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A concordância que muda respostas: entenda e não perca pontos

Domine a concordância: identifique adjetivos, artigos e particípios que mudam o sentido e ganhe pontos no ENEM.

por Bruno QuintelaPublicado em

Concordância que altera sentido

A concordância nominal não é só uma regra de gramática: é uma ferramenta de leitura. No ENEM e nos vestibulares, adjetivos, artigos e particípios podem alterar quem é o referente, o tom e até a conclusão de um enunciado — e é aí que muitas questões pegam quem lê rápido demais.

Neste post você terá uma aula prática: o que são as concordâncias, por que aparecem nas questões de interpretação, como identificá-las em textos e como transformar esse conhecimento em pontos na prova. As explicações seguem bases da gramática normativa e da linguística aplicada, com referências como Bechara e Cunha & Cintra, e conectam teoria e prática (INEP/Manual do Participante).

Adjetivos: posição e efeito no sentido

Adjetivo é a classe que qualifica ou caracteriza um substantivo. Além de concordar em gênero e número com o substantivo (regra normativa; ver Bechara), a posição do adjetivo — antes ou depois do substantivo — pode mudar o foco semântico.

Exemplos práticos:

  • “A pobre menina chorou.” (adjetivo antes: tom avaliativo — compaixão)
  • “A menina pobre chorou.” (adjetivo depois: informação socioeconômica)

No ENEM, perguntas que pedem “tom do autor” ou “efeito de sentido” costumam explorar essa diferença. Passos para resolver:

  • Identifique o núcleo do sintagma nominal (substantivo).
  • Veja se o adjetivo é restritivo (identifica) ou explicativo/descritivo (comenta).
  • Leia a frase anterior e posterior para checar coerência (o que o adjetivo enfatiza na progressão textual).

Erros comuns: confundir concordância formal (gênero/número) com função semântica (restringir vs qualificar). Para a parte normativa, consulte Evanildo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa) e, para estudos sobre posição do adjetivo e uso estilístico, Cunha & Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo).

Artigos: definição, indefinição e referência

Artigos (definidos: o, a, os, as; indefinidos: um, uma, uns, umas) definem a referência do substantivo e são essenciais para coesão referencial. Alterar um artigo muda se o leitor entende que o referente é conhecido, único ou genérico.

Compare:

  • “Um estudante entrou na sala. O estudante respondeu à pergunta.” (introdução + retomada: coesão definida)
  • “Um estudante entrou na sala. Um estudante respondeu à pergunta.” (introdução + repetição indefinida: possivelmente outro sujeito)

No ENEM, questões que pedem identificar referentes, anáforas ou relações de coesão usam esse tipo de diferença. Técnica prática:

  • Substitua o substantivo por pronomes ou expressões do tipo “o referido/um outro” para testar continuidade de referência.
  • Verifique se o artigo indica generalização (um) ou especificidade (o). O Manual do Participante do INEP reforça que o ENEM valoriza interpretação sobre regras isoladas, então sempre leia o parágrafo inteiro antes de responder.

Particípios: acordo e funções

O particípio passado pode atuar como parte do núcleo verbal (tempos compostos ou voz passiva) ou como adjetivo. A concordância depende da função:

  • Como parte do predicado verbal com auxiliares perfeitos (ter/haver): o particípio não varia (“As cartas tinham chegado”).
  • Na voz passiva analítica (com ser) ou quando usado como adjetivo: o particípio concorda com o sujeito (“As cartas foram entregues”; “Cartas entregues estavam no arquivo”).

Para não errar em provas:

  • Identifique o auxiliar (ter/haver vs ser/estar) e a voz (ativa/passiva).
  • Se o particípio qualifica o substantivo (posição adjetiva), aplique concordância nominal.
  • Se faz parte de locução verbal com ter/haver, não flexione o particípio.

Evanildo Bechara e Cunha & Cintra apresentam essas distinções de forma detalhada na gramática normativa; domine-as com exercícios que misturem leitura de textos e análise sintática.

Como isso cai no ENEM e por que importa

O ENEM prioriza interpretação textual (INEP). Perguntas sobre ideia central, tom, coesão e sentido frequentemente dependem do tratamento de termos acessórios como adjetivos, artigos e particípios: uma palavra a mais ou a menos pode mudar quem é o agente, o tempo, a generalização ou a ironia. A estratégia vencedora é conectar a gramática (o “como”) com a leitura (o “o que isso faz ao sentido”).

Erros mais comuns e como evitar

  • Identificar o pronome ou adjunto como núcleo do sujeito.
  • Tratar particípio como adjetivo sem verificar o auxiliar.
  • Ignorar efeito da posição do adjetivo na mensagem.
  • Considerar variação linguística como erro automático: lembre-se de Marcos Bagno ao interpretar adequação e não hierarquizar variedades.

Técnicas de estudo (baseadas em Ausubel, Bloom e Vygotsky):

  • Faça resumos curtos relacionando regra → efeito de sentido (Ausubel: aprendizagem significativa).
  • Resolva questões por níveis (Bloom): lembrar, compreender, aplicar, analisar — foque em analisar e aplicar.
  • Estude em duplas ou grupos com feedback (ZPD de Vygotsky) para confrontar leituras diferentes e consolidar interpretação.

Conclusão

Saber identificar quando adjetivos, artigos e particípios alteram o sentido do texto é mais valioso do que decorar regras soltas. Treine com textos reais, faça a leitura do contexto antes de aplicar a norma e use os passos práticos aqui para transformar concordância nominal em vantagem nas provas. Aprofunde esses conceitos em gramáticas de referência (Bechara; Cunha & Cintra) e em listas de provas do INEP para ver como a teoria aparece na prática.

Revisão editorial: José Gomes Jr. LinkedIn