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Brasil domina 38% do mercado de TI na AL — IA manda investir agora

Estudo ABES/IDC: Brasil concentra 38% do mercado de TI e prioriza IA, segurança e nuvem em 2026.

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Brasil domina 38% do mercado de TI na AL — IA manda investir agora

Data center e nuvem no Brasil

Contexto e números

Em 2025 o mercado brasileiro de Tecnologia da Informação movimentou US$ 67,8 bilhões, sendo que software e serviços totalizaram US$ 35,4 bilhões. Esses valores colocam o Brasil como responsável por 38,4% de todos os investimentos em tecnologia na América Latina — praticamente dois em cada cinco dólares aplicados na região. Esse porte consolida o país como principal destino de capital para tecnologia na região e como um dos dez maiores mercados globais em gasto com TI.

O crescimento nas últimas décadas foi impulsionado pela digitalização de serviços financeiros, varejo e órgãos públicos, pelo avanço de provedores de nuvem e por um ecossistema de startups que amadureceu rapidamente. Esses elementos geram demanda por capacidade computacional, soluções de software e profissionais qualificados.

Prioridades de investimento

O levantamento da ABES com dados da IDC mostra que a agenda de 2026 é dominada por Inteligência Artificial Generativa e agentes de IA, apontados como prioridade por 53% dos executivos. Em seguida aparecem segurança da informação e segurança em nuvem (41%), Inteligência Artificial e Machine Learning tradicionais (35%), infraestrutura de nuvem (24%) e Big Data/Analytics (24%).

Na prática, 40% das empresas já afirmam investir em agentes de IA, e mais 33% planejam iniciar projetos nos próximos 12 meses — ou seja, mais de sete em cada dez organizações brasileiras já investem ou pretendem investir em agentes de IA em curto prazo. Esse ritmo indica não apenas interesse acadêmico, mas uma transição para adoções operacionais que exigem integração com processos e métricas claras de retorno.

Desafios para IA

Apesar do otimismo, o estudo identifica gargalos que limitam a escala e o impacto dos projetos de IA. O principal desafio é a qualidade e a governança dos dados: sem dados padronizados, limpos e acessíveis, modelos sofrem vieses, apresentam baixa acurácia e são difíceis de operacionalizar.

Outros obstáculos listados no estudo incluem:

  • Modernização de sistemas legados, que dificulta integração com pipelines modernos;
  • Governança e controle dos projetos, com ausência de processos claros para aprovação, monitoramento e auditoria;
  • Escalabilidade das iniciativas, pois muitos pilotos não se tornam produtos em produção;
  • Falta de profissionais especializados, sobretudo em engenharia de dados, MLOps e cientistas de dados;
  • Necessidade de dados confiáveis para treinamento e operação dos modelos;
  • Questões de cibersegurança e conformidade regulatória, que impõem requisitos adicionais sobre o uso de dados.

Para transformar investimentos em resultados mensuráveis, empresas precisam combinar tecnologia com engenharia de dados robusta, pipelines automatizados, monitoramento e governança documental. Projetos de IA bem-sucedidos aliam competência técnica, mudanças de processo e métricas de impacto (tempo economizado, redução de erros, aumento de receita).

Ecosistema e empresas

O setor de software e serviços no Brasil é bastante pulverizado: o estudo identifica 41.613 empresas atuantes, das quais 62,5% são microempresas, 31,8% pequenas, 3,4% médias e 2,3% grandes — micro e pequenas somam 94,3% do total. Em termos de atividade, empresas de serviços representam 37,6% do total, seguidas por distribuidoras de tecnologia com 33,3% e desenvolvedoras de software com 29,1%.

Esse perfil explica o dinamismo local: há espaço para inovação em empresas enxutas e para especialização em nichos regionais. Ao mesmo tempo, a fragmentação impõe desafios de profissionalização e escala — integrações complexas e grandes contratos costumam ficar concentrados em um número reduzido de players.

Para profissionais e estudantes, o mercado oferece duas oportunidades complementares: atuar em empresas pequenas onde o impacto é imediato — ganhando experiência prática — e buscar especialização técnica e habilidades de gestão para participar de projetos de maior escala.

Distribuição regional e Setores que mais investem

Geograficamente, o Sudeste continua dominante, respondendo por 62,37% dos investimentos, embora sua participação tenha recuado em relação a anos anteriores. Sul, Norte e Nordeste vêm ganhando espaço, indicando uma desconcentração gradual dos recursos e maturação do ecossistema além dos grandes centros.

Por setor, os maiores consumidores de software e serviços em 2025 foram:

  • Finanças: US$ 8,99 bilhões (25,4%);
  • Serviços e Telecomunicações: US$ 8,61 bilhões (24,3%);
  • Indústria: US$ 6,92 bilhões (19,5%).

Esses três segmentos respondem por cerca de 70% dos investimentos. Outros setores como varejo, setor público, óleo e gás e agronegócio também investem, porém em participação menor, o que cria oportunidades segmentadas para fornecedores e profissionais com conhecimento verticalizado.

Perspectivas para 2026

Para 2026 a projeção da IDC aponta crescimento mais seletivo: TI com expansão prevista de 5,3%, telecomunicações em 3,9% e Business IT em 4,6%. A tendência é que as empresas priorizem iniciativas com retorno rápido e produtividade mensurável, mantendo a Inteligência Artificial como o principal vetor de transformação digital.

No curto e médio prazo, a combinação vencedora tende a ser: dedicação à governança de dados, investimento em MLOps e automação, atenção à segurança e conformidade, e construção de métricas claras de ROI. Fornecedores de infraestrutura e serviços podem recuperar relevância ao oferecer soluções gerenciadas que integrem capacidade computacional com ferramentas de operação, monitoramento e compliance.

Conclusão

O Brasil tem escala e um ecossistema robusto para liderar a transformação digital na América Latina: responde por quase 40% dos investimentos regionais e vê a IA como prioridade clara. No entanto, a sustentabilidade desses avanços depende de investimentos complementares em dados, modernização de sistemas, governança e formação de profissionais.

Se você é estudante ou profissional, foque em habilidades práticas: engenharia de dados, cloud, automação, MLOps e segurança. Para líderes e tomadores de decisão, o conselho é equilibrar experimentação com iniciativas de curto prazo que tragam produtividade mensurável.

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Fonte:Fonte

Revisão editorial: Bruno Quintela - LinkedIn

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