se refere a expressão “às vezes literalmente”? Qual é o duplo sentido produzido pela relação que aí se estabeleceu?

GABARITO

1. E

2. a) Uma das possibilidades de leitura seria considerar o termo do neurocientista como paciente da ação, ou seja, nesse caso, o neurocientista foi indicado (indicaram o neurocientista; alguém indicou o neurocientista), e esse fato trouxe benefícios para a pesquisa. A outra possibilidade seria reconhecer o termo do neurocientista como agente da ação, isto é, o neurocientista fez a indicação (indicou algo/alguém) e essa indicação feita por ele trouxe benefícios para a pesquisa.
b) A indicação que o neurocientista fez trouxe benefícios para a pesquisa. / O fato de terem indicado o neurocientista trouxe benefícios para a pesquisa / A indicação feita pelo neurocientista trouxe benefícios para a pesquisa.

3. No enunciado (a), o verbo poder traz a ideia de ter capacidade, e no (b), de possibilidade.

4. a) Não. “Literalmente” significa rigorosamente. Nenhuma gíria ou termo conotativo (“dança” em I e “apagadas” em II) podem ser interpretados com rigor, visto que múltiplas significações sempre estão presentes.
b) “Apagadas”. Há ambigüidade: as mulheres dos dirigentes do Kremlin tinham um papel inexpressivo na sociedade russa (veja o contraste entre Raísa – “ela”, esposa de Gobartchev – e as esposas dos outros líderes russos). Além disso, muitas foram assassinadas. Conhecimentos de História auxiliariam na resposta dessa questão.

LISTA DE EXERCÍCIOS

Texto I
Deus quer otimismo

Procópio acordava cedinho, abria a janela, exclamava:
– Que dia maravilhoso! O dia mais belo da minha vida!
Às vezes, realmente, a manhã estava lindíssima, porém outras vezes a natureza mostrava-se carrancuda. Procópio nem reparava. Sua exclamação podia variar de forma, conservando a essência:
– Estupendo! Sol glorioso! Delícia de vida!
Choveu o mês inteiro e Procópio saudou as trinta e uma cordas-d’água com a jovialidade de sempre. Para ele não havia mau tempo.
A família protestava contra a sua disposição fagueira e inalterável. A população erguia preces ao Senhor, rogando que parasse com o dilúvio. Um dia Procópio abriu a janela e foi levado pelas águas. Ia exclamando:
– Sublime! Agora é que sinto realmente a beleza do bom tempo integral! O azul é de Sèvres! Chove ouro líquido! Sou feliz!
Os outros, que não acreditavam nisto, submergiram, mas Procópio foi depositado na crista de um pico mais alto que o da Neblina, onde faz sol para sempre. Merecia.

(ANDRADE, Carlos Drummond de. Prosa seleta. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003.)

1. Observe a seguinte afirmativa:

“(…) Sua exclamação podia variar de forma, conservando a essência: – Estupendo! Sol glorioso! Delícia de vida!”

Identifique a “essência” a que se refere o narrador e descreva cada uma das diferentes estruturas gramaticais que concretizam a variação “de forma”.

2. Conforme declara o narrador, para Procópio “não havia mau tempo”.

a) Considerando essa declaração, identifique a passagem em que a percepção do narrador em relação aos fatos narrados não coincide com a do personagem.
b) Levando em conta o sentido integral do texto, explicite a ambiguidade da expressão “mau tempo”.

  1. A tua saudade corta como aço de navaia…
    O coração fica aflito Bate uma, a outra faia…
    E os óio se enche d’água
    Que até a vista se atrapaia, ai, ai…

(Fragmento de “Cuitelinho”, canção folclórica)

a) Nos dois primeiros versos há uma comparação. Reconstrua esses versos numa frase iniciada por “Assim como (…)”, preservando os elementos comparados e o sentido da comparação.
b ) Se a forma do verbo atrapalhar estivesse flexionada de acordo com a norma-padrão, haveria prejuízo para o efeito de sonoridade explorado no final do último verso? Por quê?

Texto II
Por não estarem distraídos Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos

(LISPECTOR, Clarice. Para não esquecer. São Paulo: Siciliano, 1992.)

4. (UERJ) O texto de Clarice Lispector aborda, genericamente, o insucesso de relações amorosas. Esse enfoque genérico está confirmado pelo uso da seguinte estratégia de construção textual:

a) inadequação de tempo e de espaço na narrativa.
b) incoerência do discurso e da enunciação em 3ª pessoa.
c) indiferença do autor e do enunciador aos fatos narrados.
d) indeterminação dos nomes e de características dos personagens.

5. (UERJ) O título do texto – Por não estarem distraídos – refere-se à causa do distanciamento dos amantes ao longo da relação estabelecida entre eles. A expressão não estarem distraídos apresenta o sentido de:

a) falta de dedicação.
b) excesso de cobrança.
c) necessidade de confiança.
d) ausência de comprometimento.

