Fake news: significado, conceito e exemplos

Fake News
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Nos últimos anos, o termo fake news ganhou muita atenção e esteve associado a diversas questões, como política, economia, migração, guerras. Em uma tradução literal, essas notícias falsas, e eventualmente sensacionalistas, passaram a preocupar o mundo.

Nesse texto, vamos entender exatamente o que são essas fake news, a origem do termo, como elas se espalham, os tipos existentes e como combatê-las.

Fake News - o que é?

O termo Fake News, em uma tradução literal, seria notícias falsas. Quando pensamos em uma notícia, é necessário ter em mente que é alguém contando uma história. Naturalmente, aquilo já passa pela visão e interpretação de alguém sobre algum dado ou informação. Porém, muito além disso, essa pessoa pode fabricar esses dados ou inventar informações, e é aí que podemos definir melhor uma fake news.

Generalizando, podemos dizer que fake news é como se fosse contar uma mentira com algum objetivo, nada mais que uma calúnia, um boato ou uma difamação. Então, isso significa que a fake news é muito mais antiga do que estou pensando? Exatamente!

Alguns historiadores, como Robert Darnton, comentam que esse hábito de espalhar notícias falsas já existia há muito tempo. Ele consegue até identificar um caso no século VI. Procópio de Cesárea era o historiador do Império Bizantino. Foi responsável por escrever alguns textos sobre a história do imperador Justiniano. Esses textos omitiam alguns escândalos do governo e amenizava inúmeras crises. Começava aí uma fake news que só foi descoberta após a morte de Procópio.

Origem do termo

Sendo essa prática tão comum na história, é um pouco difícil delimitar um período histórico exato para a utilização desse termo. Entretanto, nos últimos anos, a discussão sobre fake news tem ganhado força, principalmente associada ao conceito de pós-verdade (post-truth).

Pós-verdade é um substantivo usado pela primeira vez pelo dramaturgo sérvio-americano Steve Tesich, em 1992. Foi empregado para se referir a uma “circunstância na qual fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e às crenças pessoais”. Isso significa que você está mais suscetível a acreditar na história que seu familiar, amigo ou ídolo está contando do que aquela que estaria em um grande veículo de informação.

Como funcionam as fake news?

Resumindo, fakes news existe há muito tempo e é uma prática comum que tem ganhado força na atualidade, relacionada ao conceito de pós-verdade. Isso ocorre pois vivemos em uma sociedade em que a informação é uma das coisas mais importantes. O que se relaciona diretamente com o processo de globalização. Atualmente, a internet e suas ferramentas possibilitaram uma maior liberdade de comunicação.

Assim, a disseminação de notícias deixou de ser algo centralizado nos grandes portais de comunicação e passou a existir a partir de uma mensagem no WhatsApp, do textão no Facebook, da thread no Twitter. É o que o historiador Leandro Karnal comentou sobre uma “seleção afetiva de identidade”. Você tende a acreditar mais naquilo que seu amigo compartilhou do que em um grande portal de notícia com credibilidade.

Aliadas às redes sociais, as notícias falsas e a pós-verdade ganham uma dimensão extra devido a outro fenômeno, denominado bolhas virtuais. A tendência é que você siga pessoas com as quais tenha afinidade, que sejam parecidas com você em algum nível. Quando a notícia passa a ser compartilhada por todo mundo daquele círculo, você entende como verdade, formando sua própria bolha. Ter uma visão externa, uma opinião contrária passa a ser incomum ou taxada como absurdo, mesmo que existam dados que ajudem a comprovar essa visão oposta.

Uma dica maravilhosa é assistir ao Dose de Atualidades sobre Fake News. Assista clicando na imagem abaixo!

Dose de Atualidades sobre Fake News

Como se espalham as fake news?

Já entendi tudo sobre fake news e pós-verdade! Então... Infelizmente, não para por aí. É preciso adicionar o uso de algoritmos nesse rebuliço. As redes sociais, para determinar o que deve ser exibido como propaganda ou sugestões de amigos e páginas, usam fórmulas e regras matemáticas. Com isso, a partir do que você curte, segue, compartilha, as empresas possuem um inventário de dados sobre você. A partir dessa análise, é possível indicar, com mais possibilidade de acerto, uma página, um amigo, um produto.

O caso Cambridge Analytica

Agora, você já imaginou usar esse grande inventário para compartilhar determinadas notícias falsas? Foi o que a Cambridge Analytica fez nos Estados Unidos e no Reino Unido durante as eleições de Donald Trump e a aprovação do Brexit. A partir do inventário de dados de cada usuário, compartilhavam-se notícias falsas específicas. Se aquele perfil demonstrava uma preocupação com a economia, a empresa pagava para exibir publicações falsas sobre a taxa de desemprego nos Estados Unidos, ou compartilhava informações de que o Reino Unido perdia milhões de dólares por semana enquanto se mantinha na União Europeia. Se a preocupação era sobre segurança nacional, a empresa comprava anúncios com notícias falsas de que a candidata Hillary Clinton tinha alguma responsabilidade pela criação do Estado Islâmico.

