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O indivíduo frente à ética nacional

Análise da proposta de redação do ano de 2009.

O tema do ENEM de 2009 discute um assunto sempre atual: ética. Trabalha, porém, algo além disso: o posicionamento do indivíduo diante desse assunto. Deve-se, então, levar em consideração conceitos como o do “jeitinho brasileiro”, a cordialidade e, principalmente, a ideia de corrupção, endêmica no país.

Análise das Referências

Texto I

A charge de Millôr Fernandes explica bem o texto 1, uma vez que mergulha o homem – ainda que de forma exagerada – em um mundo de pouquíssima honestidade. Assim, cabe discutir se, hoje, a desonestidade já é intrínseca à vida da população ou se ainda há esperança na construção de um Brasil totalmente ético.

Texto II

Andamos demais acomodados, todo mundo reclamando em voz baixa como se fosse errado indignar-se.

Sem ufanismo, porque dele estou cansada, sem dizer que este é um país rico, de gente boa e cordata, com natureza (a que sobrou) belíssima e generosa, sem fantasiar nem botar óculos cor-de-rosa, que o momento não permite, eu me pergunto o que anda acontecendo com a gente.

Tenho medo disso que nos tornamos ou em que estamos nos transformando, achando bonita a ignorância eloqüente, engraçado o cinismo bem-vestido, interessante o banditismo arrojado, normal o abismo em cuja beira nos equilibramos — não malabaristas, mas palhaços.

LUFT, L. Ponto de vista. Veja. Ed. 1988, 27 dez. 2006 (adaptado).

O texto de Lya Luft fala de acomodação e banalização. De certa maneira, o indivíduo brasileiro parece ter se acomodado com relação às questões que vive – principalmente com relação à corrupção, já habitual no país. Consequentemente, cabe discutir, no texto, a inércia da sociedade, quando o assunto é resolver os problemas que já parecem muito mais culturais do que esporádicos.

Texto III

Qual é o efeito em nós do “eles são todos corruptos”?

As denúncias que assolam nosso cotidiano podem dar lugar a uma vontade de transformar o mundo só se nossa indignação não afetar o mundo inteiro. “Eles são TODOS corruptos” é um pensamento que serve apenas para “corfirmar” a “integridade” de quem se indigna.

O lugar-comum sobre a corrupção generalizada não é uma armadilha para os corruptos: eles continuam iguais e livres, enquanto, fechados em casa, festejamos nossa esplendorosa retidão.

O dito lugar-comum é uma armadilha que amarra e imobiliza os mesmos que denunciam a imperfeição do mundo inteiro.

CALLIGARIS, C. A armadilha da corrupção. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br (adaptado)

O texto de Contardo Calligaris faz referência direta à ideia de pequenas corrupções – que têm relações fortes com o chamado “jeitinho brasileiro”. Convida, também, o leitor a refletir sobre o quanto as críticas às ações do outro envolvem, basicamente, a negligência das próprias ações de quem critica.

Análise Geral

O tema de 2009 faz referência ao conceito de ética e, consequentemente, às opiniões e valores do próprio indivíduo com relação ao próximo. Há total relação com as teorias de Noam Chomsky, filósofo norte-americano que, baseado em um princípio de universalidade, acredita que o homem precisa aplicar a mesma avaliação às ações do outro e às suas, de forma que o julgamento – e até a punição – seja o mesmo, diante de qualquer ato considerado antiético.

Sugestão de Teses

Há, aqui, dois caminhos interessantes:

1. Pode-se discutir, como tese, o fato de o indivíduo estar inerte frente aos casos de corrupção, o que o coloca distante do conceito de ética e suas aplicações. Não se importa, então, com as atitudes antiéticas – seja por estar acomodado, diante de tantos problemas frequentes, seja por apenas negar esses problemas.

2. Pode-se discutir, como tese, o fato de o indivíduo estar atento à antiética na política, por exemplo, apesar de ignorar suas próprias ações. Isso dá espaço para uma discussão sobre as pequenas corrupções, no dia a dia, que dão origem, inclusive, aos maiores casos, percebidos na política nacional.

Conclusão

Há, então, uma discussão sobre ética, ações individuais, com relação ao ambiente nacional, ações no coletivo. É importante que o aluno crie essa ligação. É essencial, também, que trabalhe o conceito de ética e faça referências aos diferentes casos de corrupção, famosos na história do Brasil, mostrando certo conhecimento de mundo adquirido ao longo da formação de Ensino Médio.

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