Brasil vira top10 em TI (cresceu 18,5%) — e ainda desperdiça dados?
O mercado brasileiro de tecnologia da informação deu um salto notável em 2025: segundo estudo da ABES em parceria com a IDC, o setor cresceu 18,5% e alcançou US$ 67,8 bilhões em investimentos. Esse desempenho coloca o Brasil entre os dez maiores mercados de TI do mundo e líder na América Latina. Mas, diante desse otimismo, surge uma pergunta crucial: será que estamos aproveitando bem os dados gerados por toda essa infraestrutura e investimento?

Crescimento em números e o que ele representa
O crescimento foi impulsionado por três vetores principais: a digitalização das operações empresariais, a expansão da computação em nuvem e a adoção acelerada de soluções de inteligência artificial. Juntos, esses fatores demandam investimentos em data centers, redes e equipamentos, além de talento especializado. Em termos práticos, isso significa mais projetos digitais, mais aplicações em produção e mais dados sendo gerados a cada interação.
No entanto, volume não é sinônimo de valor. Infraestrutura e ferramentas são fundamentais, mas, sem processos e governança, o retorno sobre esses investimentos pode ficar aquém do esperado. É nesse ponto que especialistas acendem o alerta: há uma lacuna entre ter tecnologia e saber usá-la estrategicamente.
O paradoxo dos dados: por que ter muito não basta
O chamado "paradoxo dos dados" explica bem a situação: quanto mais dados as organizações acumulam, maior a sensação de controle — mas nem sempre maior a capacidade de tomar decisões melhores. O problema surge quando os dados não foram gerados com um propósito claro, quando faltam padrões, ou quando não há rastreabilidade sobre sua origem e transformações.
Algumas causas práticas desse paradoxo incluem coleta sem objetivo definido (logs e eventos que apenas registram operações), falta de padronização entre sistemas legados e recentes, e ausência de documentação que explique o significado de cada campo. Sem esses elementos, analistas gastam tempo limpando e reconciliando fontes em vez de extrair insights que realmente orientem decisões estratégicas.
Por que a governança de dados é essencial
Governança de dados não é sinônimo de burocracia — é a infraestrutura que transforma dados brutos em ativos confiáveis. Ela envolve políticas, processos e responsabilidades que garantem qualidade, segurança e disponibilidade das informações. Quando feita corretamente, a governança reduz retrabalho, aumenta a confiança nas análises e mitiga riscos legais e operacionais.
Componentes práticos de uma governança eficaz incluem catalogação de dados (para saber o que existe e onde), monitoramento da qualidade (detecção e correção de erros), data lineage (rastreabilidade de origem e transformações) e papéis bem definidos (quem é responsável por cada domínio de dados). Com esses elementos, o tempo entre coleta e decisão é encurtado, e as equipes conseguem confiar nas métricas usadas para orientar ações.
3 recomendações práticas para transformar dados em vantagem
- Mapear ativos e alinhar propósito: comece identificando quais dados você já possui e defina claramente as decisões estratégicas que esses dados devem suportar. Priorize iniciativas cujo impacto seja mensurável.
- Implementar governança iterativa: crie um catálogo de dados e defina proprietários (data owners). Adote ciclos curtos de melhoria (sprints) para padronizar campos críticos e implementar pipelines que entreguem dados prontos para análise.
- Priorizar qualidade sobre quantidade: invista em limpeza, padronização e instrumentação adequada (eventos de negócio bem definidos). Estabeleça KPIs de impacto, como redução do tempo para gerar relatórios ou aumento da acurácia em previsões, para mostrar ganhos concretos.
Essas medidas não exigem apenas tecnologia: demandam mudança de processos, responsabilidades claras e colaboração entre áreas de negócio, TI e times de dados. Em muitos casos, ganhos rápidos surgem ao aplicar disciplina e foco em algumas frentes prioritárias, antes de escalar soluções mais complexas.
Conclusão
O resultado de 18,5% em 2025 mostra que o Brasil está avançando em termos de investimento e infraestrutura de TI. Mas o verdadeiro diferencial competitivo daqui para frente virá da qualidade do uso desses recursos. Reduzir o paradoxo dos dados — por meio de governança, processos claros e prioridade na qualidade da informação — é o caminho para transformar investimentos em decisões que geram impacto.
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