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Ilustração editorial de uma mesa com máquina de escrever, livros, caneta, lupa e fios coloridos conectando objetos para representar coesão referencial.

Coesão referencial: como os pronomes e as retomadas ajudam na interpretação

Entenda como pronomes e retomadas ajudam na interpretação e na coesão textual.

Atualizado em

Retomadas que dão sentido

Quando você lê um texto de prova, não basta localizar palavras importantes: é preciso perceber como uma ideia puxa a outra. A isso damos o nome de coesão referencial, isto é, os recursos que retomam elementos já mencionados para evitar repetição e manter o texto conectado. Em exercícios do ENEM e de vestibulares, essa habilidade aparece tanto na interpretação quanto na análise linguística.

Na prática, a coesão referencial acontece por meio de pronomes, advérbios, sinônimos, hiperônimos e até expressões equivalentes. Em gramáticas de referência, como a de Evanildo Bechara, esse mecanismo é apresentado como parte essencial da organização do discurso; já a perspectiva textual destaca que essas retomadas orientam o leitor na construção de sentido. Por isso, entender quem retoma quem é uma estratégia de leitura, não apenas uma regra de português.

O que é coesão referencial

Coesão referencial é a relação entre um termo do texto e aquilo que ele substitui, retoma ou antecipa. Em vez de repetir o mesmo nome muitas vezes, o autor usa um recurso que mantém a fluidez e ajuda o leitor a acompanhar o raciocínio. Veja o exemplo:

“Maria chegou cedo. Ela queria revisar a redação antes da aula.”

Nesse caso, ela retoma Maria. O pronome não carrega um sentido completo sozinho; ele depende do contexto para ser interpretado. É justamente essa dependência que faz da coesão referencial uma peça central da compreensão textual.

O mesmo pode acontecer com sinônimos ou expressões de valor mais geral. Se um texto fala em “o Brasil” e depois menciona “o país”, há uma retomada que evita repetição. Se menciona “o estudante” e depois usa “esse jovem”, o leitor precisa reconhecer a continuidade temática. Esse tipo de leitura é muito cobrado em enunciados que pedem a identificação de referente, sujeito do discurso ou efeito de sentido.

Por que isso cai em prova

O ENEM costuma cobrar leitura de forma contextual, e não memorização isolada de regra. O INEP, no Manual do Participante, reforça que a prova valoriza a interpretação de textos de diferentes gêneros e situações comunicativas. Isso significa que uma questão pode testar coesão referencial sem perguntar diretamente “o que é um pronome?”: ela pode pedir, por exemplo, a que termo uma expressão se refere ou como a retomada contribui para a argumentação.

Além disso, a coesão referencial ajuda a identificar relações lógicas importantes. Se um autor troca um nome por um pronome, por uma expressão resumidora ou por um sinônimo, ele pode estar evitando redundância, marcando progressão temática ou aproximando o discurso do leitor. Em textos dissertativo-argumentativos, isso é especialmente útil porque a clareza da tese depende de retomadas bem feitas.

Nos vestibulares, sobretudo os que cobram gramática normativa com mais rigor, como alguns exames estaduais, a atenção à referência também aparece em questões sobre concordância, ambiguidade e interpretação de pronomes. Em outras palavras: acertar a coesão referencial ajuda você tanto a entender o texto quanto a não cair em armadilhas gramaticais.

Tipos de retomada mais comuns

Para estudar com segurança, vale separar os principais mecanismos:

  • Pronomes pessoais: ele, ela, eles, elas, lhe, o, a, se.
  • Pronomes demonstrativos: este, esse, aquele, isso, aquilo.
  • Pronomes relativos: que, quem, o qual, a qual, cujo.
  • Advérbios e locuções adverbiais: ali, então, nessa situação, nesse momento.
  • Sinônimos e expressões equivalentes: o aluno, o estudante, o candidato; o país, a nação.
  • Hiperônimos: termo mais geral que retoma um conjunto anterior, como animal depois de citar cachorro, gato e cavalo.

Perceba que não se trata de decorar uma lista seca. O importante é perguntar: qual termo está sendo retomado? e qual é a função dessa retomada no texto? Muitas vezes, a resposta muda o sentido de uma alternativa inteira.

Como interpretar passo a passo

Uma boa forma de resolver questões é seguir este caminho:

1. Localize o termo retomado. Leia a frase atual e volte uma ou duas linhas, se necessário, para descobrir de quem ou de quê o autor está falando.

2. Verifique a classe da palavra. Um pronome não substitui qualquer coisa do mesmo jeito. Às vezes ele retoma uma pessoa; em outras, um objeto, uma ideia ou um trecho inteiro.

3. Observe o gênero textual. Em notícia, artigo de opinião ou tirinha, a retomada pode ter efeito de objetividade, ironia ou economia linguística.

4. Confirme a coerência. Se a interpretação gera um referente impossível, provavelmente a alternativa está errada.

5. Releia com a substituição feita. Troque o pronome pelo termo retomado e veja se a frase continua fazendo sentido.

Esse procedimento é útil porque a prova quase nunca entrega a resposta “pronta”. Ela exige que você mantenha a referência ativa enquanto lê. É uma habilidade próxima do que David Ausubel chamou de aprendizagem significativa: novos conteúdos se organizam melhor quando se conectam a conhecimentos já existentes. No caso da língua portuguesa, isso significa relacionar pronomes, referentes e contexto para construir sentido de forma estável.

Erros comuns que derrubam candidatos

Um erro muito frequente é achar que qualquer pronome aponta para o termo mais próximo. Nem sempre isso acontece. O referente pode estar antes, depois ou até em outra frase, desde que o contexto permita a recuperação. Outro problema é confundir retomada com repetição mecânica: repetir demais deixa o texto pesado, mas retirar demais pode comprometer a clareza.

Também é comum ignorar ambiguidade. Se um texto traz dois possíveis antecedentes para um mesmo pronome, a leitura precisa considerar o contexto global. Em questões de múltipla escolha, isso faz diferença: a alternativa correta costuma ser a que respeita a progressão temática e a intenção comunicativa do autor.

Outro equívoco é tratar coesão como algo separado da interpretação. Na verdade, uma depende da outra. Se você não identifica o referente, não compreende a sequência argumentativa. Se não entende a sequência argumentativa, pode interpretar mal a função do pronome. É um ciclo.

Como estudar coesão referencial

Uma forma eficiente de revisar é sublinhar, em textos curtos, cada termo retomado e escrever ao lado o seu antecedente. Faça isso com charges, crônicas, notícias e trechos de redação nota mil publicados em materiais didáticos. Ao treinar assim, você passa a perceber padrões de retomada sem depender de memorização solta.

Outra estratégia é transformar a análise em pergunta: “Este pronome retoma quem?”, “Essa expressão resume o quê?”, “Esse demonstrativo aponta para qual ideia?” Quanto mais você pratica, mais rápido reconhece o caminho do sentido dentro do parágrafo.

Se quiser avançar além da identificação básica, observe também como a coesão referencial ajuda a produzir efeitos de estilo. Em textos literários, por exemplo, uma retomada pode criar proximidade, ritmo ou até mistério. Em textos argumentativos, ela reforça a continuidade do raciocínio e ajuda o leitor a não se perder.

No fim, dominar coesão referencial é aprender a enxergar o texto como uma rede de conexões. E, quando você passa a perceber essa rede, interpretar fica menos aleatório e muito mais estratégico. Quanto mais atento estiver às retomadas, mais facilidade terá para entender o que o texto diz — e também o que ele deixa implícito.

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