Português: Figuras de Linguagem

Aprenda tudo sobre Figuras de Linguagem na aula de hoje junto com o professor Eduardo Valladares e prepare-se cada vez mais para o ENEM! 🙂
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Português: Figuras de Linguagem
Turma da Noite: 18h30 às 19h30, com o professor Eduardo Valladares.

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Material de Aula ao Vivo
Lista de Exercícios

MATERIAL DE AULA AO VIVO

São recursos que tornam as mensagens que emitimos mais expressivas. Subdividem-se em figuras de palavrasfiguras de construção e figuras de pensamento.

  • Figuras de palavras

A figura de palavra consiste na substituição de uma palavra por outra, isto é, no emprego figuradosimbólico, seja por uma relação muito próxima (contiguidade), seja por uma associação, uma comparação, uma similaridade. Esses dois conceitos básicos – contiguidade e similaridade – permitem-nos reconhecer dois tipos de figuras de palavras: a metáfora e a metonímia.

1) Metáfora:  é uma comparação mental, de caráter subjetivo.  A sua ocorrência é marcada pela utilização de um termo que se associa a outro pela força de uma comparação.

Exemplo:

“Esbraseia o Ocidente na Agonia

O Sol… Aves, em bandos destacados,

Por céus de ouro e de púrpura raiados,

Fogem… Fecha-se a pálpebra do dia…”

(Raimundo Correia)

2) Sinestesia: é a mistura de sensações por meio de palavras que evocam sentidos diferentes.

Exemplos:

a) “Música vermelha”. (Luís Delfino).

b) “Rumor cheiroso de uma aurora”. (Luís Delfino).

c) “O veludoso canto”. (Dario Veloso).

3) Catacrese: é o emprego de palavras ou expressões emprestadas para designar um ser ou para indicar uma determinada ação.

Exemplos:

a) O pé de mesa estava quebrado.

b) Não deixe de colocar dois dentes de alho na comida.

c) Quando embarquei no avião, fui tomado pelo medo.

d) Acho que revestirei a parede de azulejos

4) Metonímia:  é a utilização de um termo em lugar de outro do mesmo campo semântico, havendo entre eles uma contiguidade.

Exemplos:

a) Lugar pelo produto: Fumei um havana.

b) Efeito pela causa: Ganhei o pão com o suor do meu rosto.

c) Matéria pelo objeto: Preciso ganhar umas pratas.

d) Marca pelo objeto: Comprei uma gilete.

e) Sinal pela coisa significada: A balança tem mandado muitos para os presídios.

f) Abstrato pelo concreto: A juventude (os jovens) gosta de novidade.

g) Autor pela obra: Consultemos Machado de Assis.

h) Continente pelo conteúdo: Bebemos dez copos.

i) Instrumento pela pessoa que o utiliza: Sempre fui um bom garfo.

5) Sinédoque:  é o nome que se dá ao tipo de metonímia em que a relação objetiva é a parte pelo todo ou o todo pela parte.

Exemplos:

a) As chaminés forjam a grandeza de São Paulo.

(= As fábricas forjam a grandeza de São Paulo)

b) Maria completa hoje dezenove primaveras.

(= Maria completa hoje dezenove anos)

c) Os mortais pensam e sofrem neste mundo.

(= Os homens pensam e sofrem neste mundo)

d) Para os artistas ele foi um Mecenas.

(= Para os artistas ele foi um protetor…)

6) Antonomásia:  é a designação de uma pessoa, não pelo seu nome, mas sim pela qualidade ou circunstância que a notabilizaram.

Exemplos:

a) O Divino Mestre (=Jesus Cristo) pregava a prática do bem.

b) O Poeta dos Escravos (= Castro Alves) morreu na flor dos anos.

c) A Águia de Haia (= Rui Barbosa) lutou pela força do direito.

  • Figuras de Sintaxe ou de Construção

As figuras de construção ou figuras de sintaxe são assim chamadas porque apresentam algum tipo de modificação na estrutura da oração.

