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Os 80 anos de “Vidas Secas”

Capa do livro “Vidas Secas”, em sua edição de 1938.

Literatura brasileira: não é de hoje que os vestibulares abordam clássicos nacionais. Pensando nisso, viemos aqui explicar tudinho sobre um dos livros mais importantes de Graciliano Ramos: “Vidas Secas”. Em 2018, o romance completa 80 anos e vai cair na Fuvest 2019! Partiu entender como Fabiano e Sinhá Vitória podem cair na sua prova?

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A vida no sertão do Nordeste

O livro se passa na caatinga, bioma brasileiro mais presente no Nordeste do país. Neste cenário, a história se desenrola de maneira árida – literalmente “seca”. Os personagem dialogam pouco, por conta do calor do sertão. Para resolver esse problema, se comunicam por meio de movimentos corporais e grunhidos. A leitura passa uma sensação de escassez, uma metáfora para como os personagens viviam. Fazer com que a miséria presente na vida das pessoas se aplicasse em sua narrativa foi, para dizer o mínimo, revolucionário!

Star Wars da Literatura

Outra característica curiosa a respeito de Vidas Secas é a ausência de ordem cronológica. Isso mesmo! Com exceção dos capítulos “Fuga” e “Mudança” – os únicos que apresentam uma conexão – você pode escolher qualquer um, sem medo de levar spoiler.

O simbolismo da cadela Baleia

Seus personagens principais são uma família: Fabiano e Sinhá Vitória, que têm dois filhos e uma cadela, a Baleia. Os filhos, caso você esteja se perguntando, nunca são chamados pelo nome. Eles seguem conhecidos como “menino mais velho” e “menino mais novo”.

Enquanto isso, a cadelinha se mostra um bichinho com muitas emoções – carinhosa com seus donos e cuidadosa com as crianças. Tanto é que o animal é tão humano que tem até nome próprio. Aqui, Graciliano faz uma inversão de valores: enquanto as crianças mal são citadas por suas ações, Baleia ganha destaque na história com todo o seu sentimentalismo. Seria a cadela Baleia a inspiração para Marley & Eu? Fica o mistério!

Graciliano quem?

Grande autor da geração modernista, Graciliano Ramos marca sua obra pela forte crítica à situação de miséria do povo brasileiro. Na década de 30, tempos difíceis eram vividos no norte e nordeste do Brasil. Justamente por conta deste contexto, o escritor não mede esforços para colocar esse sofrimento em evidência. Esse modo de escrever fica conhecido como Regionalismo, uma das características da Segunda Geração Modernista. Mas calma! Falaremos sobre ela no próximo parágrafo.

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Geração de 30

O autor também foi um dos principais escritores da Geração de 30, nome popular para a Segunda Geração Modernista.  Este movimento literário eclode no Brasil em 1922 e segue por três fases até 1945. Seu cenário de fundo da Geração de 30 são de tempos de crise, onde o Brasil enfrenta um caos político e econômico. Por conta disso, a Segunda Fase tem como forte característica o viés crítico, explorando as mazelas da sociedade. Esse assunto é batata nos vestibulares de Literatura! Então, é bom dar uma boa revisada nessa matéria!

Tem filme!

Se você é daqueles que odeia quando livros são adaptados para o cinema, acalme seu coraçãozinho! Neste caso, o diretor Nelson Pereira Santos fez um excelente trabalho. Ao transformar as páginas de Graciliano para as telinhas, Nelson traz toda a secura do Nordeste para a representação visual – uma coisa de tirar o fôlego!

O diretor também foi um dos pioneiros do Cinema Novo, movimento de suma importância para o cinema nacional. Além de Nelson, o Cinema Novo é encabeçado por nomes como Glauber Rocha e Cacá Diegues.

Ufa! Deu pra conhecer bastante sobre Vidas Secas, não é mesmo? Agora, é a sua vez de praticar o que aprendeu: confira exercícios sobre a Segunda Geração Modernista e fique afiadíssimo no assunto!

Aqui no Descomplica, você aprende tudo o que precisa para o vestibular. Junte-se a nós e vamos juntos rumo à aprovação!