Blog DescomplicaInscreva-se
Imagem do artigo

BAT quer 50% da receita vinda da tecnologia até 2035 — startups são a chave

BAT transforma negócios: empresas de tecnologia e investimentos em startups para diversificar receita até 2035.

Atualizado em

BAT quer 50% da receita vinda da tecnologia até 2035 — startups são a chave

Claudia Woods BAT

Contexto

A BAT, companhia centenária conhecida pelo tabaco, está em plena transformação: a liderança hoje fala que "todas as empresas são de tecnologia" e a diferença é só de onde vem a receita. Para provar isso, a empresa lançou o Btomorrow Ventures, um hub de investimentos em startups que já atua globalmente e agora tem presença no Brasil. A meta é clara e ambiciosa: até 2035, pelo menos metade da receita deve vir de produtos não ligados ao cigarro.

Estratégia de investimento

O plano da BAT mistura capital com alavancagem operacional. Em vez de apenas injetar dinheiro, o hub atua como um acelerador que conecta startups à extensa rede de distribuição da companhia, compartilha know-how de produção e logística, e oferece dados e infraestrutura tecnológica. O fundo global tem cerca de US$ 3,5 bilhões — com US$ 1,2 bilhão já alocado — e no Brasil foca principalmente em duas frentes: novas categorias de bens de consumo e tecnologia para o varejo.

  • Bens de consumo: investir em marcas e produtos que criem novas categorias ou reinventem momentos de consumo.
  • Tecnologia para varejo: soluções que tragam previsibilidade para estoque, recomendação por IA, roteirização e automação logística.

A proposta é fazer aportes minoritários que aumentem a velocidade de crescimento das startups, sem aprisioná-las a contratos exclusivos. A vantagem oferecida é prática: acesso rápido a milhares de pontos de venda, testes em escala e apoio para reduzir ciclos operacionais.

Casos práticos

Alguns exemplos ajudam a entender a mecânica do modelo.

  • Mais Mu: marca brasileira de snacks e barrinhas de proteína que recebeu aportes da BAT. Com o suporte da rede de distribuição e otimização operacional da companhia, a Mais Mu ampliou muito seus pontos de venda e melhorou eficiência de produção, reduzindo desperdício.
  • Uello: empresa de roteirização dinâmica e logística que, após investimento e integração, teve valuation acelerado e atração de compradores maiores. A BAT conectou a startup a volumes e operações que dificilmente alcançaria sozinha.
  • Projetos internos e pilotos: marcas e produtos como chocolates com cafeína ou “shots” funcionais mostram que a companhia testa formatos variados para ocupar momentos de consumo diferentes do tabaco.

Esses casos mostram o diferencial do modelo: o capital vem junto com distribuição, dados e execução — combinações que aceleram tração e tornam o crescimento mais previsível.

Desafios regulatórios

Uma limitação importante no Brasil é o ambiente regulatório, especialmente em produtos relacionados ao tabaco e alternativas como vapes, que atualmente são proibidos pela agência reguladora nacional. Esse cenário empurrou parte da demanda para o mercado ilícito e impede que a BAT atue em algumas frentes aqui. Por isso, a empresa foca em categorias permitidas e em tecnologia aplicada ao varejo e à cadeia logística.

Ao mesmo tempo, operar em um setor altamente regulado trouxe para a BAT uma vantagem: experiência em compliance e controles rigorosos, que pode ser transferida para startups que entram em áreas com regras estritas.

Oportunidade para startups

Para empreendedores, a parceria com um CVC como o da BAT oferece vantagens palpáveis:

  • Escala rápida: acesso a milhares de pontos de venda e canais que aceleram a entrada no mercado offline e digital.
  • Know-how operacional: suporte para otimizar produção, reduzir desperdício e melhorar logística.
  • Valuation e saídas: casos mostram valorização rápida e possibilidades reais de aquisição ou expansão internacional.
  • Visão global: investimentos conduzidos com olhar para mercados além do Brasil, quando o produto tem potencial internacional.

Riscos existem: manter autonomia, alinhar roadmaps com outros investidores e operar em nichos regulados são desafios que as startups precisam gerenciar.

Conclusão

A aposta da BAT em transformar expertise de bens de consumo e logística em vantagem competitiva via tecnologia e startups é um case relevante para observar. Se a meta de 50% da receita vinda da tecnologia até 2035 se concretizar, estaremos diante de uma das maiores transições corporativas dos próximos anos — com impacto direto no varejo, agronegócio e nas categorias de consumo rápido.

Quer acompanhar essa jornada e entender o que mudará no mercado e nas carreiras? A Descomplica publica análises e conteúdos práticos que ajudam a decifrar essas transformações. Assine as atualizações para não perder as próximas matérias e insights sobre tecnologia, startups e inovação.

Fonte:Fonte

Newsletter Descomplica