A estrutura sintática do Português compreende uma sequência lógica que se compõe dos seguintes elementos:

Nome + Verbo + Complemento

Assim, as figuras de construção vão apresentar uma “quebra” nessa sequência lógica, através da inversão dos elementos, da omissão de alguns ou da repetição deles. Esse recurso é bastante utilizado nos textos literários, na oralidade e também como recurso convincente em propagandas veiculadas nos meios de comunicação. Com isso, quem o utiliza pretende imprimir um novo tom ao que se quer dizer.


1) Anáfora:  é a repetição de palavra ou expressão no início de cada verso em sequência.

Exemplo:

“É preciso casar João,

É preciso suportar Antônio,

É preciso odiar Melquíades,

É preciso substituir nós todos.”

(Drummond)

2) Pleonasmo:  é a repetição de um termo sintático ou de uma ideia.

Exemplos:

(1) “Vi claramente o visto lume vivo.”  (Camões)

(2) “Cada qual busca salvar-se a si próprio…” (Herculano)

3) Polissíndeto:  é a repetição enfática do conectivo.

Exemplo:

“Suspira, e chora, e geme, e sofre, e sua…”  (Olavo Bilac)

Observação: A omissão do conectivo que normalmente seria empregado é denominada assíndeto.

Exemplo:  Veio à cidade, falou com o gerente, partiu.

4) Reiteração: É a repetição de vocábulos.

Exemplo:  Fez uma jogada linda linda linda o atacante.

5) Hipérbato:  é a inversão da ordem natural dos termos da oração, criando o que se chama de ordem indireta.

Exemplo:

“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas

De um povo heroico o brado retumbante.”

(Hino Nacional)

6) Anacoluto:   é a interrupção da construção iniciada, prosseguindo a frase de outra maneira.  Como resultado, o início, que se apresenta desligado logicamente, antecipa uma idéia importante e lhe dá realce.

Exemplos:

(1) “Os três reis orientais, . . . é tradição da igreja que um era preto.” (Vieira)

(2) “Eu, que era branca e linda, eis-me medonha e escura.” (M. Bandeira)

7) Hipálage:  aplica-se a um substantivo um adjetivo que corresponde a outro substantivo.

Exemplo:   As senhoras costuravam meias cansadas.

8) Elipse:  é a omissão de um termo facilmente subentendido.

Exemplo:  No céu, muitas estrelas. (há, existem)

Observação: Quando omitimos um termo que anteriormente já fora expresso, no mesmo período, a elipse pode ser chamada de zeugma.

Exemplo: “O colégio compareceu fardado; a diretoria, de casaca.”  (Raul Pompéia)

9) Epístrofe:  é a repetição de palavra ou expressão no final de frases ou versos seguidos ou próximos.

Exemplo: “o dia não veio

o bonde não veio

o riso não veio”

(Drummond)

10) Silepse:  é a concordância que se faz com a ideia subentendida, não com a palavra expressa.  É, aparentemente, uma discordância.  A silepse pode dar-se no gênero, no número ou na pessoa.

a) Silepse do gênero:

Exemplos:   O bebê foi dormir.  Estava cansado.

Moramos na agitada São Paulo.

b) Silepse de número:

Exemplos:

(1) “Esta gente está furiosa e com medo; por consequência, capazes de tudo.”  (Garrett)

(2) “Povoaram os degraus muita gente de sorte.” (Camilo)

c) Silepse de pessoa:

Exemplos:

a) “Os portugueses somos do Ocidente…” (Camões)

b) “Todos os filhos de Adão padecemos nossas mutilações e fealdades.” (Bernardes)

  • Figuras de pensamento

1) Antítese: é o emprego de expressões de sentidos opostos.

Exemplo: “Uns querem o mal, e fazem-nos o bem.  Outros nos almejam o bem, e trazem o mal.” (Rui Barbosa)

2) Apóstrofe:  é a interpelação enfática de pessoas ou coisas.

