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Influenciadores: contratações por instituições financeiras disparam 59% em 1 ano

Contratações de influenciadores por instituições financeiras cresceram 59% em 12 meses; Instagram lidera e autorregulação exige transparência.

por Bruno QuintelaPublicado em

Influenciadores: contratações por instituições financeiras disparam 59% em 1 ano

Crescimento e concentração

O mercado de capitais está acelerando o uso de influenciadores digitais para comunicar produtos e serviços — uma tendência que, em 12 meses, registrou crescimento de 59% nas contratações. Segundo levantamento, as parcerias passaram de 503, em julho de 2025, para 802 em julho de 2026. O Instagram concentra mais da metade dos conteúdos produzidos nessas campanhas, o que reforça a importância de formatos visuais e de vídeo nessa estratégia.

Embora o número total de contratos tenha subido de forma expressiva, a expansão está concentrada em um grupo reduzido de instituições. Em 2025, apenas 19 empresas foram responsáveis por boa parte das contratações; em 2026 esse grupo passou a 25, representando 14% e 18% das empresas que seguem o Código de Distribuição, respectivamente. Ou seja, nem todo o setor adotou a mesma escala, e o movimento reflete iniciativas de players que testam o alcance digital como canal de aquisição e educação do investidor.

Autorregulação e obrigações

Para mitigar riscos, a autorregulação estabelece obrigações claras: formalização contratual das relações comerciais, descrição dos produtos divulgados, indicação se há atividade regulada (como análise ou recomendação), além de informação sobre remuneração e vigência da parceria. As instituições também devem encaminhar mensalmente a lista dos influenciadores contratados e manter a guarda de todo o material publicitário e links das publicações por um ano.

Essas exigências existem porque, mesmo quando um conteúdo é produzido por um criador, a instituição que contrata continua responsável pela comunicação em seu nome. Garantir clareza, equilíbrio e adequação ao público investidor é uma obrigação que passa por governança interna e controles efetivos.

Monitoramento: falhas identificadas

No monitoramento das parcerias, cerca de três quartos das instituições cumpriram as normas. Entre as falhas recorrentes identificadas estão a ausência de formalização contratual adequada, atrasos no envio das listas atualizadas de criadores, conteúdos sem identificação clara do caráter publicitário e comparações entre produtos sem embasamento técnico. A autorregulação aplicou medidas proporcionais à gravidade: desde planos de ação com prazos curtos até cartas de recomendação para reestruturação de processos e procedimentos em andamento em alguns casos.

Riscos para investidores e instituições

A divulgação de investimentos por influenciadores sem a identificação adequada ou sem fundamentação técnica pode induzir investidores a decisões mal informadas, especialmente aqueles com menor experiência. Riscos práticos incluem a promoção de produtos sem destaque dos riscos, recomendações sem base técnica, conflitos de interesse não revelados e mensagens que valorizam performance passada de forma inadequada. Para as instituições, as consequências vão do risco reputacional a exigências de revisão de processos e perda de confiança do público.

Boas práticas de governança e compliance

A contratação de criadores de conteúdo exige processos estruturados de governança. Entre as práticas recomendadas estão:

  • Contratos claros: definir escopo, responsabilidades, material pré-aprovado, cláusulas de compliance e requisitos de disclosure;
  • Checklist de aprovação: revisar roteiros, claims e comparações antes da publicação para garantir embasamento técnico;
  • Transparência na remuneração: deixar claro quando há pagamento ou incentivos por indicação;
  • Arquivo e rastreabilidade: manter todo o material e links por, no mínimo, um ano para auditoria;
  • Treinamento: capacitar influenciadores e equipes internas sobre linguagem adequada ao público investidor;
  • Monitoramento contínuo: acompanhar métricas de alcance e indicadores de conformidade e prontidão para correção;
  • Planos de resposta: procedimentos para corrigir publicações problemáticas e notificar áreas internas competentes.

O que o investidor pode fazer

Para quem consome conteúdo sobre investimentos nas redes, a postura deve ser crítica: buscar a fonte direta do produto, verificar se a publicação é claramente identificada como publicidade, procurar documentação completa (prospecto, regulador, site da instituição) e não basear decisões apenas em postagens curtas. Desconfie de promessas de retorno fácil e alinhe qualquer decisão ao seu perfil de risco.

Impacto para profissionais e gestores

Para quem atua ou pretende atuar na gestão financeira, entender essa dinâmica é estratégico. A comunicação digital exige habilidades técnicas para explicar produtos e processos, além de capacidade de desenhar controles que integrem compliance, marketing e tecnologia. Profissionais que combinarem esse conjunto de competências tendem a se destacar no mercado.

Conclusão

O aumento de 59% nas contratações de influenciadores pelo mercado de capitais mostra que a comunicação digital se transformou em um canal relevante para atingir investidores. Quando bem estruturada, essa estratégia pode ampliar a educação financeira; sem governança, aumenta riscos para investidores e instituições. A autorregulação tem papel central ao estabelecer regras e monitorar o cumprimento, mas ainda há espaço para aprimoramento.

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Revisão editorial: Bruno Quintela - LinkedIn