96% das ações não renderam — Apple, Nvidia e Microsoft dominaram 100 anos de lucros
Um estudo de 100 anos mostra que um número muito pequeno de empresas concentrou a maior parte da criação de riqueza no mercado acionário. Gigantes de tecnologia como Apple, Nvidia e Microsoft respondem por fatias relevantes do total, enquanto mais de 96% das ações não superaram sequer o rendimento de títulos de curto prazo.
O estudo de 100 anos
Hendrik Bessembinder compilou retornos desde 1926 até dezembro, aplicando uma metodologia que considera variação do preço das ações, dividendos, aquisições e ajuste pela inflação. O objetivo é medir a "criação de riqueza ao longo da vida" de cada empresa — isto é, o impacto total que uma companhia listada teve sobre a riqueza dos acionistas.
Em termos agregados, o mercado gerou aproximadamente US$ 91 trilhões de riqueza no período analisado, e as 10 empresas no topo foram responsáveis por cerca de 29% desse total. Destaques do ranking incluem Apple (US$ 5,02 tri; 5,5%), Nvidia (US$ 4,58 tri; 5%) e Microsoft (US$ 4,03 tri; 4,4%). Empresas como Tesla e, temporariamente, a SpaceX também aparecem como geradoras excepcionais de riqueza, mostrando que eventos recentes podem remodelar rankings centenários.
O que os números realmente significam
Quando o estudo afirma que "mais de 96% do mercado não superou" um rendimento de referência, a comparação é feita contra o retorno médio de 3,3% dos títulos do Tesouro americano de um mês. Em outras palavras, a maior parte das ações rendeu menos do que uma alternativa de baixo risco ao longo de horizontes longos.
A concentração também aumentou: apenas duas empresas — Apple e Nvidia — responderam por 10% da criação de riqueza até o fim do período. Na versão anterior do estudo (até 2016) eram necessárias cinco empresas para atingir esse mesmo percentual, o que evidencia uma aceleração da concentração nos últimos anos.
Termos essenciais explicados
Criação de riqueza ao longo da vida: soma da valorização de mercado de uma ação acrescida dos dividendos e ajustada por eventos corporativos e inflação.
Valor de mercado (market cap): preço da ação multiplicado pelo número de ações em circulação; usado para ponderar o impacto de uma companhia na riqueza total.
Dividendos: pagamentos aos acionistas que compõem parte do retorno total, além da variação do preço.
Por que as empresas de tecnologia dominaram
Setores de tecnologia, semicondutores e software se beneficiaram de mudanças estruturais como digitalização, computação em nuvem e avanços em inteligência artificial. Modelos de negócio escaláveis, com custos marginais decrescentes, permitem que empresas jovens se tornem gigantes globais em poucas décadas — como ocorreu com a Nvidia, que abriu capital em 1999 e hoje já representa uma fatia significativa da criação total de riqueza.
Quando empresas grandes crescem rapidamente, um movimento percentual em seus preços tem efeito muito maior sobre a criação agregada de riqueza do que o mesmo movimento em empresas pequenas. Isso explica por que a ascensão de algumas techs redesenhou tanto o mapa da geração de valor no mercado.
Riscos e a importância da diversificação
Acertar as vencedoras individuais no início de sua trajetória é extremamente difícil. Mesmo as líderes do mercado experimentam quedas abruptas e períodos prolongados de baixa, o que exige coragem e prazo para quem as mantém na carteira.
Por isso, a conclusão prática do estudo é que a maioria dos investidores estará melhor ao optar por estratégias diversificadas e de baixo custo, como fundos de índice e ETFs, que capturam o retorno do mercado sem depender de escolhas pontuais.
Recomendações práticas
- Invista em fundos de índice ou ETFs de baixo custo para captar o retorno do mercado sem a necessidade de escolher vencedores individuais.
- Mantenha uma carteira diversificada por setores e por capitalização; tecnologia pode liderar hoje, mas ciclos mudam.
- Se optar por ações individuais, limite a exposição e pratique rebalanceamento regular para controlar o risco.
Conclusão
O estudo centenário de Bessembinder revela dois pontos simultâneos: a criação de riqueza no mercado acionário é extremamente concentrada em poucas empresas — hoje dominada por tecnologia — e prever quais serão essas vencedoras, além de mantê-las no caminho do sucesso, não é tarefa simples. Para a maioria dos investidores, a rota mais eficiente segue sendo a diversificação, a redução de custos e foco no longo prazo.
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Revisão editorial: Bruno Quintela - LinkedIn

