Desvende o referente
Identificar corretamente o referente de palavras de repetição é uma habilidade que rende pontos no ENEM e em vestibulares. Aqui você vai entender o que é referente, por que esse assunto aparece nas provas e, principalmente, como achar quem é o it, this, they e outras palavras que “apontam” para algo no texto.
O que são referentes?
Referente é a pessoa, objeto, ideia ou situação a que uma palavra se refere no texto. Em inglês, essa relação é um dos mecanismos de coesão: o texto fica conectado porque um item retoma outro já citado, ou anuncia algo que ainda vai aparecer. Palavras de repetição podem ser pronomes (it, they, he, she), demonstrativos (this, that, these, those) e até expressões equivalentes, como the problem ou such a situation.
Veja um exemplo simples: “She bought a bike. She loved it.” Em português: “Ela comprou uma bicicleta. Ela adorou isso / adorou a bicicleta.” Aqui, it retoma a bike. Segundo o Cambridge Dictionary, reference é justamente a relação entre uma palavra e aquilo a que ela se refere; isso ajuda a entender por que o pronome não pode ser lido sozinho, fora do contexto.
Como achar o referente na prática
O melhor caminho é pensar como leitor de prova, não como tradutor automático. Em vez de olhar só para a palavra isolada, faça uma leitura em camadas. Primeiro, localize o pronome ou a expressão de repetição. Depois, volte uma ou duas frases e procure candidatos compatíveis em número, sentido e função. Se ainda houver dúvida, leia a frase seguinte também. Esse procedimento é importante porque o referente pode estar antes, em um caso de anáfora, ou depois, em um caso de catáfora.
- “John spilled the coffee. It stained his shirt.” → It = the coffee. Em português: “John derramou o café. Ele manchou a camisa dele.”
- “The students complained, and the teacher listened to them.” → them = the students. Em português: “Os estudantes reclamaram, e a professora escutou eles.”
- “When he arrived, John felt tired.” → he = John. Em português: “Quando ele chegou, John se sentiu cansado.”
Repare que, no último exemplo, o pronome aparece antes do nome. Isso é catáfora. Muita gente tenta resolver textos em inglês usando tradução literal, mas o ENEM cobra interpretação de contexto. Então, se você vê it, he, she ou they, a pergunta certa não é “como eu traduzo isso?”, e sim “a quem ou a que isso está se referindo?”.
Por que isso cai no ENEM?
O ENEM avalia interpretação e coesão textual, não gramática isolada. No Manual do Participante, o INEP reforça que a prova de Linguagens valoriza habilidades de leitura, análise de sentido e identificação de relações entre partes do texto. Isso conversa diretamente com as habilidades H5 a H8, que envolvem compreender informações explícitas e implícitas, reconhecer relações semânticas e construir sentido global.
Na prática, o referente aparece em questões que pedem a função de uma palavra no texto, a retomada de uma informação anterior, a relação entre ideias ou a consequência de uma ação. Se você identifica o referente com rapidez, ganha tempo e evita erro por pressa. Além disso, esse tipo de leitura também ajuda em vestibulares que cobram gramática formal, como alguns exames estaduais.
Inglês e português não funcionam igual
Uma das maiores armadilhas para brasileiros é achar que as duas línguas resolvem referência da mesma forma. Em inglês, o sujeito costuma aparecer de modo explícito: “It was raining.” Em português, é comum dizer simplesmente “Chovia.” sem sujeito expresso. Isso faz o aluno procurar um referente onde, às vezes, o texto em português nem precisaria de um pronome equivalente.
Outra diferença importante é que o inglês depende bastante de pronomes e repetições substitutivas para manter a coesão. Já o português aceita mais repetições nominais. Por isso, um texto em inglês pode parecer “cheio de it”, mas isso não é excesso: é a forma natural de organizar a informação.
Erros comuns que derrubam a interpretação
Erro 1: achar que o referente é sempre o último substantivo. Nem sempre. Em “He read the story and it was long.”, o it pode retomar the story, mas você ainda precisa checar se a frase faz sentido no contexto maior. Às vezes, o pronome retoma uma ação, uma ideia ou uma situação, e não um objeto físico.
Erro 2: ignorar a frase seguinte. Em “When he arrived, John opened the door.”, o pronome antecipa o nome. Se você parar só na primeira metade, pode se confundir. Ler o período inteiro evita esse tipo de erro.
Erro 3: fazer tradução literal. Se você vê “Maria told Ana that she was tired.”, não dá para escolher de imediato quem é she. Pode ser Maria ou Ana. Nesse tipo de caso, procure pistas no contexto. Se o texto permitir, a ambiguidade mostra que a relação é menos sobre tradução e mais sobre sentido.
Passo a passo para estudar
Para fixar esse conteúdo, use uma estratégia simples e eficiente. Primeiro, leia o parágrafo inteiro antes de tentar responder. Segundo, marque os pronomes e palavras substitutivas. Terceiro, volte no texto e sublinhe os candidatos possíveis. Quarto, teste a substituição: se trocar a palavra pelo candidato e a frase continuar coerente, você provavelmente achou o referente certo.
- Leia o texto inteiro antes de responder.
- Marque pronomes, demonstrativos e repetições.
- Procure o antecedente mais compatível em número e sentido.
- Leia a frase anterior e a posterior.
- Confirme se a substituição mantém a coerência.
Para estudar melhor, vale combinar leitura guiada com prática ativa. A teoria da aprendizagem significativa, de David Ausubel, ajuda a entender por que organizar novas informações com base no que você já sabe facilita a retenção. Também funciona bem transformar o treino em exercício curto e frequente: quanto mais você observar a coesão entre as frases, mais automático fica o reconhecimento do referente.
Se quiser aprofundar, vale consultar materiais do British Council sobre coesão e referência textual, além de verbetes de dicionários como Cambridge Dictionary e Oxford Learner’s Dictionaries. Eles ajudam a enxergar que, em inglês, a leitura boa não depende de traduzir palavra por palavra, mas de perceber como as ideias se encadeiam.
Dominar referentes é um daqueles ganhos discretos que mudam muito a sua leitura: você entende melhor o texto, erra menos por pressa e enxerga com mais clareza o caminho do autor. Quanto mais você treinar essa habilidade, mais natural fica reconhecer quem é o it, o they e o this em qualquer questão.
Revisão editorial: Teacher Thiago Cabral LinkedIn

