Diretores de TI faturam R$ 40,5 mil: onde estão as vagas que pagam alto?
O mapa dos empregos em tecnologia no Brasil está mudando — e com ele as oportunidades de crescimento e remuneração. Embora o Sudeste siga concentrando a maior parte das vagas formais, regiões como Norte, Nordeste e Centro-Oeste registraram avanço proporcionalmente mais rápido entre 2023 e 2025. Entender essa dinâmica regional e quais cargos pagam melhor é essencial para montar uma rota de carreira eficiente.
O mapa da mudança
Segundo levantamento da Brasscom, são cerca de 943 mil trabalhadores com carteira assinada em ocupações típicas de tecnologia. A distribuição mostra concentração forte no Sudeste (588.943 empregos; salário médio R$ 6.802), seguida pelo Sul (165.382; R$ 4.972), Nordeste (89.643; R$ 3.950), Centro-Oeste (62.782; R$ 4.855) e Norte (36.079; R$ 2.715). São Paulo, isoladamente, reúne aproximadamente 421 mil vínculos formais e salário médio de R$ 7.321.
O crescimento mais acelerado nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste indica descentralização das vagas, impulsionada por digitalização, trabalho remoto e investimentos locais. Ainda assim, a média salarial nessas regiões tende a ficar abaixo da praticada nos grandes polos, refletindo diferenças na oferta de vagas sênior, no tipo de empresas locais e no custo de vida.
Quais empregos em tecnologia concentram mais profissionais?
Em termos de volume, o analista de desenvolvimento de sistemas lidera, com cerca de 252 mil vínculos formais e salário médio acima de R$ 8.000. Em seguida aparecem analistas de suporte e programadores de sistemas de informação. Já funções de entrada, como operadores de computador e helpdesk, têm salários médios na faixa de R$ 2.000.
Importante notar que o helpdesk foi a ocupação que mais criou empregos em 2025, com um saldo de pouco mais de 7 mil postos. Isso reforça a ideia de que funções operacionais continuam sendo porta de entrada para a carreira em tecnologia, permitindo que profissionais ganhem experiência prática antes de migrar para áreas mais especializadas.
Onde estão os maiores salários?
As remunerações mais altas concentram-se em cargos de liderança e em funções técnicas altamente especializadas. Segundo a Brasscom, os diretores de serviços de informática lideram o ranking, com média próxima de R$ 40.500 por mês. Outros destaques são gerentes de segurança da informação (≈ R$ 21.000) e gerentes de desenvolvimento de sistemas (≈ R$ 19.000). Nas dez primeiras posições do ranking, os salários médios superam R$ 13.000.
Por que essa diferença é tão grande? Cargos de direção e gerência combinam responsabilidade estratégica, gestão de equipes e tomada de decisões que afetam receita e risco. Além disso, áreas como segurança, arquitetura de soluções e engenharia de dados sofrem com escassez de talentos, o que pressiona salários para cima.
O que os dados significam para sua carreira
Algumas conclusões práticas emergem dos números:
- Localização ainda faz diferença: os polos do Sudeste e São Paulo oferecem mais vagas formais e salários médios maiores, mas o avanço de outras regiões amplia opções, especialmente para trabalho remoto.
- Volume nem sempre é sinônimo de alta remuneração: cargos com grande número de profissionais tendem a ter maior competição e salários menores; especializações escassas valem mais.
- Portas de entrada importam: funções de suporte e helpdesk continuam sendo caminhos práticos para entrar no setor e construir experiência.
Como aumentar chances de chegar aos salários mais altos
Se a meta é alcançar cargos sênior ou de direção, algumas estratégias se destacam:
- Especialização técnica: segurança da informação, arquiteturas de nuvem, engenharia de dados e áreas de IA/ML são campos com alta demanda salarial.
- Experiência prática e resultados: trabalhar em projetos que comprovem impacto — redução de custos, aumento de receita ou melhoria operacional — é valorizado por empregadores.
- Soft skills e liderança: comunicação, gestão de equipes e visão de negócio são diferenciais para migrar de posições técnicas para cargos de gestão.
- Portfólio e visibilidade: contribuir para projetos, participar de comunidades e manter portfólio atualizado ajudam na contratação e na negociação salarial.
- Mobilidade: aceitar oportunidades em polos maiores ou posições remotas pode acelerar ganhos salariais, especialmente no início da trajetória.
Conclusão
O mercado de tecnologia no Brasil está em transição: embora a maior parte das vagas formais e dos salários mais altos siga concentrada no Sudeste, há expansão em outras regiões que amplia a oferta de oportunidades. Para chegar a patamares de remuneração elevados — como as médias observadas para diretores de TI — é preciso combinar especialização técnica, experiência comprovada e desenvolvimento de competências de gestão. Planejamento, portfólio consistente e foco em áreas de alta demanda reduzem o caminho até posições que pagam melhor.
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Revisão editorial: Bruno Quintela - LinkedIn
