TI paga até R$53k — faltam ~200k profissionais. Quer entrar no game?
O mercado de tecnologia brasileiro vive um paradoxo: oferece salários atraentes, mas enfrenta uma escassez relevante de profissionais qualificados. Um estudo do Inteli, em parceria com a consultoria WKS, indica que entre 2019 e 2024 a demanda por profissionais de TI chegou a 665 mil pessoas, enquanto a oferta foi de aproximadamente 464 mil — um déficit de cerca de 30%.
Por que falta gente?
Há três forças principais por trás do problema. A primeira é a concentração geográfica das oportunidades: o Sudeste, e especialmente São Paulo, concentra a maior parte das vagas. A segunda é a baixa maturidade tecnológica de muitas empresas — cerca de 80% das pequenas e médias empresas ainda têm níveis baixos de digitalização. A terceira é a expansão do uso de tecnologia por setores tradicionais (bancos, varejo, saúde, indústria e agronegócio), que aumentou a disputa por talentos.
O que as empresas estão contratando na prática
Embora a inteligência artificial seja apontada como a área mais relevante por 79% dos profissionais consultados, as contratações efetivas mostram que muitas empresas ainda priorizam funções que sustentam a operação e a integração de sistemas. Segundo a pesquisa, as áreas com maior participação nas vagas são:
- Desenvolvimento de Software: 35,7%
- Infraestrutura e Suporte: 23,2%
- Dados e Inteligência Artificial: 17,7%
- Projetos e Gerenciamento: 12,9%
- Testes e Controle de Qualidade: 5,7%
- Segurança da Informação: 2,5%
- Automação de Processos e Sistemas: 2,3%
Juntas, as áreas de Desenvolvimento e Infraestrutura concentram quase seis em cada dez oportunidades. Em muitas empresas, os investimentos ainda estão em etapas de base — migração para nuvem, integração de legados e automação — antes de iniciativas avançadas em IA.
Quais cargos pagam mais
A escassez de profissionais qualificados pressiona salários, especialmente em posições de liderança e especializações técnicas. A pesquisa aponta as maiores faixas salariais observadas:
- Chief Technology Officer (CTO): até R$ 53,6 mil
- Chief Security Officer (CSO): até R$ 52,5 mil
- Chief Information Officer (CIO): até R$ 49,5 mil
- Gerente de Dados: até R$ 37,9 mil
- Gerente de Segurança da Informação: até R$ 37,2 mil
- Gerente de TI Generalista: até R$ 35 mil
- Especialista em IA e Machine Learning: até R$ 32,5 mil
- Gerente de BI: até R$ 29,4 mil
- Gerente de Infraestrutura: até R$ 27,9 mil
- Engenheiro de Inteligência Artificial: até R$ 27,1 mil
Embora os maiores valores estejam frequentemente em cargos de gestão, carreiras técnicas seniores e especialistas em áreas como nuvem, segurança e dados também alcançam remunerações elevadas, especialmente quando o impacto técnico é claro.
Competências que fazem diferença
Alguns diferenciais aparecem de forma consistente em vagas melhor remuneradas. Entre os mais relevantes estão o conhecimento em inteligência artificial, proficiência em inglês e certificações técnicas. Na prática:
- Vagas com salários acima de R$ 10 mil citam IA com o dobro de frequência em relação a vagas mais baixas.
- O inglês é exigido em uma parcela das vagas com remuneração divulgada e cresce em relevância para níveis plenos e seniores.
- Cerca de 48% dos gestores dizem estar dispostos a pagar mais por candidatos com certificações em cloud, segurança, engenharia de dados e IA.
Além das competências técnicas, habilidades comportamentais como comunicação, criatividade, organização, trabalho em equipe e liderança também aparecem entre os itens mais valorizados pelos empregadores.
Portas de entrada para iniciantes
Nem todas as trilhas oferecem a mesma quantidade de vagas para quem está começando. Infraestrutura e Suporte lidera com 43% das oportunidades destinadas a iniciantes, seguida por Automação de Processos e Sistemas (40%) e Testes/Controle de Qualidade (26%). Desenvolvimento reserva uma parcela menor de vagas para iniciantes (22%), enquanto Dados e IA têm cerca de 18% das vagas iniciais.
Começar por infraestrutura ou suporte pode ser uma estratégia eficaz para entender stacks, redes e cloud — conhecimentos que facilitam transições futuras para DevOps, engenharia de dados ou áreas de nuvem.
Como montar uma estratégia para entrar no mercado
Para quem quer aproveitar as oportunidades, uma estratégia prática inclui:
- Escolher uma base: desenvolvimento, infraestrutura ou dados.
- Aprender fundamentos sólidos (programação, redes, sistemas operacionais, bancos de dados).
- Focar em ferramentas amplamente usadas (Git, Docker, cloud providers, SQL e pelo menos uma linguagem como Python ou JavaScript).
- Construir projetos práticos e um portfólio público.
- Buscar certificações e desenvolver inglês técnico.
- Investir continuamente em atualização, especialmente em cloud e IA.
Conclusão
O setor de TI no Brasil combina salários elevados com um déficit significativo de profissionais qualificados. Para quem quer entrar ou avançar na área, a recomendação é clara: construa uma base técnica sólida, escolha um diferencial (como cloud, dados, segurança ou IA), valide conhecimentos com projetos e certificações, e desenvolva habilidades comportamentais e inglês. Com estratégia e prática, é possível aproveitar as janelas de oportunidade que o mercado oferece.
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Revisão editorial: Bruno Quintela - LinkedIn
