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Publicidade infantil em questão no Brasil

Análise da proposta de redação do ano de 2014.

O tema de 2015 levanta uma discussão que ficou muitos meses em pauta nas diferentes camadas do governo brasileiro: a regulação da propaganda destinada a crianças no Brasil. Diante disso, o ENEM questiona os caminhos tomados nesse debate e as diferentes formas de entendimento dessa publicidade, no Brasil e no mundo.

Análise das Referências

Texto I

A aprovação, em abril de 2014, de uma resolução que considera abusiva a publicidade infantil, emitida pelo Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), deu início a um verdadeiro cabo de guerra envolvendo ONGs de defesa dos direitos das crianças e setores interessados na continuidade das propagandas dirigidas a esse público. Elogiada por pais, ativistas e entidades, a resolução estabelece como abusiva toda propaganda dirigida à criança que tem “a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço” e que utilize aspectos como desenhos animados, bonecos, linguagem infantil, trilhas sonoras com temas infantis, oferta de prêmios, brindes ou artigos colecionáveis que tenham apelo às crianças. Ainda há dúvidas, porém, sobre como será a aplicação prática da resolução. E associações de anunciantes, emissoras, revistas e de empresas de licenciamento e fabricantes de produtos infantis criticam a medida e dizem não reconhecer a legitimidade constitucional do Conanda para legislar sobre publicidade e para impor a resolução tanto às famílias quanto ao mercado publicitário. Além disso, defendem que a autorregulamentação pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) já seria uma forma de controlar e evitar abusos.

IDOETA, P. A.; BARBA, M. D. A publicidade infantil deve ser proibida? Disponível em: www.bbc.co.uk. Acesso em: 23 maio 2014 (adaptado).

O texto 1 apresenta a atualidade do tema. Mostra, em primeiro lugar, a discussão sobre a publicidade infantil, por meio de resolução do Conanda, que considera abusiva qualquer propaganda destinada às crianças. Logo depois, fala das opiniões favoráveis e contrárias com relação ao assunto, dando ao aluno informações sobre o tema, para que defina, na tese, o seu ponto de vista. Na verdade, o texto 1 serve, basicamente, como uma maneira de apresentar o tema ao aluno – àquele que, principalmente, não tem muitas informações sobre a discussão.

Texto II

O texto 2 apresenta a forma como os diferentes países no mundo discutem e regulam a publicidade. Apesar de o tema especificar a questão brasileira, conhecer a maneira de se tratar o assunto nos outros lugares pode ser um passo para a comparação de ideias e, principalmente, formulação de propostas – aproveitando as medidas dos estrangeiros, por exemplo.

Texto III

Precisamos preparar a criança, desde pequena, para receber as informações do mundo exterior, para compreender o que está por trás da divulgação de produtos. Só assim ela se tornará o consumidor do futuro, aquele capaz de saber o que, como e por que comprar, ciente de suas reais necessidades e consciente de suas responsabilidades consigo mesma e com o mundo.

SILVA, A. M. D.; VASCONCELOS, L. R. A criança e o marketing: informações essenciais para proteger as crianças dos apelos do marketing infantil. São Paulo: Summus, 2012 (adaptado).

O texto 3 fala de senso crítico. Discute a importância de a criança ter noção do que compra, quando compra e por que compra, levando em consideração as suas necessidades e desejos. Remete a discussão, então, ao poder apelativo das propagandas, que, com personagens, cores e discursos – presentes no mapa do texto 2 -, estimulam o consumo por meio da persuasão.

Análise Geral

É importante perceber duas coisas:

1. O tema fala de Brasil. Consequentemente, é muito importante que o aluno não deixe de falar da proposta de regulação – e proibição – brasileira e suas problemáticas. A relação com outros países – mostrada, inclusive, no texto 2 – deve ser levada em consideração apenas para efeito de comparação. Os problemas, causas, consequências e propostas precisam ter relação com o Brasil.

2. A proposta discute a publicidade direcionada às crianças. Isso significa que, se o aluno produz um texto sobre a publicidade usando crianças, sua redação será zerada por fuga ao tema. Consequentemente, é importante que o candidato trabalhe as propagandas que, de alguma forma, têm o objetivo de estimular o consumo nos primeiros anos de vida.

Sugestão de Teses

Há uma sugestão clara de tese, aqui. Levando em consideração a discussão sobre a publicidade infantil, o ideal é que se fale sobre os perigos desse tipo de propaganda. Entretanto, isso não impede o aluno de falar da construção de senso crítico que pode ser feita por meio desse gênero textual. Portanto, uma organização ideal dos parágrafos seria:

Tese: A publicidade infantil é nociva ao indivíduo (atenção: é não abre espaço para ressalvas; é categórico);

D1: Pode-se falar, por exemplo, sobre o que torna a propaganda perigosa – sobre o seu poder de influência -, por meio de causas;

D2: Pode-se apresentar as consequências disso – como o consumo exagerado.

 

Uma segunda discussão, um pouco mais ousada, seria:

Tese: A publicidade infantil pode ser nociva ao indivíduo (atenção: pode ser abre espaço para ressalvas, como a sugerida acima);

D1: Pode-se falar sobre os perigos da publicidade infantil – e a sua perversidade;

D2: Pode-se mostrar, porém, que há consequências boas nesse trabalho.

Conclusão

É necessário, então, que o aluno defina bem o seu ponto de vista e saiba desenvolvê-lo, por causas e consequências ou por meio de ressalvas, argumentando bem, nos parágrafos centrais, e levando referências que façam o corretor entender se o ponto de vista é favorável ou contrário à publicidade infantil.

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