6. (UERJ) A sinonímia – recurso largamente conhecido no nível vocabular – também pode se manifestar no nível textual, possibilitando a coerência entre diferentes passagens de um texto.

Os fragmentos que indicam entre si uma relação de sinonímia estão apresentados em:

a) “às vezes eles se tocavam,”/ “Como eles admiravam estarem juntos!”
b) “a boca ficando um pouco mais seca deadmiração.” / “e havia a grande poeira das ruas,”
c) “Tudo se transformou em não” / “Tudo errou,”
d) “o telefone não toca,” / “o deserto da espera já cortou os fios.”

7. (UERJ) Todo texto possui unidades de sentido, interligadas por meio de relações lógicas, que lhe imprimem coerência. A relação que a segunda oração estabelece com a primeira está corretamentecaracterizada na seguinte alternativa:

a) “Andavam por ruas e ruas / falando” – modo
b) “e ao toque brilhava o brilho da água deles, / a boca ficando um pouco mais seca de admiração.”– comparação
c) “e quanto mais erravam, / mais com aspereza queriam, sem um sorriso.”– explicação
d) “Tudo porque quiseram dar um nome; / porque quiseram ser,”– causalidade

8. (UERJ) Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No fragmento acima, as formas verbais sublinhadas estabelecem com o verbo que lhes é imediatamente anterior, respectivamente, relações de:

a) simultaneidade e anterioridade.
b) anterioridade e posterioridade.
c) anterioridade e simultaneidade.
d) simultaneidade e posterioridade.

Os três textos abaixo se referem às questões 9, 10 e 11:

Texto III
Almeida e Costa comprão para remeterem para fora da Província, huma escrava que seja perfeita costureira, engomadeira, e que entenda igualmente de cozinha, sendo mossa, de bôa figura, e afiançada conduta para o que não terão duvida pagala mais vantajosamente; quem a tiver e queira dispor, pode dirija-se ao escriptorio dos mesmos na rua da fonte dos Padres, N. 91.

(Gazeta Commercial da Bahia, 19 de setembro de 1832)

Texto IV
Costureira

Fábrica de roupas precisa c/ experiência de 2 anos comprovada em carteira. Comparecer c/ documentos na Rua São Cristóvão, 814.

(São Cristóvão, RJ. EXTRA, 12/ 09/ 2002)

Texto V
Anúncios classificados

Vendedoras. Ótima aparência, excelente salário. Rua tal, no tal. Recusada. Boutique cidade precisa moça boa aparência entre 25 e 30 anos. Marcar entrevista tel. no tal. Recusada.
Moças bonitas e educadas para trabalhar como recepcionistas. Garantimos ganhos acima de um milhão. Procurar D. Fulana das 12,00 às 20,00 horas, na rua tal, no tal. Recusada.
Senhor solitário com pequeno defeito físico procura moça de 30 anos para lhe fazer companhia. Não precisa ser bonita. Endereço tal. Desta vez ela não disfarçou a corcunda nem pôs óculos escuros para esconder o estrabismo. Contratada.

(CUNHA, Helena Parente. Cem mentiras de verdade, 1985)

9. Do texto III:

a) selecione 2 (dois) verbos e 2 (dois) substantivos que apresentem forma ou emprego diferentes da atual;
b) reescreva-os na forma vigente.

10. Quais são os perfis de trabalhador propostos pelos textos III, IV e V?

11. Aponte 2 (duas) características que comprovem não ser o texto V, de fato, um anúncio classificado.

GABARITO

1. A essência a que se refere o narrador corresponde a uma visão positiva diante dos fatos. Quanto à variação de forma, a primeira expressão é constituída de um adjetivo (“estupendo”), a segunda, de um substantivo e um adjetivo (“sol glorioso”), e a terceira, de um substantivo mais locução adjetiva – preposição e substantivo (“delícia de vida”).

  1. a) A passagem em que a percepção do narrador em relação aos fatos narrados não coincide com a do personagem é a seguinte: “(…) porém outras vezes a natureza mostrava-se carrancuda”.
    b) No sentido literal, a expressão “mau tempo” limita-se a informar as condições atmosféricas, enquanto, no sentido figurado, indica dificuldades, adversidades de toda ordem.

  2. a) Assim como o aço da navalha, A tua saudade (também) corta.
    b) Haveria prejuízo porque as interjeições “ai, ai” reverberam o termo “atrapaia”, como verdadeiro eco.

4. D

5. B

6. C

7. A

8. A

  1. a) comprão / pagala / dirija-se mossa / escriptorio / duvida
    b) compram / pagá-la / dirigir-se moça / escritório / dúvida

10.No A, trabalhador escravo, não remunerado, portanto. No B, trabalhador remunerado, com experiência em carteira. No C, valorização da aparência física.

11.Ausência de referente (rua, número, telefone). Presença de personagens (anunciados nos dois últimos parágrafos).

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