98% das empresas estão sem talentos tech — tá pronto pra ser o que falta?
Quase a totalidade das empresas brasileiras está com dificuldade para contratar profissionais de tecnologia. Em um levantamento com 250 líderes de Recursos Humanos e de Tecnologia de médias e grandes companhias de diversas regiões e setores, 98% afirmaram enfrentar entraves para preencher vagas — um número que ajuda a explicar por que tantas organizações desaceleram projetos, adiam iniciativas digitais e sentem limites para inovar.
O que está travando as contratações
Entre as principais barreiras relatadas, a falta de conhecimento técnico aparece no topo, mencionada por 72% dos entrevistados. Isso sugere que muitas empresas não estão encontrando candidatos com domínio suficiente das ferramentas, linguagens, práticas e fundamentos exigidos para as funções mais comuns do setor.
Logo atrás vem a falta de experiência prática (54%). Esse ponto é especialmente relevante para quem está entrando na área, porque indica que a porta de entrada ainda é estreita: as vagas existem, mas frequentemente pedem vivência prévia em projetos reais, o que cria um círculo vicioso para iniciantes. Além disso, lacunas em competências comportamentais também são citadas como obstáculo, reforçando que o mercado não avalia apenas a capacidade técnica — avalia também a forma de trabalhar.
Quando o tempo de contratação vira um problema de negócio
Outro dado que chama atenção é o impacto no ritmo das contratações. Apenas 14% das empresas conseguem preencher vagas em menos de um mês. Metade leva entre um e dois meses, e esse alongamento do processo tem efeitos práticos: times ficam sobrecarregados, projetos são replanejados e oportunidades podem ser perdidas por falta de gente para executar.
Em áreas de tecnologia, tempo é um fator crítico. Uma vaga que demora para ser preenchida pode significar atraso em uma entrega, aumento de retrabalho e dificuldade para competir em mercados que se movimentam rápido. A escassez de talentos deixa de ser um problema apenas do setor de pessoas e se transforma em um desafio estratégico, com impacto direto na capacidade de inovar.
As áreas mais disputadas: IA, engenharia de software e segurança
A pesquisa indica que a dificuldade é ainda maior em funções consideradas estratégicas. Entre as posições apontadas como mais difíceis de preencher estão especialistas em inteligência artificial (35%) e engenheiros de software (31%). Do lado das competências técnicas mais escassas, ganham destaque segurança da informação (30%) e inteligência artificial e machine learning (29%).
Esses números ajudam a entender por que muitas empresas aceleraram investimentos em automação e dados, mas ao mesmo tempo sentem que faltam profissionais para concretizar projetos. Tecnologias como IA dependem de uma base sólida: dados organizados, infraestrutura, boas práticas de desenvolvimento e pessoas capazes de transformar informação em decisão. Sem esse conjunto, a promessa de produtividade e inovação fica comprometida.
Soft skills: o filtro que elimina até candidatos tecnicamente bons
A escassez não se limita ao domínio técnico. Segundo o levantamento, 37% das empresas afirmam rejeitar com frequência candidatos tecnicamente qualificados por falta de habilidades socioemocionais. Entre as competências comportamentais mais difíceis de encontrar aparecem inteligência emocional (36%) e pensamento crítico e capacidade de resolver problemas (33%).
Em um cenário com times híbridos, colaboração entre áreas e pressão por entregas rápidas, essas habilidades deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos para a rotina do trabalho. Empresas valorizam profissionais que conseguem comunicar problemas, priorizar tarefas e atuar de forma resiliente diante de falhas ou imprevistos.
Inglês e diversidade: barreiras que ampliam a lacuna
O levantamento também aponta obstáculos que ampliam a distância entre vagas abertas e pessoas aptas a ocupá-las. Um deles é o idioma: 78% das empresas relatam descartar candidatos que não têm domínio de inglês. Isso evidencia como a fluência pode se tornar um filtro, especialmente em áreas com documentação técnica em inglês, ferramentas globais e interação com times internacionais.
Além disso, 93% das empresas afirmam ter dificuldade para contratar pessoas de grupos sub-representados. Esse dado aponta para um desafio persistente de diversidade e inclusão, que exige ampliar acesso, criar oportunidades reais de formação e reduzir barreiras de entrada.
O que a Geração Z busca — e como o mercado responde
O estudo também observou o que influencia profissionais mais jovens na escolha de emprego: salário (53%), flexibilidade na jornada (49%) e equilíbrio entre vida pessoal e profissional (39%). Esses fatores mostram que retenção e atração de talentos envolvem muito mais do que remuneração — passam por cultura, práticas de gestão e qualidade de vida no trabalho.
Para os próximos dois anos, 46% dos entrevistados apontaram a inteligência artificial como o principal motor de mudança no mercado. Em seguida vêm a necessidade de qualificação profissional (29%) e inovações tecnológicas (17%). A projeção indica que a pressão por atualização deve continuar, e que soft skills e atualização constante serão diferenciais cada vez mais valorizados.
Como reduzir o gap: formação conectada à empregabilidade
Diante desse cenário, iniciativas que combinam capacitação técnica, desenvolvimento de competências socioemocionais e apoio para permanência nos estudos ganham relevância. Programas de formação voltados a pessoas em situação de vulnerabilidade, por exemplo, podem ampliar a base de entrada no setor e criar pontes diretas entre aprendizado e mercado de trabalho.
Há também espaço para empresas e instituições reforçarem parcerias com ambientes que oferecem experiências práticas, mentorias e estágios que aproximem teoria e prática. Mentoria, projetos reais e avaliações por portfólio tendem a ser mecanismos eficientes para reduzir a exigência de experiência prévia sem comprometer a qualidade das contratações.
Conclusão: a chance está no preparo contínuo
Quando 98% das empresas dizem ter dificuldade para contratar em tecnologia, isso não é só um alerta: é uma oportunidade para quem decide se preparar. O mercado pede conhecimento técnico, experiência prática e habilidades humanas — e quem investe em aprender de forma estruturada e consistente aumenta muito suas chances de se destacar.
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