“A fase superior do Capitalismo”: 2ª Revolução Industrial e Imperialismo

A Segunda Revolução Industrial e o Imperialismo foram importantes episódios iniciados em fins do século XIX e que geraram consequência que abalaram o século XX. Nesse resumo entenderemos os dois fenômenos, as relações estabelecidas entre os dois e seus desdobramentos.

Uma das importantes inovações desse período foi o rádio.
Uma das importantes inovações desse período foi o rádio.

A Segunda Revolução Industrial

Costumamos chamar de Segunda Revolução Industrial os fenômenos industriais que aconteceram a partir de meados do século XIX. Se compararmos a Primeira com Segunda Revolução, perceberemos que aquela se deu segunda metade do século XVIII e teve como o grande país de referência foi a Inglaterra, no setor têxtil; enquanto esta, a Segunda, ocorreu quase cem anos depois e o país principal foi a Alemanha, mas contou com  outros como os Estados Unidos e o Japão, com ênfase no setor automobilístico.

O Ford T foi um dos símbolos da segunda fase industrial
O Ford T foi um dos símbolos da segunda fase industrial

Para entender o que possibilitou a eclosão da Segunda Revolução Industrial, precisamos atentar para seus antecedentes. Os principais antecedentes dessa nova fase industrial foram as Revoluções Liberais do século XIX. Questionando as estruturas do Antigo Regime, essas revoluções fortaleceram a burguesia e a ideologia liberal possibilitando o desenvolvimento do modelo capitalista. Além disso, as unificações também foram essenciais para impulsionar esse processo de industrialização, como foi o caso alemão, italiano e estadunidense.

Esse período foi marcado por inovações, como o surgimento do cinema, do telefone e do principal símbolo da Segunda Revolução Industrial, o automóvel. Tal fato só foi possível devido ao forte investimento em pesquisa e tecnologia. Diferentemente da Primeira Revolução, esta nos mostra uma nova realidade. Vemos o surgimento de uma nova fase capitalista, o capitalismo financeiro, marcando pela fusão do capital bancário com o capital industrial possibilitando todas essas inovações. Os vultuosos investimentos marcaram o surgimentos da chamadas “mega empresas” e a ascensão do capitalismo monopolista. Nesse momento, começam a surgir alianças/acordos entre empresas visando monopolizar o mercado, como é o caso das holdings, cartéis e trustes.

A Petrobras, por controlar todo o processo produtivo desde a extração de petróleo até a distribuição de gasolina nos posto, é um exemplo de truste.
A Petrobras, por controlar todo o processo produtivo desde a extração de petróleo até a distribuição de gasolina nos posto, é um exemplo de truste.

Com o crescimento dessas empresas e as políticas protecionistas, as nações que ingressaram nessa segunda fase industrial iniciaram um processo de expansão de seus mercados para regiões como a África e a Ásia, visando buscar matérias-primas, mão de obra barata, mercado consumidor, mas também investir em novas indústrias. A esse processo de expansão do capitalismo, damos o nome de imperialismo, uma das principais consequências da Segunda Revolução Industrial.

O Imperialismo

De acordo com Lênin, o imperialismo representa a fase superior do capitalismo. Veremos agora como se caracteriza esse processo imperialista fruto da Segunda Revolução Industrial.

Como dissemos, com o crescimento da produção e dos investimentos, em determinado momento que isso começa a superar o mercado interno e inicia-se um processo de expansão da produção para outras regiões visando manter os lucros altos.Além de da busca de novas áreas para desenvolvimento industrial, o imperialismo tinha outras motivações como a busca por mercado consumidor, mão de obra barata e matérias-primas.

O Imperialismo apresentou vários tipos de dominação, como a dominação cultural, de caráter ideológico visando expandir principalmente o mercado consumidor, mas houve também formas de dominação mais incisivas, como o estabelecimentos de áreas de influência, protetorados e colônias, que podem ser de enquadramento ou de enraizamento.

A Conferência de Berlim, que reuniu potência europeias ficou bastante conhecida por ter como principal objetivo a “partilha da África”
A Conferência de Berlim, que reuniu potência europeias ficou bastante conhecida por ter como principal objetivo a “partilha da África”

Apesar de ser bastante lucrativo para as potências europeias, o processo imperialista gerou conflitos com as populações nativas na África e na Ásia, devido a intensa exploração e desrespeito ao território e às etnias que coexistiam na região. No entanto havia justificativas europeias para esse expansionismo, a principal delas ficou conhecida como o “darwinismo social” ou “fardo do homem branco” que, com um forte caráter etnocêntrico, considerava que os europeus, por serem mais evoluídos, tinham um dever moral de civilizar o continente africano e o asiático.

EXERCÍCIOS

1. (UERJ) A política imperialista consistia na busca, principalmente, de novos mercados consumidores para os países industrializados e foi assim que vários países da África e da Ásia sofreram com a prática da neocolonização nos séculos XIX e XX. Portanto, sobre a justificativa construída pelas potências europeias para invadir as nações do continente africano e asiático correto dizer que:

a) As potências europeias justificavam a invasão nos países periféricos afirmando que essa ação contribuiria para o desenvolvimento industrial e que incentivaria a adoção de um regime socialista nos países asiáticos}

b) As principais alegações utilizadas na prática do Imperialismo foram as teorias darwinistas que defendiam a superioridade cultural dos países europeus, sendo eles os países que levariam o progresso e o desenvolvimento social para os países da África e da Ásia através da missão civilizadora.

c) Uma das justificativas era que os europeus aprenderiam técnicas industriais com os africanos e asiáticos, o que acarretaria no desenvolvimento econômico e científico dos países desenvolvidos.

d) O fardo do homem branco era uma das legitimações europeias durante a política imperialista. Esse fardo consistia numa missão que contribuiria para o desenvolvimento industrial dos países africanos e asiáticos, gerando assim o crescimento da burguesia local, fazendo com que os países não desenvolvidos tivessem suas próprias indústrias.

2. (Fuvest) Identifique, entre as afirmativas a seguir, a que se refere a consequências da Revolução Industrial:

a) redução do processo de urbanização, aumento da população dos campos e sensível êxodo urbano.

b) maior divisão técnica do trabalho, utilização constante de máquinas e afirmação do capitalismo como modo de produção dominante.

c) declínio do proletariado como classe na nova estrutura social, valorização das corporações e manufaturas.

d) formação, nos grandes centros de produção, das associações de operários denominadas “trade unions”, que promoveram a conciliação entre patrões e empregados.

e) manutenção da estrutura das grandes propriedades, com as terras comunais, e da garantia plena dos direitos dos arrendatários agrícolas.

GABARITO

1. B

2. B

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Questões Comentadas: Segunda Revolução Industrial e Imperialismo

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