Exemplo: “Sabei, cristãos, sabei, príncipes, sabei, ministros, que vos há de pedir estreita conta do que fizestes, mas muito mais do que deixastes de fazer.”  (Vieira)

3) Hipérbole: é a expressão intencionalmente exagerada, a fim de realçar o pensamento.

Exemplo: “Gente inimiga era tanta, / tantas bandeiras no céu, / que o Sol, baixando atrás delas, / como que se escureceu…”  (Camões)

4) Eufemismo:  é o emprego de expressão mais suave, mais nobre, a fim de abrandar uma ideia desagradável ou chocante.

Exemplo:  Depois de muito sofrimento, ele entregou a alma a Deus.  (= morreu)

5)  Disfemismo:  é a expressão de uma ideia de forma brutal, rude, violenta, ou seja, o oposto do eufemismo.

Exemplos:

a) “… recebo uma patada no ombro e reconheço que perdi a luta…” (Fernando Sabino)

b) Esse calhambeque não funciona mesmo, hein!

6) Personificação, Prosopopeia ou Animismo:  é a atribuição de características de seres animados a seres inanimados, irracionais ou abstratos.

Exemplo: “Os montes de mais perto respondiam, quase movidos de alta piedade.”  (Camões)

7) Ironia:  é a expressão que contém o oposto do que se quer dizer, com intenção de criticar ou desprezar.

Exemplo:  Pareces realmente um santinho digno do altar.

Observação: literariamente, associamos a ironia ao sarcasmo.

Exemplo: “Olá! tu que destróis o templo de Deus e o reedificas em três dias, livra-te a ti mesmo, descendo da cruz.” (São Marcos)

8) Gradação:  é a expressão progressiva do pensamento, por meio de palavras ou expressões em ordem crescente (clímax) ou decrescente (anticlímax).

Exemplo: “Os que servem são os que não invejam, os que não infamam, os que não conspiram, os que não sublevam, os que não desalentam, os que não emudecem, os que não se acobardam, mas resistem, mas ensinam, mas esforçam, mas pacificam, mas discutem, mas praticam a justiça, a admiração, o entusiasmo.” (Rui Barbosa).

9) Comparação:  constitui uma comparação propriamente dita, direta, linguisticamente marcada por conjunções ou expressões equivalentes.

Exemplo: “O favo do jati não era tão doce como o seu sorriso, nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.” (José de Alencar)

10) Alusão:   consiste em aludir a algum fato ou pessoa conhecidos.

Exemplos:

a) Não faça como Nero.

b) “Se uma ovelha perdida e já cobrada

Glória tal e prazer tão repentino

Vos deu, como afirmais na sacra história,”

(Gregório de Matos)

11) Paradoxo ou Oximoro:  são ideias antagônicas ou opostas, que se excluem mutuamente, mas que aparecem, ao mesmo tempo, numa única estrutura frasal.

Exemplo: “Amor é fogo que arde sem se ver

É ferida que dói e não se sente

É um contentamento descontente

É dor que desatina sem doer”

(Camões)

12) Perífrase:  é o rodeio de palavras ou frase que substitui os nomes comuns – e que os faz célebres.

Exemplos:

1) Visitamos a Cidade Eterna. (= Roma)

2) “Última flor do Lácio (= língua portuguesa), inculta e bela” (Olavo Bilac)

3) O astro rei (= Sol) brilha para todos.

Observação: quando se refere a pessoa, substituindo nome próprio, dá-se o nome de antonomásia

QUESTÕES

1.

“Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, [absurdo.

Que tenho enrolado os pés publicamente nos [tapetes das etiquetas,

Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso [e arrogante.

Que quando não tenho calado, tenho sido mais [ridículo ainda”.

Observando os versos acima, percebe-se a presença de uma figura de linguagem cujo propósito é intensificar o drama vivido pelo eu-lírico. A essa figura dá-se o nome de

a) pleonasmo.
b) eco.
c) anáfora.
d) assíndeto.

