93% das empresas ainda não usam IA — o que falta pra virar jogo?
IA além do hype
No Universo TOTVS 26, especialistas reforçaram uma ideia simples, porém urgente: acesso à inteligência artificial não é sinônimo de impacto. O verdadeiro desafio é elevar a maturidade digital das empresas — combinando governança de dados, integração de processos e capacitação de pessoas — para que soluções baseadas em IA deixem de ser provas de conceito e passem a gerar valor consistente.
Por que a adoção ainda é baixa?
Estudos e debates apontam que cerca de 93% das empresas brasileiras ainda não incorporaram IA aos seus processos centrais. Esse número revela desigualdade na adoção e mostra que, para muitos, a tecnologia segue restrita a projetos isolados. Entre os principais entraves estão:
- Legado tecnológico: sistemas antigos e não integrados tornam a implementação complexa e cara.
- Dados de baixa qualidade: sem dados confiáveis, modelos falham ou geram resultados enviesados.
- Escassez de talento: a demanda por cientistas de dados, engenheiros de dados e profissionais de ML Ops supera a oferta, especialmente fora dos grandes centros.
- Cultura e governança fracas: sem liderança e métricas claras, projetos não escalam.
- Foco em curto prazo: investimentos em inovação competem com necessidades operacionais imediatas.
O que significa maturidade digital?
Maturidade digital é a soma de infraestrutura, processos, pessoas e governança. Na prática, envolve:
- Infraestrutura e integração entre ERPs, CRMs e pipelines de dados.
- Governança de dados com políticas de qualidade, rastreabilidade e mitigação de vieses.
- Processos claros para implantar, monitorar e atualizar modelos em produção (ML Ops).
- Capacitação contínua para que times de negócio, produto e tecnologia trabalhem de forma integrada.
Reforma tributária: por que aumenta a urgência?
A reforma tributária adiciona uma camada de complexidade que torna a transformação digital ainda mais urgente. Mudanças nas regras fiscais exigem atualizações rápidas em sistemas, parametrizações em ERPs e auditabilidade nos cálculos. Organizações que deixam a adequação para a última hora costumam enfrentar picos de demanda, retrabalho e custos mais altos.
Entre os impactos práticos estão a necessidade de integrar regras fiscais atualizadas aos sistemas, manter logs para comprovar cálculos e automatizar controles para reduzir erros e riscos de autuação. A tecnologia, quando bem implementada, facilita a conformidade; sem ela, a operação fica vulnerável.
Como as empresas podem virar o jogo
Algumas estratégias práticas ajudam a diminuir a distância entre intenção e resultado:
- Começar por quick wins: identificar automações de baixo risco que gerem economia ou ganho de eficiência mensurável.
- Investir em governança de dados: qualidade e observabilidade dos dados são pré-requisitos para IA confiável.
- Formar times multidisciplinares: juntar negócio, tecnologia e compliance para acelerar decisões e reduzir retrabalho.
- Adotar ML Ops: criar pipelines para monitorar modelos, versionar artefatos e garantir reprodutibilidade.
- Focar em capacitação: preparar profissionais não apenas para construir modelos, mas para operá-los e interpretá-los no contexto do negócio.
Potencial do Brasil no cenário global
O Brasil tem criatividade e capacidade de inovação que, combinadas a políticas públicas e investimentos privados, podem transformar o país em um polo tecnológico mais relevante. Exemplos internacionais mostram que talento, capital e ambientes regulatórios previsíveis impulsionam ecossistemas de tecnologia. No Brasil, parcerias entre empresas, universidades e startups, além de incentivos para PMEs, podem acelerar esse movimento.
Conclusão
A adoção de IA no Brasil é um problema de maturidade, não apenas de acesso à tecnologia. Unir governança de dados, processos robustos, capacitação e preparo regulatório — especialmente diante da reforma tributária — é o caminho para reduzir riscos e transformar inovação em vantagem competitiva. Comece pequeno, meça resultados e padronize processos para escalar com segurança.
Na Descomplica, há conteúdos e trilhas pensadas para ajudar profissionais e times a reduzirem o gap entre tecnologia e resultado. Investir em formação e preparo prático é uma das formas de transformar criatividade em vantagem real.
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Revisão editorial: Bruno Quintela - LinkedIn
