Gerúndio ou infinitivo: escolha certa
Entender quando usar gerúndio (-ing) ou infinitivo (to + verb) é uma das pequenas grandes diferenças que aparecem em textos e questões do ENEM. O objetivo aqui é transformar confusão em segurança: definições curtas, exemplos práticos, os erros que caem com frequência e um plano de estudo passo a passo.
O que são gerúndio e infinitivo
Gerúndio em inglês = verb + -ing (por exemplo, studying). Funciona como substantivo verbal ou aparece após certos verbos e preposições. Ex.: “Studying helps you improve.” — “Estudar ajuda você a melhorar.” Segundo o Cambridge Dictionary, essa forma é usada em vários padrões da língua.
Infinitivo em inglês = to + verb (por exemplo, to study). Costuma indicar propósito, intenção, possibilidade ou aparecer após outros verbos. Ex.: “I want to study medicine.” — “Quero estudar medicina.” Também aqui o Cambridge Dictionary registra esse uso como padrão produtivo do inglês.
Importante: alguns verbos são seguidos por gerúndio, outros por infinitivo, e alguns aceitam ambos com mudança de sentido. Modal verbs como must, should e can são seguidos pelo verbo base, sem to: “She can speak.” — “Ela sabe falar.” Como orienta o British Council, esse é um ponto básico de estrutura verbal.
Exemplos práticos para fixar
Verbos que pedem gerúndio:
- enjoy → enjoy doing: “I enjoy studying English.” — “Eu gosto de estudar inglês.”
- avoid → avoid doing: “She avoids eating late.” — “Ela evita comer tarde.”
- suggest → suggest doing: “He suggested studying together.” — “Ele sugeriu estudar junto.”
- look forward to → look forward to doing: “I look forward to meeting you.” — “Estou ansioso para te encontrar.” Aqui, to é preposição, por isso vem -ing.
Verbos que pedem infinitivo:
- decide → decide to do: “They decided to leave.” — “Eles decidiram partir.”
- hope → hope to do: “I hope to pass the exam.” — “Espero passar na prova.”
- want → want to do: “She wants to travel.” — “Ela quer viajar.”
- learn → learn to do: “He learned to swim.” — “Ele aprendeu a nadar.”
Verbos que mudam de sentido:
- remember: “I remember meeting her.” — “Eu me lembro de tê-la conhecido.” / “Remember to lock the door.” — “Lembre-se de trancar a porta.”
- stop: “He stopped smoking.” — “Ele parou de fumar.” / “He stopped to smoke.” — “Ele parou o que estava fazendo para fumar.”
- try: “Try restarting the computer.” — “Tente reiniciar o computador.” / “Try to finish on time.” — “Esforce-se para terminar no horário.”
Por que isso cai no ENEM
O ENEM prioriza interpretação e coerência textual, não a memorização de regras soltas. Questões com lacunas ou alternativas pedem que você escolha entre gerúndio e infinitivo porque a forma correta precisa manter o sentido do texto. Por exemplo, em “She went to the store ___ buy milk.”, a resposta é to buy — “Ela foi à loja para comprar leite.” A lógica de propósito fica clara na frase.
Segundo o INEP, a prova de Língua Estrangeira trabalha habilidades de leitura e compreensão de sentido; por isso, reconhecer padrões como verb patterns ajuda a eliminar alternativas erradas com rapidez.
Comparação português ↔ inglês que ajuda
Em português, usamos construções diferentes: “parar de + verbo” vira stop + -ing, enquanto “parar para + verbo” costuma virar stop to + verb. Parece detalhe, mas muda o sentido.
Outro ponto útil: o gerúndio em português nem sempre corresponde ao -ing em inglês. “Estou estudando” corresponde bem a “I am studying”, mas “continuar estudando” muitas vezes vira “keep studying”. Essa comparação evita tradução literal, uma armadilha comum para brasileiros.
Comparação rápida:
- “Parar de” → stop + -ing: “He stopped smoking.” — “Ele parou de fumar.”
- “Para [fazer algo]” → to + verb: “She went to the store to buy milk.” — “Ela foi à loja para comprar leite.”
Erros comuns que derrubam ponto
1) Tradução literal do português
Errado: “I want going to the party.”Correto: “I want to go to the party.” — “Eu quero ir à festa.”
2) Esquecer que “to” pode ser preposição
Errado: “I look forward to meet you.”Correto: “I look forward to meeting you.” — “Estou ansioso para conhecer você.”
3) Confundir verbos que mudam de sentido
Errado: “I stopped to smoke.” quando a ideia é “parei de fumar”.Correto: “I stopped smoking.”
4) Usar infinitivo após verbo que pede gerúndio
Errado: “She suggested to go early.”Correto: “She suggested going early.” — “Ela sugeriu ir cedo.”
5) Colocar “to” depois de modal verb
Errado: “He must to study.”Correto: “He must study.” — “Ele precisa estudar.”
Se você travar, faça a pergunta certa: o verbo anterior pede gerúndio, infinitivo, verbo base ou preposição?
Como estudar sem decorar no escuro
1) Monte uma lista de verb patterns essenciais. Comece por verbos frequentes: enjoy, decide, stop, remember, suggest, hope. Consulte o Cambridge Dictionary e o Oxford Learner’s Dictionaries para confirmar usos reais.
2) Estude com frases, não com palavras soltas. Em um flashcard, coloque a frase em inglês com lacuna e a resposta em português. Essa é uma forma de ligar o novo ao que você já sabe, algo bem alinhado à ideia de aprendizagem significativa de David Ausubel.
3) Faça exercícios de transformação. Pegue frases em português e escreva a versão em inglês, sempre conferindo o sentido. Ex.: “Ela lembrou-se de trancar a porta.” → “She remembered to lock the door.”
4) Treine com textos reais. Use questões de provas do ENEM e materiais do British Council. A ideia não é decorar regra; é observar como a escolha verbal ajuda na interpretação.
5) Compare pares que mudam de sentido. Escreva duas frases com o mesmo verbo, uma com gerúndio e outra com infinitivo, e traduza as duas. Isso ajuda a perceber nuance.
6) Revise com simulados curtos. Separe 15 minutos por dia para resolver questões de inglês e corrigir com atenção ao porquê da resposta certa.
7) Explique em voz alta. Se você consegue ensinar a diferença entre stop smoking e stop to smoke, é sinal de que entendeu de verdade.
Resumo para levar para a prova: identifique se to faz parte do infinitivo ou se é preposição; veja se o verbo anterior pede gerúndio; e procure pistas de propósito, hábito ou ação em andamento. No ENEM, esse tipo de leitura cuidadosa vale mais do que tradução literal.
Revisão editorial: Teacher Thiago Cabral LinkedIn

