Contratações de refugiados crescem 33%: 22,6 mil CLTs em 2026
Inclusão que dá resultado
O Brasil registrou um avanço concreto na inclusão laboral de pessoas refugiadas em 2026. O Monitoramento Anual 2026 do Fórum Empresas com Refugiados aponta 22.656 contratações em regime CLT — um crescimento de 33,5% em relação a 2025 — e mostra como práticas corporativas estruturadas podem transformar vidas e gerar valor para as empresas.
Números que comprovam o avanço
O dado mais óbvio: 22.656 pessoas refugiadas trabalhando com carteira assinada em 2026. Esse salto não é só numérico: reflete consolidação de processos de recrutamento, integração e retenção em empresas que participaram do Fórum, uma iniciativa do ACNUR e do Pacto Global da ONU – Rede Brasil.
- 72,5% se declaram pretos ou pardos
- 42,2% são mulheres
- 12,3% têm mais de 50 anos
- Principais nacionalidades: venezuelanas (56,2%) e haitianas (22,5%)
- Estados com mais vagas relatadas: São Paulo (57,3%), Minas Gerais (26,7%) e Paraná (22,7%)
Esses números mostram que a inclusão tem perfil interseccional (raça, gênero, idade) e que decisões regionais de contratação, como a atuação de hubs locais, influenciam a distribuição das vagas.
Reconhecimento de habilidades e desenvolvimento
Um dos grandes desafios para a inclusão produtiva de refugiados é o reconhecimento de habilidades e qualificações obtidas fora do país. O reconhecimento vai além de validar diplomas: envolve mapear experiência prévia, equivalência de competências e criar trajetórias internas que permitam progressão de carreira. O Banco Mundial e o ACNUR identificam esse ponto como crítico.
Práticas que têm mostrado resultado:
- Avaliações por competências: testes práticos e entrevistas técnicas focadas em skills reais.
- Programas de requalificação e upskilling: cursos técnicos, de idioma e de adaptação ao mercado local.
- Mentoria e buddy programs: profissionais internos que aceleram integração cultural e operacional.
- Políticas de progressão claras: converter o primeiro emprego em oportunidade de carreira.
Histórias que mostram o impacto
Dados ganham rosto nas trajetórias de quem recomeçou. Tifani Ndangi Basakinina, da República Democrática do Congo, enfrentou abrigo precário e xenofobia antes de consolidar sua vida profissional. Hoje atua na área de Responsabilidade Corporativa da construtora Tenda e coordena parcerias do programa Reconstrução. O trabalho formal permitiu que ele reconquistasse autonomia e atuação cívica: em 2023 foi um dos eleitos para o Conselho Municipal de Imigrantes de São Paulo.
Richeily Hernandez, venezuelana que chegou ao Brasil em 2018, passou por trabalho informal e baixos salários até ser contratada pela Foundever. Em seis meses, foi promovida a supervisora de operações, organizou a vinda da família ao país e hoje cursa Gestão de E-commerce — exemplos claros de como emprego formal e oportunidades internas geram transformação.
Hubs regionais e boas práticas empresariais
O Fórum tem expandido sua atuação por meio de hubs locais no Paraná, Rio Grande do Sul e Amazonas, com previsão de lançamento em Roraima. Esses hubs conectam empresas, sociedade civil e órgãos públicos, adaptando soluções às realidades regionais — essencial quando se trata de integração produtiva que precisa respeitar mercados locais.
No encontro também houve reconhecimento a empresas e projetos que se destacaram nas práticas de inclusão, como Grupo Pão de Açúcar, Fiasul e MBRF. Prêmios ajudam a disseminar modelos testados e replicáveis.
Recomendações práticas para RH
- Mapear competências transferríveis: use análises de cargo para identificar skills exigidas que podem ser preenchidas por refugiados.
- Simplificar requisitos formais: permitir candidaturas com portfólios, avaliações práticas ou certificados provisórios.
- Estabelecer parcerias locais: ONGs, agências da ONU e hubs regionais aceleram recrutamento qualificado.
- Oferecer suporte de integração: cursos de língua, orientação sobre cultura organizacional e encaminhamento para serviços sociais.
- Criar trilhas de carreira: metas de desenvolvimento e avaliações semestrais para promover retenção.
- Mensurar impacto: indicadores como tempo até a contratação, taxa de promoção e retenção após 12 meses.
Conclusão
O crescimento de 33,5% nas contratações CLT em 2026 mostra que inclusão bem-feita é escalável, benéfica para pessoas que precisam de proteção e vantajosa para as empresas. Os desafios persistem — principalmente no reconhecimento de habilidades e na continuidade de carreira —, mas existem caminhos práticos que RH pode seguir para transformar intenção em resultado.
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Revisão editorial: Bruno Quintela - LinkedIn