2. Ao lado de cada estrofe abaixo, foi indicada uma figura de linguagem nela presente. Assinale a opção cuja figura NÃO está corretamente associada.

a) “Santa Clara, padroeira da televisão,

Que a televisão não seja o inferno, interno, ermo” – Apóstrofe

b) A saudade abraçou-me, tão sincera

Soluçando no adeus de nunca mais – Pleonasmo

c) E as borboletas sem voz

Dançavam assim veludosamente – Sinestesia

d) “Provisoriamente não cantaremos o amor

Que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos” – Prosopopeia.

É terminantemente proibido animais circulando nas áreas comuns a todos, principalmente para fazerem suas necessidades fisiológicas no jardim do condomínio, onde pode pôr em risco a saúde das crianças que ali brincam descalças.

(Extraído de um Relatório de prestação de contas da administração de um prédio).

3. Assinale a opção que apresenta as figuras de linguagem presentes no texto:

a) pleonasmo e eufemismo
b) metonímia e eufemismo
c) pleonasmo e polissíndeto
d) pleonasmo e metonímia
e) eufemismo e polissíndeto

4. O pleonasmo é a reiteração de uma mesma ideia por meio de uma superabundância ou repetição de palavras. Quando este recurso nada acrescenta e pode resultar de uma ignorância do sentido exato da palavra, temos um pleonasmo vicioso. Indique, dentre as seguintes alternativas, aquela em que o termo destacado pode ser considerado um pleonasmo vicioso.

a) Paisagens, quero-as comigo!
b) A plateia gostou do principal protagonista.
c) Sei de uma criatura antiga e formidável.
d) Como são charmosas as primeiras rosas.
e) Os altares eram humildes e solenes.

5. Assinale, na estrofe abaixo, a figura correta.

“Vi uma estrela tão alta,

Vi uma estrela tão fria!

Vi uma estrela luzindo,

Na minha vida vazia.”

(Manuel Bandeira)

a) assíndeto
b) pleonasmo
c) anacoluto
d) anáfora
e) silepse

6. “Os excedentes ou rejeitados pela vida nunca têm acesso a nada e sobram na mesa dos pais e foram desmamados cedo e nasceram sem que ninguém os chamasse e passaram a constituir formas de imperfeição.”

No segmento transcrito acima, aparece uma figura de construção, reconhecida como:

a) pleonasmo
b)polissíndeto
c) assíndeto
d) anacoluto
e) aliteração
7. Em “Dizem que os cariocas somos pouco dados aos jardins públicos” (Machado de Assis), há:

a) pleonasmo
b) hipérbato de pessoa
c) silepse de gênero
d)silepse de pessoa
e) silepse de número

8. Todas as frases a seguir são corretas. Assinale a única que encerra anacoluto.

a) Aos homens parece não existir a verdade.
b) Os homens parece-lhes não existir a verdade.
c) Os homens parece que ignoram a verdade.
d) Os homens parecem ignorar a verdade.
e) Os homens parece ignorarem a verdade.

Gabarito

  1. C
  2. B
  3. A
  4. B
  5. D
  6. B
  7. D
  8. B

LISTA DE EXERCÍCIOS

A Linguagem e suas Funções

  1. Os excertos abaixo apresentam figuras de estilo. Leia-os atentamente e, depois, relacione a segunda coluna com a primeira. (Cada número pode ser usado apenas uma vez.)

1ª Coluna

1- “O’ mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal.”

2- “O dia nascia atrás dos quintais
As pensões alegres dormiam tristíssimas
As casas também iam bêbadas.”
3- “O primeiro milhão possuído,
excita, acirra, assanha
a gula do milionário.”

4- “Moça linda bem tratada,
Três séculos de família,
Burra como uma porta;
Um amor.”

5- “Beijaria até uma caveira
Se espumante o Madeira ali corresse.

