Vagas 50+ explodem: bares e restaurantes têm +69% de contratações desde 2021

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) indicam um crescimento robusto nas admissões formais de profissionais com 50 anos ou mais no setor de alimentação fora do lar entre 2021 e 2025. As contratações passaram de 64.063 em 2021 para 108.039 em 2025 — um aumento de aproximadamente 69%. A trajetória é consistente: 81.974 admissões em 2022; 88.494 em 2023; 102.010 em 2024; com recuperação do ritmo até novembro de 2025.
Por que os números importam
Esses dados revelam mais do que uma simples recuperação do mercado: apontam uma mudança estrutural na composição da força de trabalho do setor. Bares e restaurantes, além de serem portas de entrada tradicionais para jovens, mostram-se hoje como ambientes de reinserção e permanência para profissionais mais experientes. A combinação entre demanda por mão de obra, dinamismo operacional e diversidade de funções cria oportunidades que beneficiam trabalhadores 50+.
Fatores que explicam a tendência
- Envelhecimento populacional: há mais trabalhadores em faixas etárias elevadas buscando oportunidades ou permanecendo no mercado.
- Valorização da experiência: atividades que envolvem atendimento, liderança tácita e gerenciamento de rotina se beneficiam de profissionais com vivência.
- Flexibilidade operacional: jornadas por turnos, contratos parciais e funções variadas facilitam a integração de perfis diversos.
- Demanda do setor: alta rotatividade, expansão e retomada do consumo presencial ampliam a necessidade por contratação formal.
Impactos práticos dentro das operações
A presença crescente de profissionais 50+ traz benefícios claros: maior estabilidade em funções-chave, capacidade de mediação de conflitos, postura de atendimento mais consolidada e potencial redução de turnover em determinadas posições. Ao mesmo tempo, impõe desafios operacionais — ajustes ergonômicos, necessidade de reciclagem digital e alinhamento de expectativas sobre desenvolvimento de carreira.
Para gestores, o resultado prático é a necessidade de repensar desenho de cargos, rotinas de treinamento e políticas de retenção para aproveitar a experiência desses profissionais sem criar gargalos na operação diária.
Recomendações práticas para RH e gestão
Transformar essa tendência em vantagem competitiva requer ações concretas. Abaixo, medidas que podem ser adotadas pelas equipes de recursos humanos e liderança operacional:
- Redesenho de funções: identificar tarefas mais exigentes fisicamente e realocar atividades, criando posições de supervisão ou apoio quando necessário.
- Onboarding adaptado: estruturar programas de integração com ritmo progressivo, prática repetitiva e acompanhamento próximo nas primeiras semanas.
- Capacitação digital prática: cursos rápidos e hands-on sobre sistemas de ponto, PDV e aplicativos de gestão, com exercícios aplicados ao dia a dia.
- Planejamento de carreira alternativo: oferecer caminhos de progressão que valorizem supervisão, qualidade e treinamento interno, além da velocidade operacional.
- Ajustes ergonômicos: adaptar mobiliário, cuidados com pausas programadas e equipamentos que reduzam esforço físico.
- Flexibilidade contratual: explorar modelos de meio período e escalas que conciliem outras ocupações e responsabilidades pessoais.
- Mentoria cruzada: promover trocas entre profissionais experientes e colaboradores mais jovens — integração entre experiência e fluidez tecnológica.
Boas práticas de inclusão e retenção
Além das ações operacionais, políticas de gestão de pessoas ajudam a consolidar a inclusão:
- Comunicação inclusiva nas vagas: linguagem que valorize experiências e competências, evitando termos excludentes sobre idade.
- Avaliação por competências: focar em habilidades reais (atendimento, organização, gestão de tempo) em vez de filtrar por faixa etária.
- Benefícios direcionados: programas de qualidade de vida, exames periódicos e condições que atendam necessidades específicas desse público.
- Monitoramento de indicadores: medir turnover por faixa etária, satisfação e absenteísmo para ajustar políticas conforme resultados.
O papel do setor na inclusão laboral
Os bares e restaurantes têm potencial para ser um setor de alta inclusão. Sua capacidade de oferecer funções variadas — do atendimento ao cliente à supervisão e gestão de estoque — permite adaptar cargos a diferentes perfis e trajetórias. Quando as empresas atuam de forma intencional, é possível converter diversidade etária em produtividade real e em equipes mais equilibradas.
Conclusão
O aumento de aproximadamente 69% nas contratações formais de profissionais com 50 anos ou mais entre 2021 e 2025 não é apenas um dado estatístico: é uma oportunidade estratégica. Com políticas de recrutamento inclusivas, programas de treinamento práticos e ajustes operacionais, gestores e equipes de RH podem transformar essa tendência em vantagem competitiva — diminuindo rotatividade, elevando a qualidade do atendimento e aproveitando a experiência acumulada.
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