Redação Pronta – Gêneros!

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Como prometido, trago hoje mais uma redação pronta. Analisem com cuidado, pois além de ela ser um bom exemplo de texto dissertativo argumentativo, ela trata de questões de gênero, bastante comentadas na atualidade. Foi o tema do vestibular UFRJ 2010: A diferença entre os papéis usualmente considerados masculinos e femininos.

FOGUEIRA BRANDA

No contexto pós-moderno, a suposta inversão dos papéis considerados masculinos e femininos tem sido bastante discutida. Muitos sutiãs foram queimados em praça pública para que mulheres pudessem ter, por exemplo, o direito de votar. Hoje, depois de tantas conquistas indiscutíveis, e passado o frenesi inicial do feminismo do meio do século passado, percebe-se que esse fogo era brando, e se faz necessária uma reflexão mais profunda acerca do tema. Embora seja largamente difundida a imagem da mulher independente, que ocupou os lugares anteriormente considerados masculinos na sociedade, tal representação é frágil e, muitas vezes, equivocada, uma vez que esbarra em heranças culturais e se afirma como características pontuais, e não uma regra geral.

Em primeiro lugar, é preciso compreender o forte dado cultural existente. As sociedades ocidentais ainda são profundamente patriarcais, com valores enraizados e perpetuados há séculos, sendo assim, muito difíceis de modificar. Aos homens ainda competem os papéis de chefes de família, provedores financeiros da casa, seres mais objetivos e racionais, enquanto às mulheres ainda cabem as funções de donas de casa, o cuidado com os filhos, mães sentimentais e pouco providas de força física. É fácil comprovar este fato, pois quando uma mulher atinge certo status financeiro e profissional, isso é largamente noticiado nos meios de comunicação em massa como um feito digno de notícia, e não algo corriqueiro e natural.

É certo analisarmos que o contexto atual pede certa ampliação dos papéis femininos. Como exigência da realidade capitalista e competitiva, hoje elas precisam trabalhar para completar a renda familiar. Ao saírem para o mercado de trabalho, as mulheres percebem que podem ser financeiramente independentes, não precisando mais do homem para sustentá-las, e podem pagar por serviços que, talvez por limitações físicas, não podem fazer, como aqueles que exigem muita força. Além disso, a vida atribulada e multitarefa faz com que elas tenham menos tempo para lidar com questões sentimentais, passando a  impressão de mulheres pós-modernas frias, calculistas e que só pensam em trabalho e dinheiro.

Entretanto, é preciso ter muito cuidado com essa imagem da mulher completamente independente. Tal inversão de papéis é totalmente ilusória. Ainda que mais presentes no mercado de trabalho, as mulheres continuam ocupando cargos inferiores aos homens, e ganhando salários menores mesmo em posições equivalentes. Além disso, é raro ver, hoje, um homem que se sinta confortável nos papéis teoricamente femininos, como cuidar da casa e dos filhos, sem que isso comprometa algum sentimento machista enraizado. Ainda há preconceito circundando a fluidez de papéis, e a idéia da mulher independente pode ser uma tendência, porém ainda constitui a exceção à regra.

Portanto, é preciso ter muito cuidado ao exaltar a igualdade de papéis considerados femininos e masculinos na contemporaneidade. Embora seja certo que muitos julgamentos prévios são pouco embasados e superficiais, não se pode negar que quaisquer identidades sociais vão muito além dos conceitos de macho e fêmea, e dizem respeito à moral e herança culturais de cada sociedade. É certo que, no mercado de trabalho, mulheres e homens merecem ganhar o mesmo se exercem uma mesma função. Entretanto, o frenesi pela igualdade de sexos desconsidera as diferenças incontestáveis determinadas por questões biológicas e que, na verdade, são válidas. Homens e mulheres são diferentes, e é exatamente por isso que eles se completam.

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