 2ª coluna

(   ) Prosopopeia
(   ) Gradação
(   ) Ironia
(   ) Metonímia
(   ) Metáfora

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.

a) 4 – 2 – 3 – 1 – 5
b) 2 – 5 – 3 – 4 – 1
c) 4 – 1 – 5 – 2 – 3
d) 2 – 3 – 4 – 5 – 1

Leia o fragmento abaixo para responder às questões 02 e 03.

Todo camburão tem um pouco de navio negreiro

é mole de ver
que para o negro
mesmo a AIDS possui hierarquia
na África a doença corre solta
e a imprensa mundial
dispensa poucas linhas
comparado, comparado
ao que faz com qualquer
figurinha do cinema
comparado, comparado
ao que faz com qualquer
figurinha do cinema
ou das colunas sociais

todo camburão tem um pouco de navio negreiro
todo camburão tem um pouco de navio negreiro

(O Rappa/Marcelo Yuka)

 2. Entre os recursos expressivos empregados no texto só não ocorre

a) repetição.
b) prosopopeia.
c) paradoxo.
d) ironia.

3. Considerando as ideias e estruturas do texto, assinale a alternativa correta.

a) A palavra negreiro não pode ser substituída pela expressão de negros, pois, dessa forma, perde a correção gramatical.
b) O poema dialoga com o texto de Castro Alves, fazendo uma progressão temporal.
c) Ao referir-se à AIDS, o eu-lírico atribui ao negro a condição de multiplicador.
d) A expressão tem um pouco de possui o mesmo significado que é tal qual um.

Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso [companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos [desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o [medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos [democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de [depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores [amarelas e medrosas.

Carlos Drummond de Andrade

4. Dentre as alternativas abaixo, assinale a que apresenta apenas recursos estilísticos utilizados no poema Congresso Internacional do Medo.

a) Ironia, personificação, antítese.
b) Anacoluto, sínquise, paradoxo.
c) Metonímia, personificação, hipérbato.
d) Comparação, paradoxo, repetição.

O aeroplano

Quisera ser um ás para voar bem alto
sobre a cidade de meu berço!
Bem mais alto que os lamentos bronze
Das catedrais catalépticas;
Muito rente do azul quase a sumir no céu
Longe da casaria que diminui
Longe, bem longe deste chão de asfalto …

Eu quisera pairar sobre a cidade! …

O motor cantaria
No anfiteatro azul _apainelado
_A sua roncante sinfonia …
Oh! voar sem pousar no espaço que se [estira
Meu, só meu;
Atravessando os ventos assombrados
Pela minha ousadia de subir
Até onde só eles atingiram! …

Girar no alto
E em rápida descida
Cair em _torvelinhos
_Como ave ferida …

Dar cambalhotas repentinas
Loopings fantásticos
Saltos mortais
Como um atleta elástico de aço

O ranger rascante do motor…
No anfiteatro com painéis de nuvens
Tambor…

Se um dia
O meu corpo escapasse do aeroplano,
Eu abriria os braços com ardor
Para o mergulho azul na tarde transparente …
Como seria semelhante
A um anjo de corpo desfraldado
Asas abertas, precipitado
Sobre a terra distante …

Riscando o céu na minha queda brusca
Rápida e precisa,
Cortando o ar em êxtase no espaço
Meu corpo cantaria
_Sibilando
_A sinfonia da velocidade

E eu tombaria
Entre os braços abertos na cidade …
Ser aviador para voar bem alto!

(ARANHA, Luís. Cocktails. Org. por Nelson Ascher e Rui Moreira Leite. São Paulo, Brasiliense, 1984. p. 95-6.)

5. Observe as palavras destacadas nos seguintes versos:
“Atravessando os ventos assombrados / Pela minha ousadia de subir”
“Cair em torvelinhos / Como ave ferida …”

 Como procedimento estilístico, têm-se, respectivamente,

a) metáfora e hipérbole.
b)metáfora e metonímia.
c) prosopopeia e metáfora.
d) prosopopeia e comparação.
6. Leia os trechos abaixo transcritos.