Os robôs e bots

Aqui, existe uma pequena confusão. Eles são muito usados de forma produtiva. Sabe aquele atendimento automático que temos por telefone ou aquelas dúvidas que são respondidas rapidamente em um chat de alguma empresa? É basicamente o trabalho de bot ou chat robô. Porém, no mundo e no Brasil, esses bots têm sido usados para espalharem notícias falsas sobre um candidato, sobre uma lei, sobre uma pessoa. O aplicativo de troca de mensagens WhatsApp baniu pelo menos 1,5 milhão de contas de usuários brasileiros, em outubro de 2018, segundo notícia da Uol., por suspeita de disseminação de fake news.

Exemplos e Consequências das fake news

Ao longo do texto, já divulgamos alguns casos de fake news, mas vamos citar outros para ter bastante referência para uma redação, por exemplo. Esta reportagem da BBC cita três casos de fake news que geraram guerras e conflitos ao redor do mundo.

O primeiro foi de um menino crucificado na Ucrânia. Essa notícia foi usada como uma propaganda, ajudando a justificar a intervenção russa na Crimeia, que anexou esse território em 2014, que até então era da Ucrânia.

Um segundo caso foi sobre a Guerra do Golfo, no qual usaram a filha do embaixador do Kuwait nos Estados Unidos para fazer um depoimento falso sobre as atrocidades do governo iraniano de Saddam Hussein e convencer a opinião pública americana a participar da guerra.

E o terceiro caso foi a utilização de fotos falsas na crise humanitária envolvendo os rohingyas (mulçumanos). Essa minoria mulçumana não é considerada cidadã de Mianmar e é perseguida pelo governo local e por budistas, migrando forçadamente para Bangladesh. As fotos, que são relacionadas até a conflitos em outro continente, são usadas para acusar os rohingyas de serem violentos.

Mas esses são alguns exemplos recentes. Até a descoberta do Brasil é repleta de notícias falsas, como a de que Pedro Álvares Cabral e suas embarcações teriam sido os primeiros europeus a chegarem em solo brasileiro, mesmo, anos antes, o navegador português Duarte Pacheco ter alcançado o litoral brasileiro, próximo aos estados do Amazonas e Maranhão.

Tipos de Fake News

Já vimos que a questão sobre fake news é muito mais complicada que nossos familiares compartilhando corrente no WhatsApp. Nesse sentido, a jornalista Claire Wardle conseguiu agrupar e dividir as fakes news em sete categorias.

  • Sátira ou paródia: não possui intenção de causar mal, mas tem potencial de enganar;
  • Falsa conexão: quando imagens, títulos e legendas dão falsas dicas do que realmente é o conteúdo;
  • Conteúdo enganoso: utilização enganosa de uma informação contra um assunto ou uma pessoa;
  • Falso contexto: conteúdo original compartilhado em um contexto falso;
  • Conteúdo impostor: quando afirmações falsas são atribuídas a fontes reais, geralmente pessoas;
  • Conteúdo manipulado: informação verdadeira manipulada para enganar;
  • Conteúdo fabricado: conteúdo completamente falso com o objetivo de gerar desinformação e causar algum mal.

Será que você consegue associar esses sete tipos de fake news aos exemplos que vimos no texto?

Como combater?

E aí, como combater algo tão complexo? Essa resposta também não é fácil.

Um primeiro ponto é começar a buscar fontes de notícias com maior credibilidade. E isso passa geralmente por grandes portais de notícias, embora outros portais menores também estejam construindo um excelente jornalismo e possuam grande credibilidade. Aqui, esbarra-se em uma outra discussão, de que esses portais estão defendendo alguém, participam de alguma conspiração... Todo texto carrega uma subjetividade. Para isso, é necessário entender que todos esses portais de notícias possuem uma linha editorial, um pensamento econômico. E isso não faz deles menos confiáveis. A dica é, sempre que ler o conteúdo, leia suas entrelinhas, além de procurar diversas fontes.

Generalizando, existe também aquele portal que vai te dar o furo de notícia e outro que vai fazer uma análise completa do conteúdo. Se foi noticiado algum furo, aguarde uma análise mais completa para não sair espalhando fake news. E, por fim, confira sempre as agências de verificação. Alguns grandes jornais já incorporaram isso. Mas existem agências especializadas em checar fatos, como a Agência Lupa e o portal Aos Fatos. Esses são excelentes mecanismos para verificar as notícias, garantindo uma maior credibilidade ao conteúdo que você lê.

E que tal terminar esse texto com algumas dicas de como utilizar esse conteúdo na sua redação? Então, se liga no vídeo abaixo:

Redação nota 1000

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