Brasil dispara em software e IA — investimentos que vão redefinir a economia digital
Panorama e investimentos
Um estudo da Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes), em parceria com a IDC, mostra que o Brasil está entre as dez economias que mais investem em Tecnologia da Informação (TI). Em 2025, os aportes nacionais somaram US$ 67,8 bilhões, um crescimento de 18,5% em relação ao ano anterior, enquanto os investimentos globais em TI alcançaram US$ 4,2 trilhões.
Na distribuição dos gastos, o Brasil se aproxima da média mundial: cerca de 48% em hardware, 32% em software e 20% em serviços. Esse movimento indica uma transição: menos gasto apenas em equipamentos e mais investimento em plataformas, soluções e serviços que incorporam inteligência e geram maior valor agregado.
Sofisticação dos investimentos
O aumento da participação do software e dos serviços em relação ao hardware é indicador de maturidade digital. Software e serviços permitem automação, análise avançada de dados e modelos de negócio escaláveis que colocam empresas e a economia em patamares superiores de competitividade. Setores como telecomunicações, finanças e indústria lideram os aportes, enquanto comércio e serviços apresentam grande potencial de expansão.
IA saindo do laboratório
A Inteligência Artificial (IA) deixou o campo conceitual e vem sendo aplicada em áreas práticas: visão computacional para controle de qualidade, manutenção preditiva na logística, agentes de IA em redes de telecom e automação industrial. No Mobile World Congress, mais de 70% dos expositores apresentaram soluções que incorporam IA, sinalizando sua presença ampla em produtos e serviços.
Além disso, a IA tem papel central na evolução das redes móveis. Ela ajuda a reduzir a latência, melhora a gestão preditiva dos sistemas e ameniza a falta de especialistas em telecomunicações. Esses ganhos tornam possível implementar aplicações em tempo real com maior confiabilidade.
5G, 6G e computação de borda
O debate sobre monetização do 5G segue ganhando forma, com casos de uso em indústria, agricultura e saúde que justificam investimentos. A computação de borda (edge computing) complementa essa infraestrutura, processando dados mais perto do usuário e reduzindo latência. Juntos, 5G e edge permitem aplicações críticas com resposta em tempo real.
Ao mesmo tempo, os primeiros protótipos de 6G, testados em bandas acima de 100 GHz na Europa, Coreia e China, apontam para uma próxima geração de conectividade com IA integrada. Discussões sobre espectro e infraestrutura indicam que o 6G pode chegar ao mercado por volta de 2030.
Conectividade global e D2D
O conceito Direct-to-Device (D2D), com conexão direta via satélite, projeta uma cobertura praticamente global para celulares e dispositivos IoT. Isso amplia a conectividade em áreas remotas e cria novas oportunidades para setores como agronegócio e logística. Entretanto, o modelo traz desafios regulatórios e de segurança, já que o tráfego via satélite pode escapar das regras tradicionais de jurisdição e proteção de dados.
Soberania digital e segurança
Com o avanço da IA e a concentração de tecnologias nas mãos de grandes corporações, cresce a preocupação com soberania digital. Países e blocos regionais buscam desenvolver soluções locais, investir em segurança cibernética e regulamentar o uso de dados para proteger infraestrutura crítica e garantir autonomia tecnológica.
Promover soberania digital significa também criar capacidades para auditar modelos de IA, criptografar informações sensíveis e formar ecossistemas de fornecedores nacionais alinhados a normas e controles que priorizem a proteção de usuários e empresas.
Computação quântica: potencial e limitações
A computação quântica aparece como tecnologia de alto potencial para simulações complexas e problemas que desafiam a computação clássica, com aplicações em clima, simulações ambientais e biomedicina. No entanto, o Brasil ainda está longe dos grandes centros de pesquisa em computação quântica: muitos talentos migram para o exterior e a infraestrutura especializada permanece concentrada em poucos países.
Mesmo assim, a integração gradual entre computação clássica e quântica, além de parcerias internacionais, pode trazer avanços práticos nos próximos três a cinco anos, especialmente em nichos de alta complexidade.
Perspectivas para 2026
As projeções para 2026 são mais moderadas: estima-se crescimento de 5,3% no Brasil, abaixo dos 9,7% previstos para a média mundial. Fatores como inflação persistente, taxa de juros elevada, incertezas regulatórias e eventos que afetam produtividade influenciam o apetite por investimentos. Ainda assim, a base criada em 2025 — maior participação de software e serviços, expansão de IA e infraestrutura de datacenters — oferece condição para aceleração quando o cenário macroeconômico melhorar.
Conclusão
O Brasil está em rota de maior maturidade digital. O aumento dos investimentos em software, serviços e IA, aliado ao avanço em conectividade e infraestrutura, cria oportunidades para empresas e profissionais. Ao mesmo tempo, soberania digital e segurança serão determinantes para transformar investimentos em resultados concretos.
Quer acompanhar essa evolução com conteúdo prático e atualizado? A Descomplica oferece materiais e análises para ajudar você a entender o mercado e aproveitar as oportunidades da economia digital.
Fonte:Fonte

