BAT quer 50% da receita vinda da tecnologia até 2035 — startups são a chave

Contexto
A BAT, companhia centenária conhecida pelo tabaco, está em plena transformação: a liderança hoje fala que "todas as empresas são de tecnologia" e a diferença é só de onde vem a receita. Para provar isso, a empresa lançou o Btomorrow Ventures, um hub de investimentos em startups que já atua globalmente e agora tem presença no Brasil. A meta é clara e ambiciosa: até 2035, pelo menos metade da receita deve vir de produtos não ligados ao cigarro.
Estratégia de investimento
O plano da BAT mistura capital com alavancagem operacional. Em vez de apenas injetar dinheiro, o hub atua como um acelerador que conecta startups à extensa rede de distribuição da companhia, compartilha know-how de produção e logística, e oferece dados e infraestrutura tecnológica. O fundo global tem cerca de US$ 3,5 bilhões — com US$ 1,2 bilhão já alocado — e no Brasil foca principalmente em duas frentes: novas categorias de bens de consumo e tecnologia para o varejo.
- Bens de consumo: investir em marcas e produtos que criem novas categorias ou reinventem momentos de consumo.
- Tecnologia para varejo: soluções que tragam previsibilidade para estoque, recomendação por IA, roteirização e automação logística.
A proposta é fazer aportes minoritários que aumentem a velocidade de crescimento das startups, sem aprisioná-las a contratos exclusivos. A vantagem oferecida é prática: acesso rápido a milhares de pontos de venda, testes em escala e apoio para reduzir ciclos operacionais.
Casos práticos
Alguns exemplos ajudam a entender a mecânica do modelo.
- Mais Mu: marca brasileira de snacks e barrinhas de proteína que recebeu aportes da BAT. Com o suporte da rede de distribuição e otimização operacional da companhia, a Mais Mu ampliou muito seus pontos de venda e melhorou eficiência de produção, reduzindo desperdício.
- Uello: empresa de roteirização dinâmica e logística que, após investimento e integração, teve valuation acelerado e atração de compradores maiores. A BAT conectou a startup a volumes e operações que dificilmente alcançaria sozinha.
- Projetos internos e pilotos: marcas e produtos como chocolates com cafeína ou “shots” funcionais mostram que a companhia testa formatos variados para ocupar momentos de consumo diferentes do tabaco.
Esses casos mostram o diferencial do modelo: o capital vem junto com distribuição, dados e execução — combinações que aceleram tração e tornam o crescimento mais previsível.
Desafios regulatórios
Uma limitação importante no Brasil é o ambiente regulatório, especialmente em produtos relacionados ao tabaco e alternativas como vapes, que atualmente são proibidos pela agência reguladora nacional. Esse cenário empurrou parte da demanda para o mercado ilícito e impede que a BAT atue em algumas frentes aqui. Por isso, a empresa foca em categorias permitidas e em tecnologia aplicada ao varejo e à cadeia logística.
Ao mesmo tempo, operar em um setor altamente regulado trouxe para a BAT uma vantagem: experiência em compliance e controles rigorosos, que pode ser transferida para startups que entram em áreas com regras estritas.
Oportunidade para startups
Para empreendedores, a parceria com um CVC como o da BAT oferece vantagens palpáveis:
- Escala rápida: acesso a milhares de pontos de venda e canais que aceleram a entrada no mercado offline e digital.
- Know-how operacional: suporte para otimizar produção, reduzir desperdício e melhorar logística.
- Valuation e saídas: casos mostram valorização rápida e possibilidades reais de aquisição ou expansão internacional.
- Visão global: investimentos conduzidos com olhar para mercados além do Brasil, quando o produto tem potencial internacional.
Riscos existem: manter autonomia, alinhar roadmaps com outros investidores e operar em nichos regulados são desafios que as startups precisam gerenciar.
Conclusão
A aposta da BAT em transformar expertise de bens de consumo e logística em vantagem competitiva via tecnologia e startups é um case relevante para observar. Se a meta de 50% da receita vinda da tecnologia até 2035 se concretizar, estaremos diante de uma das maiores transições corporativas dos próximos anos — com impacto direto no varejo, agronegócio e nas categorias de consumo rápido.
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