Blog DescomplicaInscreva-se
Imagem do artigo

Brasil bombando em contratações: 65% das empresas querem juniors

65% das empresas planejam contratar: Brasil vive alta intenção de contratação com forte demanda por vagas júnior.

por Bruno QuintelaPublicado em

Brasil bombando em contratações: 65% das empresas querem juniors

O mercado de trabalho brasileiro vive um momento de aquecimento visível: pesquisas internacionais indicam que o país ocupa o segundo lugar mundial em intenção de contratação para o 4º trimestre de 2026. As empresas brasileiras planejam ampliar equipes, com destaque para vagas de nível inicial — uma estratégia que reflete tanto a recuperação do emprego quanto a necessidade de formar talentos internamente.

Os números que explicam o momento

Alguns dados ajudam a entender por que há onda de contratações: em 2025 o Brasil registrou 103 milhões de pessoas ocupadas, segundo a PNAD Contínua do IBGE, e o contingente de desocupados caiu para 6,1 milhões — o menor desde o início da série histórica, em 2012. Em pesquisa do ManpowerGroup para o 4º trimestre, 62% das empresas brasileiras declararam intenção de ampliar seus quadros entre outubro e dezembro.

A expectativa líquida de emprego do país ficou em 53% — índice que considera a diferença entre empregadores que planejam contratar e os que preveem demissões — posicionando o Brasil em 2º lugar no ranking global, atrás apenas da Índia (54%) e significativamente acima da média mundial (29%).

Por que as empresas apostam em juniores

O levantamento aponta que 65% dos empregadores brasileiros aceleraram a busca por talentos em início de carreira. Entre as razões principais estão:

  • Escassez de profissionais seniores: perfis experientes estão em falta e custam mais caro no mercado;
  • Formação interna: contratar juniores e investir em desenvolvimento reduz a dependência de disputas por profissionais “prontos” e permite alinhar competências à cultura da empresa;
  • Economia de médio prazo: programas de treinamento e planos de carreira podem reduzir custos e aumentar retenção ao longo do tempo.

O contraste com o cenário internacional

Em vários países do Hemisfério Norte, a adoção acelerada de inteligência artificial tem reduzido a oferta de vagas de nível inicial. Estudos citados pela imprensa mostram quedas expressivas: na Suíça, a proporção de cargos de nível inicial anunciados foi 32% menor em 2025 comparado à média entre 2019 e 2022; nos Estados Unidos, empresas que implementaram IA generativa registraram redução de 7,7% nas contratações de nível inicial após cerca de seis trimestres.

Isso acontece porque ferramentas de IA automatizam tarefas rotineiras — justamente aquelas que costumam servir de base para o aprendizado inicial no trabalho. Onde a automação é intensiva, a demanda por juniores tende a cair e cresce a necessidade de profissionais seniores capazes de orquestrar e governar essas tecnologias.

Setores e estados que puxam as contratações

O movimento de ampliação de quadros no Brasil é abrangente. Segundo a pesquisa do ManpowerGroup, os setores com maior intenção de contratar incluem finanças e seguros (63%), construção e imobiliário (61%) e informação/tecnologia (59%). Em termos de formação interna, manufatura (69%), finanças e seguros (67%) e informação (67%) destacam-se como os que mais planejam treinar talentos.

Geograficamente, São Paulo lidera as expectativas com 65% de intenção de contratação, seguido por Rio de Janeiro (58%), Paraná (49%) e Minas Gerais (37%).

Como aproveitar essa janela — dicas práticas

Se você está no início da carreira ou pensando em mudar de área, algumas atitudes aumentam suas chances de aproveitar as vagas júnior:

  • Desenvolva habilidades transferíveis: comunicação, trabalho em equipe, resolução de problemas e organização são valorizadas em programas de formação interna;
  • Construa portfólio e experiência prática: projetos, estágios, trabalhos voluntários e microprojetos demonstram capacidade de entrega;
  • Aprenda ferramentas digitais: noções de planilhas, produtividade e conceitos básicos de análise de dados e automação adicionam diferencial;
  • Mostre capacidade de aprender rápido: empresas que formam internamente procuram pessoas com atitude, proatividade e curiosidade;
  • Faça networking ativo: participe de eventos, comunidades e mantenha contato com recrutadores e colegas do setor.

O que empresas podem fazer

Para quem contrata, investir em trilhas de aprendizagem internas, programas de mentoria e parcerias com instituições educacionais transforma contratações em vantagem competitiva. Processos seletivos que avaliem potencial e capacidade de aprendizado tendem a identificar talentos que cresçam junto com a organização.

Conclusão

O Brasil vive uma janela de oportunidades: alta intenção de contratação e uma aposta clara em formação interna para suprir a falta de profissionais seniores. Para quem está começando, isso significa mais vagas de entrada — mas também a necessidade de postura ativa, atualização constante e foco em habilidades que complementem a automação. Acompanhe a Descomplica para receber dicas práticas, conteúdos e orientações que ajudam a transformar essa onda de contratações em vantagem para sua carreira.

Fonte:Fonte

Revisão editorial: Bruno Quintela - LinkedIn