Para resolver essa questão, assista uma aula sobre Figuras de Linguagem.
1. (UERJ) Leia os textos a seguir:
TEXTO I
O sobrevivente
Impossível compor um poema a essa altura da evolução da humanidade.
Impossível escrever um poema – uma linha que seja – de verdadeira poesia.
O último trovador morreu em 1914.
Tinha um nome de que ninguém se lembra mais.
Há máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples.
Se quer fumar um charuto aperte um botão.
Paletós abotoam-se por eletricidade.
Amor se faz pelo sem-fio.
Não precisa estômago para digestão.
Um sábio declarou a O Jornal que ainda falta
muito para atingirmos um nível razoável de cultura.
Mas até lá, felizmente, estarei morto.
Os homens não melhoraram
e matam-se como percevejos.
Os percevejos heroicos renascem.
Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado.
E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio.
(Desconfio que escrevi um poema.)
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Nova reunião: 19 livros de poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985.
Os dois primeiros versos enfatizam uma ideia que será desconstruída pela leitura integral do poema, caracterizando uma ironia, expressa também no título. Transcreva o verso do texto que, em comparação com os dois primeiros, revela essa ironia. Em seguida, estabeleça a relação entre o verso transcrito e o título.
GABARITO:
O verso que revela a ironia é “desconfio que escrevi um poema”.
Esse verso indica que, apesar de todas as circunstâncias criticadas pelo poeta, a possibilidade de escrever um poema sobrevive – conforme anunciado pelo título, desfazendo a ideia de impossibilidade reafirmada no início.