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Português: Questão sobre Semântica dos Conectivos – Conjunções. Vai encarar?

A seguir, uma questão sobre Conectivos e Conjunções:

A terceira margem do rio (adaptado)

Nosso pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo; e sido assim desde mocinho e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas, quando indaguei a informação. (…) Mas se deu que, certo dia, nosso pai mandou fazer para si uma canoa. (…) Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente. Nem falou outras palavras, não pegou matula e trouxa, não fez a alguma recomendação. (…) Nosso pai entrou na canoa e desamarrou, pelo remar. E a canoa saiu se indo – a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa. Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais. A estranheza dessa verdade deu para estarrecer de todo a gente. Aquilo que não havia, acontecia. (…) E nunca falou mais palavra, com pessoa alguma. Nós, também, não falávamos mais nele. Só se pensava. (…) Sou homem de tristes palavras. De que era que eu tinha tanta, tanta culpa? Se o meu pai, sempre fazendo ausência: e o rio-rio-rio, o rio – pondo perpétuo. (…)  E ele? Por quê? Devia de padecer demais.

(ROSA, João Guimarães. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,1985.)

1. (Uerj/2007 – Segundo exame de qualificação) “De que era que eu tinha tanta, tanta culpa? Se o meu pai, sempre fazendo ausência: e o rio-rio-rio, o rio – pondo perpétuo.”

“Se o meu pai, sempre fazendo ausência” apresenta o seguinte valor argumentativo em relação ao fragmento anterior:

a) Causa
b) Comparação
c) Consequência
d) Exemplificação

GABARITO:

Letra A – causa. A questão fala sobre o valor do segundo fragmento em relação ao primeiro. Repare que a pergunta feita pelo narrador/personagem é considerada retórica, ou seja, já traz em si uma resposta, que, nesse caso, é “eu não tenho culpa”. Essa indagação é uma consequência do fato de o pai estar sempre ausente. Logo, essa ausência (“Se meu pai, sempre fazendo ausência”) é a CAUSA.

Essa questão foi resolvida pelo monitor  de Português, Rodrigo Souza.