Abertura estratégica
Uma boa introdução não precisa ser criativa a todo custo — precisa ser precisa. No ENEM, a introdução é o momento de mostrar que você entendeu a proposta, apresentar uma tese clara e preparar o leitor para o desenvolvimento. Quando você evita clichês, ganha economia de linguagem e espaço para colocar repertório sociocultural produtivo (Competência 2) e uma linha de argumentação organizada (Competência 3) conforme o Manual do Participante (INEP).
Por que a introdução importa
A introdução é a primeira impressão do corretor: é onde a tese deve aparecer e onde você demonstra leitura correta da proposta. O INEP deixa claro que a compreensão da proposta e o uso adequado de repertório contam para a nota (Manual do Participante — Redação ENEM). Uma abertura confusa ou cheia de lugares-comuns pode tirar pontos em organização e uso de repertório porque prejudica a clareza da sua posição.
Clichês que você deve eliminar
- "Vivemos em uma sociedade onde..." — genérico e repetido.
- "Desde os primórdios..." — vago e distante do foco contemporâneo exigido pelo ENEM.
- Frases de impacto sem conexão com a tese — soam paternalistas e não ajudam a sustentar argumentos.
- Começar com definições óbvias — definir termos importantes é útil, mas evitar definições já conhecidas pelo leitor sem contextualização.
Esses formatos ficam prontos demais e muitas vezes escondem a ausência de uma tese clara — o que compromete as Competências 2 e 3 (Cartilha do Participante — Redação no ENEM).
Modelos de abertura eficazes (e quando usar)
- Contextualização curta: quadro histórico ou social que mostra relevância atual. Use quando o tema pede relação com processos sociais recentes.
- Definição conceitual restrita: delimite o sentido do termo no seu texto. Útil em temas ambíguos.
- Dado ou referência institucional: referência a um órgão confiável (IBGE, ONU, INEP) para mostrar embasamento — sem inventar números.
- Citação breve e pertinente: use com moderação e apenas autores reais que dialoguem com a tese (por exemplo, Bourdieu ou Darcy Ribeiro), citando o autor como repertório.
- Analogia controlada: comparação curta que ilumina o tema sem escorregar para o lugar-comum.
Passo a passo: escreva sua introdução em 6 etapas
- Leitura atenta da proposta: marque o recorte e as competências pedidas (INEP).
- Identifique palavras-chave: quais conceitos precisam aparecer no texto?
- Escolha um modelo de abertura: contextualização, definição, dado, citação ou analogia.
- Construa a tese em uma frase clara: posição direta sobre o problema — essa frase deve guiar os parágrafos de desenvolvimento.
- Conecte abertura e tese: no máximo duas frases antes da tese; evite rodeios.
- Releia e torne específica: troque termos vagos por palavras precisas e, se possível, acople um repertório breve (autor, conceito, dado) que será desenvolvido depois.
Erros comuns e como corrigi-los
- Perder tempo com metáforas longas: escreva objetivamente; deixe a metáfora para quando ela acrescentar clareza.
- Fazer uma introdução genérica para qualquer tema: sempre ajuste a abertura ao enunciado; fugir do tema zera a redação.
- Usar repertório solto: citar um autor sem explicar sua relação com a tese não soma. Explique em uma linha por que aquele repertório vale.
- Exceder-se em tentativas de impressionar: linguagem rebuscada que compromete a norma culta tira pontos (Competência 1).
Exemplos práticos
Exemplo de abertura clichê (evitar): "Vivemos em uma sociedade em que as desigualdades se acentuam cada vez mais." — genérico e sem tese.
Versão sem clichê (mais direta): "As discrepâncias de renda e acesso a serviços no Brasil ampliam-se em áreas urbanas e rurais, afetando educação e saúde; por isso, é necessário priorizar políticas públicas focadas em equidade." — contextualiza, aponta problema e apresenta tese clara.
Dica prática de repertório: ao usar um autor, conecte-o: "Como observa Pierre Bourdieu, o capital cultural influencia desigualdades educacionais; tal conceito explica parte das disparidades atuais e justifica políticas de redistribuição educacional." (use Bourdieu apenas se couber ao tema).
Conclusão
Evitar clichês é, em grande parte, economizar palavras para defender uma tese clara. Treine escrevendo somente a introdução em 10 temas diferentes e peça correção focada em clareza da tese e pertinência do repertório (Ausubel e práticas de aprendizagem significativa recomendam aprendizado ativo com feedback). Leia o Manual do Participante e a Cartilha do ENEM para alinhar sua estratégia com os critérios de avaliação (INEP, Cartilha do Participante — Redação no ENEM). Continue praticando: dominar aberturas estratégicas reduz ansiedade e aumenta consistência durante a prova.
Quer se aprofundar? Pratique esse passo a passo com temas anteriores do ENEM e peça para um colega avaliar apenas se a tese está explícita e se a abertura evita clichês — isso melhora sua competência de forma direta.


