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Mão escrevendo com caneta-tinteiro que desenha fitas coloridas ligando pedaços de papel, simbolizando conectivos que unem parágrafos.

Pare de repetir portanto: conectivos que transformam sua redação

Domine conectivos, evite repetir 'portanto' e fortaleça a progressão argumentativa da sua redação com exercícios práticos para ENEM.

Atualizado em

Conectivos sem medo

Conectivos são o motor da progressão argumentativa. Eles organizam relações lógicas entre frases e parágrafos, guiam o leitor e ajudam a cumprir a competência 4 do ENEM, relacionada à coesão e à coerência. Por isso, o INEP aponta a coesão como critério de avaliação no Manual do Participante. Nesta aula, você vai entender por que evitar repetições, quais opções usar para causa, consequência e oposição, e como treinar isso sem decorar frases prontas.

Por que variar conectivos importa

Repetir o mesmo conector, como “portanto” ou “além disso”, empobrece o texto e pode quebrar a progressão temática, fazendo o leitor perder o fio argumentativo. Além disso, a variedade demonstra domínio do repertório linguístico exigido pela Competência 4 e contribui para a organização das ideias na Competência 3, conforme os critérios do INEP no Manual do Participante.

Do ponto de vista gramatical, conectivos podem assumir funções diferentes, como advérbios, locuções conjuntivas, preposições e expressões discursivas. Evanildo Bechara, em sua Moderna Gramática Portuguesa, trata dessas funções para mostrar como a substituição lexical e a transformação sintática mantêm a coesão sem soar repetitivo.

Conectivos de causa e consequência

Os conectivos de causa explicam o motivo de uma ideia; os de consequência mostram o efeito que decorre dela. Entre os mais comuns, estão “porque”, “visto que”, “uma vez que” e “em razão de” para causa; “portanto”, “logo”, “por conseguinte”, “assim” e “desse modo” para consequência.

Como aplicar na prática

  • Identifique a relação lógica que você quer estabelecer: causa, consequência ou condição.
  • Escolha um conector preciso: prefira “porque” ou “visto que” para explicações; reserve “portanto” e “por conseguinte” para conclusões mais diretas.
  • Varie a estrutura: transforme uma oração em construção reduzida ou em nominalização para evitar repetição.

Veja a diferença. Exemplo repetido e fraco: o desemprego aumentou. Portanto, a população passou a consumir menos. Portanto, a economia desacelerou. Já uma versão mais fluida seria: o desemprego aumentou, porque setores-chave reduziram contratações. Com isso, a população passou a consumir menos e, consequentemente, a economia desacelerou.

Observe que aqui aparecem relações diferentes. “Porque” marca causa; “com isso” marca consequência; “consequentemente” retoma a conclusão de forma mais formal. O segredo não é encher o texto de palavras diferentes, mas escolher o conector que melhor traduz a relação entre as ideias.

Conectivos de oposição

Os conectivos de oposição ajudam a mostrar contraste, limite ou contraponto. Entre os mais usados, estão “contudo”, “entretanto”, “todavia”, “no entanto”, “apesar de” e “por outro lado”. Eles são muito úteis quando você quer mostrar que um argumento não anula o outro, mas acrescenta uma nuance importante.

Uma dica simples é alternar entre locuções conjuntivas e advérbios. Em vez de repetir sempre “contudo”, você pode usar “apesar de” em uma estrutura mais complexa. Compare: muitos defendem a tecnologia na sala de aula; contudo, há desigualdade de acesso. Agora veja a variante: apesar de a tecnologia aumentar oportunidades pedagógicas, a desigualdade de acesso limita seus efeitos práticos.

Perceba a diferença de construção. Na segunda versão, o contraste continua existindo, mas a frase ficou mais madura, mais precisa e mais próxima do estilo esperado em uma redação dissertativo-argumentativa.

Como não repetir conectivos

Se você sente que está usando sempre os mesmos conectivos, o problema pode não ser de vocabulário, mas de estratégia. A seguir, algumas formas de treinar com mais eficácia.

  • Banco por função: separe conectivos por categoria, como adição, causa, consequência, oposição e conclusão. Isso evita escolher palavras soltas sem pensar na lógica do texto.
  • Transformação sintática: troque orações por nominalizações. Em vez de escrever “isso causa debate”, você pode usar “a causa do debate é...”, quando o contexto pedir.
  • Ponte lexical: use pronomes e expressões referenciais, como “isso”, “essa situação” e “tal cenário”, para manter a continuidade sem repetir o mesmo conector.
  • Pontuação estratégica: ponto e vírgula e travessões podem ajudar a organizar melhor o raciocínio e evitar conectivos mecânicos no início de cada frase.
  • Reescrita ativa: pegue um parágrafo seu, destaque todos os conectivos repetidos e reescreva trocando ao menos metade deles por alternativas coerentes.

Segundo a teoria da aprendizagem significativa, proposta por David Ausubel, aprender bem depende de relacionar o novo conteúdo ao que você já sabe. Isso ajuda a entender por que a prática de reescrita funciona tão bem: você não decora listas, mas cria relações entre função, sentido e uso real na redação.

Erros comuns que tiram pontos

Alguns erros aparecem com frequência e atrapalham a qualidade do texto. O primeiro é a repetição mecânica: usar “portanto” em todo fechamento faz a redação soar previsível. O segundo é empregar um conector inadequado para a relação lógica desejada. Se a ideia é causa, não faz sentido usar um marcador de conclusão.

Outro problema é misturar conectivos com marcas de oralidade, como “e aí” ou “então tipo”, que não combinam com a norma escrita esperada no ENEM. Também vale cuidado com a troca excessiva de palavras: variar por variar não melhora a argumentação. Se a relação entre as ideias ficar confusa, a coesão enfraquece.

Lembre-se de que a coesão serve à coerência. Em redação, clareza vale mais do que quantidade de conectivos.

Treino rápido para a semana

Você pode praticar esse conteúdo em blocos curtos. Uma boa ideia é transformar três parágrafos de algum texto em versões com conectivos variados. Outra opção é escrever cinco argumentos sobre um tema e uni-los em um único parágrafo usando apenas três tipos diferentes de conectivos. Se preferir um exercício mais visual, monte flashcards com a função de cada conector e cinco alternativas de uso.

Esses treinos ajudam a automatizar escolhas sem engessar sua escrita. No ENEM, isso faz diferença porque a banca valoriza uma argumentação que avança com clareza, sem repetição e sem saltos lógicos. Em vez de memorizar uma fórmula pronta, vale construir repertório de uso real.

Dominar conectivos é menos decorar palavras e mais entender as relações lógicas entre as ideias. Quando você pratica substituições, transforma estruturas e usa a pontuação a seu favor, fortalece a progressão argumentativa e ganha segurança nas competências 3 e 4 do ENEM, como descreve o INEP no Manual do Participante. Para continuar evoluindo, pegue uma redação que você já escreveu e faça o exercício de reescrita: marque os conectivos repetidos, troque metade deles e observe se o texto ficou mais claro e mais fluido.

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