Modelo de Redação: A cultura do assédio no Brasil

Sabe aquele tema de redação que nós indicamos para você no Plano de Estudos da Semana 24? Ele virou um modelo de redação aqui no blog, feita pelo monitor Bernardo Soares, para você se inspirar e comparar com a sua própria redação. Confira!

Veja aqui a coletânea de textos completa para este tema e faça já a sua redação: A cultura do assédio no Brasil


“Respeito é uma via de mão dupla”. Ou, pelo menos, deveria ser. Há em nossa sociedade uma tendência quase que concretizada – que parece ecoar no restante do mundo – de banalizar a violência, sobretudo quando diz respeito às mulheres. Não são raros os relatos de abusos e “cantadas” ofensivas que as brasileiras – e brasileiros, embora em menor escala – sofrem nas ruas do país. Essa violência psicológica, e às vezes física, causa, além do constrangimento, um sentimento de impotência e inferioridade. É preciso, então, que se problematize e busque soluções para essa inconveniente cultura de assédio.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar a forte carga cultural presente nesse comportamento. Isso ocorre, pois, desde os tempos de Brasil Colônia, há uma reprodução massiva dos valores de machismo e patriarcalismo, subjugando a mulher. Apesar das recentes conquistas, ainda podemos ver reflexos desse modo de agir e pensar em pleno século XXI. Prova disso é o assustador percentual de mulheres – 99,6% num universo de 8 mil – que dizem já terem passado por situações constrangedoras, segundo pesquisa da campanha “Chega de Fiu-Fiu”, promovida pelo blog Think Olga – e que se assemelha ao número encontrado em consulta feita nos EUA.

Além disso, convém observar que há uma tendência de culpabilizar a vítima pela ofensa. Isso se apoia na objetificação do corpo que é reforçada pela mídia. Na polêmica pesquisa do Ipea sobre o estupro, mesmo após a correção dos dados, uma parte expressiva da população considerava que a culpa do ocorrido era da mulher, devido à forma de se vestir e comportar. Observamos, então, uma inversão de valores na sociedade que acaba por deixar a vítima desamparada.

É importante destacar, ainda, que o assédio cotidiano não se limita às ruas. Ele está presente também no meio corporativo, através de insinuações recorrentes e não correspondidas e da coação psicológica. Essa situação pode gerar distúrbios graves, pois muitas mulheres têm medo e até vergonha de revidar ou denunciar os abusos. Isso prova que nem mesmo o ambiente de trabalho tem sido receptivo para o desenvolvimento pessoal e profissional delas.

Fica claro, portanto, que o problema dessa cultura tem contornos drásticos. Buscando desconstruir essa situação histórica, cabe à escola incentivar desde o início o tratamento igualitário e de respeito mútuo. A família, por sua vez, pode, além de reforçar tal respeito, mostrar a necessidade de se denunciar tais atos. É papel da mídia, como formadora de opinião, condenar a objetificação e de atuar em parceria com ONGs e movimentos sociais em prol da valorização da mulher. Apenas assim poderemos atingir o respeito como “via de mão dupla” que deve ser.

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