Firjan leva câmera hiperespectral e biomaterial que suga óleo para revolucionar o setor
A Firjan SENAI SESI apresentou na ROG.e um conjunto de soluções de pesquisa aplicada voltadas às demandas reais do setor de óleo e gás. Entre as tecnologias em destaque estão a análise química por imagens hiperespectrais — que identifica sais metálicos em água produzida sem uso de reagentes — e um biomaterial absorvente desenvolvido para remover óleo de superfícies aquosas. Essas inovações chegam em um momento em que o setor busca integrar eficiência operacional, conformidade ambiental e novas oportunidades para fornecedores locais.
Análise hiperespectral: detectar sem reagentes
A câmera de imagens hiperespectrais captura, para cada pixel, informações em diversas faixas do espectro eletromagnético, permitindo identificar assinaturas químicas de materiais. No contexto de operações de extração, essa tecnologia é aplicada para detectar e quantificar sais metálicos na água produzida — uma mistura complexa que exige decisões rápidas sobre tratamento, reúso ou descarte.
Vantagens práticas dessa abordagem incluem:
- análise não destrutiva e sem reagentes;
- resultados mais rápidos e potencial para monitoramento contínuo;
- mapeamento espacial dos pontos onde os contaminantes se concentram;
- redução de custos operacionais e agilidade na tomada de decisão.
O projeto foi desenvolvido em parceria com operadoras do setor e está em fase avançada de testes, o que aumenta a perspectiva de adoção comercial em plataformas e estações de tratamento em curto prazo.
Biomaterial absorvente: remoção eficiente de óleo
Outra solução levada ao evento é um biomaterial absorvente, fruto de quatro anos de aperfeiçoamento. Esse tipo de material costuma combinar propriedades oleofílicas e hidrofóbicas, permitindo captar hidrocarbonetos enquanto permanece na superfície da água.
Possíveis aplicações e benefícios:
- resposta a vazamentos e operações offshore;
- contenção e limpeza em postos de combustível e indústrias de lubrificantes;
- redução do impacto ambiental quando comparado a materiais exclusivamente sintéticos;
- potencial reutilização e viabilização de soluções em diferentes escalas.
O desenvolvimento técnico precisa equilibrar eficiência de remoção, facilidade de separação entre óleo e biomaterial, e manejo final dos resíduos. A proposta da Firjan aponta para protótipos com potencial de uso industrial imediato.
Metodologias TOG e padronização
Medir o TOG (teor de óleo e graxa) é essencial para conformidade ambiental e controle de processos. A Firjan, referência nacional em análises químicas, trabalha no aperfeiçoamento dessa metodologia em parceria com operadoras e com acompanhamento do Inmetro. A padronização busca reduzir a variação entre laboratórios e garantir que resultados sejam aceitos por reguladores e contratantes.
Padronizar ensaios facilita a integração de novas tecnologias: uma leitura hiperespectral bem calibrada pode ser convertida em parâmetros regulatórios reconhecidos, acelerando a adoção e a confiança do mercado.
Formação, segurança e tecnologias imersivas
No estande da Firjan houve demonstrações de ferramentas de formação, como um simulador de treinamento em altura (NR-35) por meio de óculos 3D, e conteúdos interativos sobre riscos psicossociais (NR-1). Essas soluções ampliam o repertório de treino em ambiente controlado, reduzindo exposição ao risco real durante a capacitação.
Benefícios práticos:
- capacitação em cenários de risco com custo e risco reduzidos;
- preparação mais efetiva para tarefas de alto risco, diminuindo probabilidade de acidentes;
- maior conscientização sobre fatores psicossociais que afetam desempenho e segurança.
A combinação entre inovação tecnológica e qualificação profissional é fundamental para que novas metodologias e equipamentos sejam implementados com segurança e eficiência.
Ecossistema, fornecedores e alcance internacional
A Firjan destacou também uma abordagem de ecossistema que integra tecnologia, qualificação, saúde, segurança e conexão com fornecedores. A instituição levou ao evento iniciativas como o Programa Rede de Oportunidades para Fornecedores (RdO) e a Cartilha RdO, voltada para micro e pequenas empresas, com o objetivo de facilitar o acesso de fornecedores locais às grandes demandas do setor.
Em nível internacional, a federação lançou uma versão em inglês de um guia executivo sobre os mercados estratégicos do Rio de Janeiro, com dados e temas para apoiar a atração de investimentos estrangeiros. Essas ações se somam ao trabalho de pesquisa aplicada — que inclui parcerias com operadoras e seguimento de órgãos de metrologia, como o Inmetro — para transformar protótipos em soluções escaláveis.
Por que importa agora
O setor energético está em transição: além de manter a produção fóssil, há frentes decisivas como captura de CO2 para matérias-primas, combustíveis sustentáveis de aviação (SAF), hidrogênio de baixo carbono e conversão de biomassa em combustíveis não fósseis. Tecnologias que melhorem monitoramento ambiental, aumentem a eficiência operacional e qualifiquem profissionais ajudam a acelerar essa transição com menor impacto socioambiental.
A parceria entre centros de pesquisa, operadoras e órgãos de metrologia é determinante para que soluções saiam do protótipo e alcancem escala. Os projetos apresentados pela Firjan mostram como pesquisa aplicada, formação e conexão com mercado podem convergir para gerar inovação que beneficia toda a cadeia produtiva.
Conclusão
As tecnologias mostradas pela Firjan SENAI SESI na ROG.e — da análise hiperespectral ao biomaterial absorvente, passando por metodologias padronizadas e treinamentos imersivos — exemplificam a transição da pesquisa para a aplicação prática. Essas soluções prometem reduzir custos, aumentar a segurança e abrir caminho para fornecedores e profissionais locais.
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Revisão editorial: Bruno Quintela - LinkedIn
