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Aula ao Vivo: Métodos de Raciocínio – Dialética

Os professores Rafael Cunha e Eduardo Valladares irão te mostrar tudo o que você precisa saber sobre Métodos de Raciocínio – Dialética para mandar muito bem nos vestibulares e ENEM! 😀

Confira os dias e horários e baixe o material aqui nesse post! 🙂

tumblr_Blog-320x320px_Rafael-e-ValladaresRedação: Métodos de Raciocínio – Dialética
02/06 TERÇA-FEIRA
Turma da Noite: 19:45 às 20:45, com o professor Rafael Cunha
05/06 SEXTA-FEIRA
Turma da Manhã: 9:00 às 10:00, com o professor Eduardo Valladares

Baixe o material de apoio! É só clicar aqui embaixo icon razz Aula ao Vivo: Anabolismo Nuclear e Síntese Proteica

Material de Aula ao Vivo

MATERIAL DE AULA AO VIVO

Método Dialético

1. Apresentação

Ao conceber a chamada lógica tradicional, Aristóteles enunciou um princípio denominado pelo filósofo como “princípio de não-contradição”. Segundo esse princípio, as coisas não poderiam “ser e não ser ao mesmo tempo”. Dito de outro modo, seria considerada uma falha de raciocínio a afirmação e a negação de um mesmo elemento, ao mesmo tempo e sob um mesmo aspecto.

Contudo, a própria evolução da humanidade e de suas várias ciências – sociais e humanas, principalmente -, esse princípio revelou-se demasiadamente simplista ou insuficiente. De fato, foram percebidas diversas ocorrências em que uma mesma “coisa” poderia ser e não ser ao mesmo tempo. Daí a necessidade de se criar um tipo de raciocínio que permitisse combater a lógica aristotélica, permitindo que o mundo seja entendido em toda sua complexidade – com mais de uma posição e/ou interpretação válida para uma determinada realidade. É aí que surge a dialética.

Etimologicamente, a palavra dialética significa “capaz ou apto a falar sobre dualidades”. Para melhor entendimento, devemos conceber o raciocínio dialético como uma forma de estabelecer uma visão complexa e aprofundada de determinados fenômenos passíveis de serem debatidos nas redações. Nesse sentido, a contradição – muito temida à primeira vista – passa a ser um instrumento muito eficiente para se realizar uma verdadeira reflexão sobre o tema.

Assim como ocorre na dedução e na indução, o raciocínio dialético é composto por três afirmações: tese, antítese e síntese. A tese pode ser definida como o posicionamento inicial em relação a determinada questão suscitada pelo tema. A antítese, por sua vez, seria o posicionamento oposto, contrário àquilo que foi apresentado na tese. A associação desses dois elementos iniciais permitiria construir a síntese, uma forma de superar o “impasse” criado pelas duas afirmações. Para facilitar nosso estudo, dividimos a construção da síntese em um texto dissertativo em duas etapas ou fases, a serem estudadas a seguir.

2. Síntese Conciliadora na Redação

Como o próprio nome sugere, a síntese conciliadora é aquela em que a tese e a antítese, embora inicialmente contraditórias, unem-se, complementam-se, são avaliadas de modo a extrair as principais vantagens de cada uma – obviamente, excluindo as desvantagens. À síntese conciliadora corresponderia a tarefa cabal de intermediar a discussão dos extremos, permitindo a construção de um posicionamento intermediário. Um exemplo esquemático pode ser visto no parágrafo abaixo, que versa sobre o desenvolvimento da tecnologia nuclear.

“O maior benefício advindo do domínio da tecnologia nuclear é quase óbvio: trata-se de uma fonte inesgotável de energia, extremamente importante em um mundo cada vez mais dependente do petróleo, um recurso natural finito. Por outro lado, é sabido que, por diversas vezes, essa mesma tecnologia foi utilizada para a construção de armas de destruição em massa – uma ameaça à própria humanidade. Na verdade, pode-se inferir que a discussão não deve residir sobre o desenvolvimento da tecnologia nuclear em si, mas sobre a responsabilidade de cada Estado em sua utilização.”

Tese: A tecnologia nuclear é benéfica se utilizada como fonte alternativa de energia.
Antítese: Por outro lado, pode trazer prejuízos imensuráveis, se utilizada para fins bélicos.
Síntese: Não é o desenvolvimento da tecnologia nuclear que deve ser o objeto da discussão, mas sim o uso que cada país vai fazer dela.

