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‘Vale da morte’: ACATE avisa — empresas que ignorarem IA ficam pra trás

Walmoli (ACATE) alerta: empresas que ignorarem inteligência artificial correm risco de ficar para trás.

por Bruno QuintelaPublicado em

'Vale da morte': ACATE avisa — empresas que ignorarem IA ficam pra trás

Santa Catarina virou um dos polos mais vibrantes de tecnologia do Brasil: em 2025 o setor faturou R$ 47,9 bilhões, gerou 102,2 mil empregos formais e soma 34,2 mil empresas — respondendo por 8% do PIB estadual e 21% do PIB de Florianópolis. Nesse cenário, a ACATE (Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia) atua como articuladora, criando mecanismos práticos — de fundos garantidores a escritórios internacionais — para que startups e empresas maduras cresçam e cheguem ao mercado global.

ACATE: um ecossistema que funciona

Criada em 1986 a partir de um movimento acadêmico, a ACATE se consolidou como uma caixa aberta de colaboração entre universidade, empreendedorismo e indústria. Além de eventos como o Startup Summit, a associação opera programas estruturados de internacionalização, conexão com grandes empresas e formação de talentos.

Garantia de crédito e suporte financeiro

Um exemplo concreto da ação coletiva é o fundo garantidor da ACATE. Criado para dar garantia a empréstimos de empresas que não têm ativos tradicionais para oferecer, o fundo já viabilizou mais de 200 operações, com apenas uma inadimplência registrada. O limite de garantia saiu dos R$ 350 mil iniciais e está sendo ampliado para R$ 5 milhões, para apoiar empresas em estágio mais avançado.

Por que isso importa? A falta de garantias é uma barreira clássica para PMEs de tecnologia. Fondos coletivos reduzem o risco bancário e mantêm capital circulando no ecossistema, facilitando a escala de negócios que ainda não têm ativos convencionais para oferecer como garantia.

Conexão com a indústria tradicional: LinkLab e empreendedorismo aplicado

Projetos como o LinkLab aproximam demandas da indústria tradicional e soluções tecnológicas. O formato inclui pitches reversos (a indústria apresenta problemas) e resultados práticos: soluções desenvolvidas por startups que viram produto e mercado. Um caso citado mostra como um desafio logístico apresentado por uma grande varejista virou solução contratada, depois produto escalável e, em sequência, gerou um exit significativo.

Isso demonstra que inovação não é apenas pesquisa: é transformar problemas reais em soluções vendáveis e replicáveis.

Internacionalização e retenção de talentos

A ACATE mantém escritórios em Miami, Canadá, Inglaterra, Alemanha e China, além de oferecer conexões e períodos de trabalho no exterior sem custo para empreendedores. A ideia é reduzir a curva de aprendizado e evitar que empresas se percam ao tentar entrar em mercados globais.

O desafio é a fuga de talentos: cientistas e engenheiros muitas vezes migram para centros mais maduros em busca de oportunidades. Para reter e escalar empresas e carreiras é necessário infraestrutura, capital e mercado interno forte, além de rotas claras de internacionalização.

Por que a IA é urgente (e o que é IA exatamente)

Inteligência artificial é o conjunto de técnicas que permite a sistemas aprenderem padrões e tomar decisões a partir de dados (machine learning, redes neurais, modelos de linguagem, visão computacional etc.). Para empresas SaaS B2B, IA reduz custo de desenvolvimento, acelera testes e permite funcionalidades antes inviáveis.

A expressão "vale da morte" resume o risco: concorrentes que incorporam IA ao produto ou processo podem deslocar empresas que não se atualizam. A IA pode ser adotada como meio (otimização e automação de processos) ou como fim (produtos centrados em modelos e dados).

ACATE AI First: metas, ações e impacto

O projeto ACATE AI First tem a meta de fazer com que, em cinco anos, pelo menos 10 mil das 34 mil empresas do estado adotem IA como meio ou fim em seus produtos. A estratégia combina ações práticas para acelerar a adoção.

  • Capacitação: cursos de certificação e trilhas de conteúdo para empreendedores e times técnicos;
  • Mentoria: conectar empreendedores com executivos experientes para compartilhar erros e acertos;
  • Comunidade de código aberto: compartilhar práticas e casos de uso para reduzir curva de aprendizado;
  • Parcerias: trazer empresas de ponta para demonstrar aplicações reais e acelerar pilotos.

Para empreendedores, o roteiro prático sugerido é mapear o produto atual, identificar onde IA reduz custo ou melhora resultado, rodar um piloto com KPIs claros e escalar após validação.

IA e emprego: mito e realidade

Ao contrário do temor de que IA reduza vagas, a visão da ACATE é que a tecnologia pode ser multiplicadora de capacidade. O setor local projeta mais de 100 mil vagas nos próximos três anos. A IA tende a automatizar tarefas repetitivas, permitindo que profissionais se dediquem a atividades de maior valor — desde que haja investimento em formação e requalificação.

Políticas públicas, subvenção e tecnologia de base

Walmoli Gerber Jr. ressalta que software exige menos capital inicial, mas hardware e tecnologias de base (processadores quânticos, equipamentos médicos, máquinas agrícolas) dependem de subvenção e políticas públicas robustas. Apoios via agências de fomento são fundamentais para transformar pesquisas em produtos competitivos e exportáveis.

Exemplos mostram que subvenções bem direcionadas podem retornar em impostos e geração de cadeia produtiva ao longo do tempo.

Visão de futuro: quântica, robótica e biotecnologia

Além da IA, tecnologias emergentes como computação quântica, robótica (incluindo humanoides) e biotecnologia devem impactar mercados nos próximos anos. O Brasil forma talento nessas áreas, mas falta investimento para converter pesquisa em produto. Sem isso, há risco de depender de soluções importadas em setores estratégicos.

Computação quântica, por exemplo, explora propriedades da mecânica quântica para resolver certos problemas de forma muito mais eficiente que computadores clássicos, mas ainda exige forte investimento em infraestrutura e pesquisa aplicada.

Inclusão, formação e tecnologia no setor público

A ACATE já gerou mais de 50 mil vagas de qualificação, muitas gratuitas e com bolsas para pessoas em vulnerabilidade social. Há iniciativas desde a escola para identificar talentos com altas habilidades e oferecer formação no contraturno. No setor público de saúde, apesar de soluções locais desenvolvidas por empresas, processos de compra e barreiras regulatórias dificultam a adoção — por isso há também iniciativas de doação e implementação direta em hospitais, quando necessário.

Conclusão

O recado é direto: em ecossistemas de tecnologia, atualização não é luxo — é questão de sobrevivência. Modelos colaborativos, fundos comunitários, parcerias indústria‑startup, formação massiva e políticas públicas orientadas podem transformar risco em vantagem competitiva. Para empreendedores, a recomendação prática é agir agora: auditar produtos, rodar pilotos de IA, buscar mentorias e aproveitar redes como a ACATE.

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Revisão editorial: Bruno Quintela - LinkedIn