Redação Exemplar

Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil

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Redação Exemplar: Invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil

O filme “Que horas ela volta?”, protagonizado por Regina Casé, retrata a história de Val,
empregada doméstica que se muda para São Paulo, a fim de dar melhores condições de vida para
sua filha. A personagem deixa a menina no interior de Pernambuco para ser babá de outra criança,
morando integralmente na casa de seus patrões. Essa questão, embora ficcional, retrata a
dificuldade de diversas mulheres na sociedade brasileira, as quais precisam trabalhar e ainda cuidar
de suas famílias. Dessa forma, nota-se que a invisibilidade do trabalho de cuidado realizado por elas
é um enfrentamento desafiador na sociedade brasileira.

Diante desse cenário, cabe destacar o acúmulo de funções que a mulher brasileira exerce na
sociedade. De acordo com dados divulgados pelo IBGE, os homens exercem menos horas de
afazeres domésticos do que as figuras femininas. Consequentemente, muitas ainda realizam
atividades assalariadas, configurando-se uma sobrecarga de funções. Isso pode gerar problemas
psicológicos, por exemplo a Síndrome de Burnout, o que o sociólogo sul-coreano Byung-Chul Han
denomina como um produto da atual “sociedade do cansaço”, devido ao excesso de cobrança que
o corpo social impõe principalmente às mulheres. Nesse sentido, nota-se como esse serviço
invisível impacta negativamente na saúde dessas pessoas.

Além disso, outro fator que corrobora esse cenário de invisibilidade ocorre com as mulheres
que enfrentam a maternidade sozinha. Uma pesquisa divulgada pelo programa “Profissão Repórter”
informou que 14 milhões de famílias são chefiadas por “mães solo”, as quais cuidam de seus filhos
sem ter outra pessoa para dividir as responsabilidades. Esse cenário é ainda pior em que as chefes
de família são negras, devido ao fato de o Brasil ser um país em que muitas dessas pessoas vivem
em um cenário de desigualdade racial, conforme ilustrado por Chico César na canção “Mama
África”, que retrata a vida de uma mãe, negra e que trabalha exaustivamente tanto dentro quanto
fora de casa para sustentar sozinha sua família. Assim, percebe-se a sobrecarga vivenciada por
mães solteiras na realidade nacional.

Fica evidente, portanto, que há inúmeros desafios enfrentados pelo trabalho invisível de
cuidado realizado pelas figuras femininas no Brasil. É necessário que o Ministério da Saúde – órgão
responsável pela saúde pública brasileira – realize ações voltadas para o bem-estar da mulher. Isso
pode ser feito em ocasiões sazonais como no Outubro Rosa e atuação nos momentos em que elas
forem às unidades hospitalares a fim de que diminuam os problemas psicossociais delas. Ademais,
deve existir uma lei que garanta direitos para as mães solo de modo que consigam lidar de modo
menos invisibilizado com a solidão da maternidade. Assim, será possível reconhecer a importância
do trabalho realizado pelas “Vals” do país.