Conclusão com repertório
A conclusão é o momento decisivo da sua redação: é onde você retoma a tese, apresenta a proposta de intervenção e demonstra domínio do repertório sociocultural sem parecer decorado. Neste post você verá como transformar referências (Constituição, autores, dados) em argumentos de fechamento que somam pontos nas competências C2, C3 e C5 do ENEM sem cair em chavões.
Por que repertório importa na conclusão
O Manual do Participante do ENEM lembra que a competência 2 exige compreensão da proposta e uso de repertório sociocultural pertinente, e a competência 5 exige uma proposta de intervenção que respeite os Direitos Humanos (INEP, Manual do Participante). Usar repertório na conclusão é mais do que citar nomes: é conectar uma referência a um agente, uma ação e um meio que resolvem o problema apontado na redação.
Citar a Constituição Federal de 1988 ou a Declaração Universal dos Direitos Humanos funciona quando essas fontes são instrumento do argumento — por exemplo, para justificar a responsabilidade do Estado em garantir direitos (Constituição Federal de 1988; Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1948). Referências sem encaixe lógico soam decorativas e não pontuam (e podem até indicar fuga ao tema).
Como transformar repertório em proposta coerente
- Identifique a tese que você vai retomar em uma frase clara.
- Escolha 1 repertório sociocultural relevante e explicite por que ele importa para a tese (autor, norma, dado).
- Converta essa referência em fundamento para a intervenção: quem age (agente), o que faz (ação), como faz (meio), para quê (finalidade) e um detalhe que mostre concretude.
Exemplo de mapeamento (esqueleto):
- Tese: o acesso desigual à internet amplia desigualdades educacionais.
- Repertório: Constituição Federal de 1988 — princípio da igualdade de acesso à educação.
- Proposta: Estado (agente) amplia programas de conectividade escolar (ação) via parcerias com rede pública e subsídios (meio) para reduzir a desigualdade digital (finalidade), detalhando cronograma regional e indicadores de avaliação (detalhamento).
Repare: o repertório (Constituição) não aparece isolado — ele legitima o agente e a ação. Isso mostra coerência entre C2 e C5.
Exemplo prático (passo a passo)
1) Retome a tese em 1 frase curta (não repita literalmente a introdução).2) Introduza o repertório com uma explicação breve: por que essa referência é pertinente.3) Apresente a intervenção nos 5 elementos exigidos pelo ENEM (agente, ação, meio, finalidade, detalhamento).4) Feche com uma frase que conecte a intervenção à tese (consequência esperada).
Modelo de fechamento (como exemplo, adapte sempre ao tema):
- Retomada da tese + justificativa com repertório: “Retomar a igualdade educacional requer políticas públicas que garantam acesso tecnológico, conforme o princípio constitucional de igualdade previsto na Constituição Federal de 1988.”
- Proposta: “Propõe-se que o poder público implemente um plano nacional de conectividade para escolas públicas (agente e ação), por meio de parcerias com operadoras e fundos federais (meio), com metas regionais e indicadores de impacto em dois anos (finalidade e detalhamento).”
Nota: o trecho acima é modelo de estrutura — adapte vocabulário e especificidade ao tema. Evite copiar trechos prontos — examinadores valorizam autoria e pertinência.
Erros que custam pontos (e como evitá-los)
- Citar repertório irrelevante: não traga Bourdieu ou um dado histórico se não ajudam a defender a interveção.
- Proposta vaga: “mais educação” ou “campanhas” sem explicar quem faz e como levam a lugar nenhum — isso zera C5.
- Violação de Direitos Humanos: qualquer proposta que fira direitos (por exemplo, medidas discriminatórias) reduz a nota da competência 5.
- Cópia do texto motivador ou fuga ao tema: mantenha foco no recorte escolhido.
Lembre-se: o INEP exige proposta que respeite Direitos Humanos e seja factível (Manual do Participante — INEP).
Técnicas práticas para treinar essa habilidade
- Micro-redações de conclusão: pegue temas anteriores e escreva só a conclusão em 10 minutos, integrando um repertório e a intervenção.
- Fichas de repertório: crie fichas com 1-2 linhas que expliquem o sentido de cada autor/lei/dado e quando usar.
- Simulados com foco em C5: peça feedback específico sobre viabilidade e detalhamento da intervenção.
- Revisão ativa (princípios de aprendizagem de Ausubel): associe novas referências a esquemas que já conhece para facilitar recuperação na prova.
Checklist rápido na hora da prova
- Minha tese está retomada em uma frase?
- Usei apenas 1 repertório na conclusão e ele é pertinente?
- A proposta tem agente, ação, meio, finalidade e detalhamento?
- A intervenção respeita Direitos Humanos (Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1948)?
- Evitei frases de efeito e marcas de oralidade?
Fechar a redação com repertório é combinar pertinência e ação: a referência legitima a solução, e a solução prova que você domina a estrutura exigida pelo ENEM (C2 + C5). Treine com micro-redações, mantenha um conjunto enxuto de repertórios bem explicados e foque na concretude da intervenção. Esse é o caminho para uma conclusão autoral, coerente e sem clichês.
Revisão editorial: José Gomes Jr. LinkedIn