I. “Um dia hei de ir embora                                                          Eufemismo

Adormecer no derradeiro sono…”

Manuel Bandeira

II. “O inútil choro das tristes águas                                           Prosopopeia

Enche de mágoas a solidão…”

Vicente de Carvalho

III. “Não basta inda de dor,                                                          Preterição

ó Deus terrível?”

Castro Alves

“Na chácara abandonada                                                             Prosopopeia

O velho poço olha a lua

Suspensa no ar, e toda

Noite com a sua visão

Na água retratada

Leva a sonhar…”

Alberto de Oliveira

 Em relação às figuras de estilo, pode-se dizer que a correspondência está correta em:

a) I, II, III e IV
b) I, II e IV somente
c) II, III e IV somente.
d) I e II somente.
7. Associe as colunas e, a seguir, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.

1) Metáfora
2) Antítese
3) Paradoxo
4) Hipérbole
5) Prosopopeia

(   )  “…porque outro mar mais copioso

Largando de meus olhos a corrente,

Lhe formará meu pranto saudoso”.

Jacinto Freire de Andrade

(   )  “O prazer com a pena se embaraça;

Porém quando um com outro mais [porfia,

O gosto corre, a dor apenas passa.”

Gregório de Matos

(   )  “Se és fogo, como passas [brandamente?

Se és neve, como queima com porfia?

Gregório de Matos

(   )  “Agora que se cala o surdo vento

E o rio enternecido com meu pranto

Detém seu vagaroso movimento…”

Francisco Rodrigues Lobo

(   )  “Ardor em firme coração nascido;

Pranto por belos olhos derramado;

Incêndio em mares de água disfarçado;

Rio de neve em fogo convertido.

Gregório de Matos

a) 5, 2, 3, 4, 1
b) 4, 2, 1, 5, 3
c) 2, 3, 4, 5, 1
d) 3, 5, 1, 2, 4

8. Leia:

“As mulheres brilharam como fachos luminosos em obras de todos os poetas desde o início dos tempos.”

O texto acima apresenta a seguinte figura de linguagem:

a) metáfora
b) comparação
c) metonímia
d) paradoxo
9. Assinale a opção em cuja frase não há a figura de linguagem indicada ao lado.

a) “O Brasil dos últimos meses viu uma explosão de audiência e repercussão dos reality shows” – metonímia
b) “(…) até que ponto somos todos voyeurs – pessoas que têm necessidade de observar a vida alheia (…). Essa curiosidade é milenar” – hipérbole
c) “(…) e as aldeias são a alheia vigilância” – metonímia
d) “Um homem vai devagar. / Um cachorro vai devagar. / Um burro vai devagar.” – anáfora
10. Nos versos:
I -“Deus!, ó Deus! onde estás que não respondes?”
II -“Uma ilusão gemia em cada canto, / chorava em cada canto uma saudade.”
III -“Amor é fogo que arde sem se ver”,

têm-se, respectivamente:

a) prosopopeia, apóstrofe, pleonasmo.
b) metáfora, metonímia, oximoro.
c) apóstrofe, prosopopeia, comparação.
d) apóstrofe, prosopopeia, paradoxo.

Comunhão

(…)

o pensamento é comunhão: bebei do vinho,

que esse é o vinho do Homem que não morre;

o pensamento é comunhão

e se oferece para que o homem seja mais humano

e viva mais humanamente:

(…)

Péricles Eugênio da Silva Ramos

 11. Em “esse é o vinho do Homem que não morre”, a expressão grifada é exemplo de

a) perífrase.
b) hipérbole.
c) eufemismo.
d) paronomásia.

Gabarito

  1. D
  2. C
  3. B
  4. A
  5. D
  6. B
  7. B
  8. B
  9. B
  10. D
  11. A

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