Almaviva cresce +25%: como IA, cloud e M&A mudam o jogo do CX
A ascensão da Almaviva em 2025 funciona como um estudo de caso sobre como tecnologia, expansão e aquisições podem redesenhar a experiência do cliente (CX). Em um ano em que o mercado global registrou crescimento moderado, a companhia se destacou por alinhar estratégia de escala, investimentos em capacidades críticas e foco em ofertas que geram impacto mensurável para o cliente.

Crescimento acima da média
Os relatórios do Gartner mostram que, em 2025, infraestrutura e serviços gerenciados tiveram expansão de cerca de 3,4% e serviços gerais 3,8%. Nesse cenário, a Almaviva registrou resultados muito acima da média, com saltos de mais de 20% em infraestrutura e quase 30% em serviços, além de um crescimento combinado próximo a 25% após integrar a TIVIT.
Esses números não são apenas estatística: indicam que, mesmo com pressão sobre investimentos e macro incertezas, é possível ampliar participação quando a estratégia combina escala, capacidades tecnológicas e ofertas orientadas a resultado. A receita combinada reportada pela empresa ficou na faixa de R$ 11,1 a R$ 12 bilhões, mostrando que a execução da estratégia foi traduzida em ganhos comerciais concretos.
O que explica esse avanço?
Os relatórios apontam três vetores centrais que explicam o desempenho da Almaviva e que já funcionam como pauta para concorrentes e clientes que buscam transformação:
1) Expansão geográfica como estratégia de escala
A aquisição da TIVIT em 2025 ampliou a presença da Almaviva na América Latina e abriu espaço para cross-selling em cloud e cibersegurança. Em mercados fragmentados, ganhar presença regional através de aquisições oferece acesso rápido a clientes, data centers e know-how local, reduzindo o tempo necessário para maturar ofertas comerciais e técnicas.
2) A corrida por capacidades críticas: cloud, IA e cibersegurança
Cloud, inteligência artificial e segurança deixaram de ser diferenciais pontuais para virar a espinha dorsal da competitividade. A cloud permite escalar serviços e operar com modelos contínuos de entrega; a IA (incluindo GenAI) automatiza processos, personaliza a experiência e gera previsibilidade; e a cibersegurança sustenta a confiança necessária para operar ambientes cada vez mais automatizados e dados-sensíveis.
- Cloud: base para escalar e reduzir custos operacionais.
- IA: motor de automação, personalização e decisão baseada em dados.
- Cibersegurança: elemento crítico de confiança e compliance.
O diferencial dos líderes é integrar essas capacidades ao core do produto e da operação — não tratá‑las como serviços acessórios.
3) Aquisições como motor estrutural — não apenas oportunista
Em vez de M&A tático, a estratégia atual é buscar aquisições que entreguem competências essenciais: mais capacidade de processamento e data centers, equipes especializadas em IA e novas linhas de oferta que montem plataformas completas. No caso da Almaviva, a TIVIT trouxe tanto receita quanto capacidades que permitiram montar ofertas end-to-end combinando cloud, segurança, serviços gerenciados e automação.
Um mercado fragmentado e aberto a novos líderes
O setor ainda mostra baixa concentração entre os maiores players — os dez maiores respondem por menos de 20% no segmento de infraestrutura — o que cria espaço para players regionais e especializados. A competição hoje favorece quem combina expertise local, conhecimento setorial e ofertas nichadas com plataformas proprietárias.
Essa dinâmica explica por que empresas ágeis e focadas em cocriação com clientes conseguem ganhar espaço, mesmo diante de gigantes globais: proximidade, entendimento regulatório e adaptação local continuam sendo diferenciais importantes.
O que isso diz sobre o futuro do setor?
O case Almaviva indica movimentos que devem se intensificar nos próximos anos:
- Consolidação continuada, com M&A orientado a capacidades estratégicas;
- IA como pré-requisito competitivo — não mais um diferencial opcional;
- Vitória por plataformas completas que conectem cloud, dados, segurança e automação para gerar impacto mensurável.
Essas mudanças também alteram o modelo comercial: fornecedores deixam de oferecer apenas entregas operacionais e passam a disputar por resultados, adotando contratos e métricas alinhadas a outcomes.
Cocriação de valor
A lógica que se consolida é a de cocriação: fornecedor e cliente definem metas de negócio, pactuam métricas e remuneram parte do resultado com base no impacto entregue. Para operar nesse modelo é preciso ter métricas claras, governança de dados robusta, segurança e automação que tragam previsibilidade.
Ao mesmo tempo, a popularização de GenAI e sistemas autônomos amplia possibilidades de eficiência e personalização, mas eleva a necessidade de transparência, responsabilidade e controles de segurança — fatores que hoje viram diferencial competitivo.
Conclusão
O desempenho da Almaviva mostra que crescer acima da média em um mercado contido exige escolhas estratégicas: M&A alinhado a capacidades críticas, investimentos em cloud, IA e segurança, e foco em plataformas que gerem impacto real no negócio do cliente. A lição prática é clara: a liderança futura vai pertencer a quem souber unir tecnologia, experiência e modelos de entrega orientados a resultado.
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