3. Síntese Reafirmadora na Redação

Enquanto a síntese conciliadora revela-se a mais adequada para a construção de um ponto de vista intermediário, um posicionamento mais extremo careceria de representação. É nesse contexto que surge a chamada síntese reafirmadora. A estratégia argumentativa desse tipo de síntese é essencialmente a contra-argumentação. Ou seja, primeiramente, apresentam-se a tese e a antítese; depois, vem a síntese, que visa a derrubar a contradição, mostrando a inadequação da antítese e reafirmando a posição inicial.

Observe o exemplo abaixo, retirado de uma redação que refletia sobre a importância da educação para um país como o Brasil.

“Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que o investimento em educação é fundamental para o nosso país, pois constitui a principal base para o desenvolvimento. Há quem sustente, no entanto, que a “chave” para o sucesso está na escolha de bons administradores como governantes. Os defensores dessa ideia parecem se esquecer de que, por mais capacitada que seja a autoridade governante, o verdadeiro desenvolvimento só ocorrerá com indivíduos realmente qualificados em todos os setores. Esse ideal, somente a educação de qualidade permitiria atingir.”

Tese: Investir em educação é fundamental para desenvolver o país.
Antítese: Não é a educação, mas a escolha de autoridades competentes que torna possível o salto desenvolvimentista.
Síntese: Mesmo que autoridades competentes sejam importantes – e competência advém também de formação adequada -, na prática, uma sociedade só consegue se desenvolver com a qualificação de todos os indivíduos – o que só é possível com boa educação.
Aprofundando

As Falhas de Raciocínio
Resumidamente, em relação ao que dissemos até aqui, poderíamos indicar a forma lógica válida de acordo com o seguinte raciocínio:

Se todo X faz parte de Y
E se Y faz parte de Z
Logo, X faz parte de Z

Parece perfeito, não? Apenas parece. Se fizermos uma análise prática do que foi dito, chegaríamos à seguinte constatação:

Se em todas as partes do dia observamos o sol
E se a noite é uma das partes do dia
Logo, à noite, observamos o sol.

Em termos lógicos, esse argumento é considerado válido, embora a hipótese expressa em uma de suas premissas seja falsa, bem como falsa é a sua conclusão. Esta é uma das categorias de falhas de raciocínio.

Num argumento inválido quanto à lógica, as premissas são inadequadas, para sustentar a conclusão. Esse tipo de argumento é chamado de falácia. Vejamos um exemplo de argumento falacioso:

Todos os gatos perfeitos possuem quatro patas.
Mimi possui quatro patas.
Logo, Mimi é um gato perfeito.

Independentemente de serem verdadeiras as premissas desse argumento, trata-se de um argumento falacioso, pois, da primeira premissa, não é válido concluir que Mimi é um gato perfeito pelo fato de Mimi possuir quatro patas. Em outras palavras, as premissas desse argumento não oferecem justificativas lógicas para validar sua conclusão.

Contextualizando
As falácias construídas de má-fé, com a intenção de enganar, são chamadas de sofismas. Uma interessante questão apareceu no Exame de Qualificação da UERJ há alguns anos, tratando exatamente desse tópico.
Exercícios

1. A partir das propostas de temas abaixo, construa tese e antítese, de modo que seja possível elaborar uma síntese conciliadora:
a) Drogas como a maconha devem ser legalizadas no Brasil?
b) A televisão traz benefícios ou malefícios para a formação das crianças?
c) O aborto deve ser considerado uma prática legal em nosso país?
d) O governo deve manter projetos assistencialistas – como o bolsa-família – para a população de baixa renda?
2. Faça o mesmo com os temas a seguir; agora, entretanto, a síntese construída deverá ser reafirmadora:
a) Pessoas solteiras devem ter a possibilidade de adotar crianças órfãs?
b) O Brasil é um país democrático?
c) O voto deve ser facultativo em um país como o Brasil?
d) A universidade pública deveria passar a cobrar mensalidades dos alunos?

3. A televisão não transmite regularmente cenas de violência, nos telejornais, nos filmes e até nos desenhos animados? Pois então: a nossa sociedade é muito violenta! Como fica demonstrado, a causa da violência é a televisão. Logo, deve-se simplesmente censurar as cenas de violência de todos os programas de televisão.

O argumento apresentado no trecho acima é um sofisma. Podemos caracterizar este sofisma como:
a) círculo vicioso
b) desvio de assunto
c) silogismo não-válido
d) confusão entre causas e efeitos