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Firjan leva câmera hiperespectral que detecta sais sem reagente e biomaterial que suga óleo

Firjan apresenta câmera hiperespectral sem reagente e biomaterial absorvente para detectar sais e remover óleo em água produzida.

por Bruno QuintelaPublicado em

Firjan leva câmera hiperespectral que detecta sais sem reagente e biomaterial que suga óleo

A Firjan SENAI SESI marcou presença na ROG.e apresentando soluções de pesquisa aplicada voltadas ao mercado de óleo e gás, com tecnologias pensadas para uso prático: uma câmera hiperespectral para identificação de sais metálicos em água produzida sem reagentes, um biomaterial absorvente para remoção de óleo em meio aquoso e metodologias aperfeiçoadas para análise de TOG. No estande também houve ativações em formação, segurança e conexão entre fornecedores e demandantes.

Câmera hiperespectral: como funciona e por que importa

A análise hiperespectral combina imagem e espectrometria: cada pixel contém um espectro composto por dezenas ou centenas de bandas estreitas do espectro eletromagnético. Essas assinaturas espectrais permitem identificar materiais e compostos a partir de padrões de absorção e reflexão. Aplicada à água produzida, a técnica possibilita detectar e estimar concentrações de sais metálicos sem o uso de reagentes químicos.

Na prática, um sensor hiperespectral captura a refletância da amostra; os dados passam por pré-processamento (correção radiométrica, remoção de ruído) e por modelos multivariados ou de machine learning que convertem assinaturas espectrais em estimativas de concentração. A calibração com amostras de referência é fundamental para transformar sinais ópticos em valores operacionais confiáveis.

  • Vantagens: redução de insumos químicos, potencial de monitoramento quase em tempo real, não destruição da amostra e triagem rápida para decisões operacionais.
  • Aplicabilidade: detecção inicial em processos de tratamento, monitoramento in situ e integração com rotinas de amostragem para acelerar diagnósticos.

No entanto, a técnica tem limitações importantes: sensibilidade à turbidez e a materiais em suspensão que interferem na assinatura espectral; necessidade de bibliotecas espectrais e calibração local para cada tipo de matriz; limites de detecção que podem ser inferiores aos de métodos laboratoriais tradicionais; e requisitos de robustez e proteção do sensor para operação em ambientes industriais ou offshore. A adaptação para o campo exige também integração com fluxos de trabalho e validação contínua para garantir consistência dos resultados.

TOG: o que é e como se aplica operacionalmente

TOG (teor de óleo e graxa) é uma métrica usada para quantificar a presença de hidrocarbonetos em amostras de água. Operacionalmente, é um parâmetro essencial para avaliar a eficiência de processos de separação e tratamento e para garantir conformidade ambiental. Métodos clássicos envolvem extração por solvente e quantificação por gravimetria ou técnicas instrumentais certificadas.

A Firjan atua como referência em análise de TOG e, em parceria com operadoras e com acompanhamento do Inmetro, trabalha no aperfeiçoamento de metodologias para padronização. A padronização traz benefícios práticos: comparabilidade entre laboratórios, maior credibilidade nas medições, facilidade em auditorias e suporte a decisões sobre tratamentos a serem adotados.

  • Importância operacional: indicadores de TOG orientam ajustes em processos físicos e químicos de remoção de óleo.
  • Integração tecnológica: métodos rápidos como triagem hiperespectral podem complementar análises laboratoriais, priorizando amostras para testes mais detalhados.

Biomaterial absorvente: aplicações práticas e desafios de escala

O biomaterial absorvente desenvolvido pela Firjan resulta de pesquisa contínua e foi projetado para captar óleo em meio aquoso. As aplicações são diretas: resposta a derrames, uso em plataformas, postos de combustíveis, indústrias de lubrificantes e tratamento de efluentes com alta carga de hidrocarbonetos. Em campo, esses materiais podem servir em barreiras de contenção, kits de emergência e etapas prévias ao tratamento convencional.

Para que o material seja adotado em escala industrial, alguns desafios precisam ser enfrentados: viabilidade econômica da produção em grande volume, definição de protocolos de regeneração ou descarte, resistência mecânica para uso repetido em booms e filtros, e certificações que atestem desempenho e segurança ambiental. A logística de distribuição e a possibilidade de produção por fornecedores locais também são pontos críticos para adoção ampla.

  • Desafios técnicos: garantir capacidade de sorção, velocidade de captação e comportamento em condições reais (emulsões, salinidade, presença de sólidos).
  • Desafios operacionais: rotas de reciclagem/regeneração, custos unitários e compliance com normas ambientais.

Treinamento, segurança e conexão com fornecedores

Além das soluções tecnológicas, a Firjan reforçou a importância da formação: no estande foram demonstrados um simulador de trabalho em altura com óculos 3D (NR-35) e conteúdos interativos sobre riscos psicossociais previstos na NR-1. Essas ferramentas tornam o treinamento mais imersivo e melhoram a preparação de profissionais para operações de risco.

No campo da cadeia de suprimentos, a federação atua com iniciativas para aproximar fornecedores das grandes demandantes. Em parceria com o Sebrae Rio, a participação no Programa Rede de Oportunidades para Fornecedores (RdO Fornecedores) e a Cartilha RdO voltada a micro e pequenas empresas são instrumentos práticos para facilitar a entrada de fornecedores locais na cadeia produtiva. O Escritório de Carreira da Indústria complementa a estratégia conectando profissionais a vagas, ampliando empregabilidade e a velocidade de adoção de novas soluções.

O contexto estratégico torna essas ações ainda mais relevantes: o Rio de Janeiro concentra cerca de 65% dos investimentos em projetos de energias e responde por aproximadamente 88% da produção nacional de petróleo. Essa concentração de investimentos e produção cria um ambiente favorável para testes pilotos, desenvolvimento de fornecedores locais e difusão de tecnologias que podem escalar regionalmente.

Conclusão

A presença da Firjan na ROG.e evidencia um caminho pragmático: unir pesquisa aplicada, qualificação técnica e articulação com fornecedores para transformar protótipos em soluções operacionais. Câmeras hiperespectrais, biomateriais absorventes e metodologias aprimoradas de TOG são peças de uma agenda que busca reduzir custos operacionais, acelerar decisões e mitigar impactos ambientais. A combinação de tecnologia e formação aumenta a probabilidade de adoção efetiva no campo e de benefícios econômicos para a cadeia local.

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Revisão editorial: Bruno Quintela - LinkedIn