Uberlândia encerrou 2025 com um saldo líquido positivo de 1.937 vagas formais, segundo análise do Centro de Estudos, Pesquisas e Projetos Econômico-Sociais (CEPES) da UFU, com base no Novo Caged. O resultado anual positivo contrasta com uma perda expressiva em dezembro, quando o município registrou o fechamento de 3.120 postos (9.180 admissões e 12.300 desligamentos). Entender esse movimento ajuda gestores, profissionais e estudantes a identificar onde estão as oportunidades e os riscos no mercado local.
O que os números mostram
Os dados apontam uma recuperação sustentada por dois pilares principais: o comércio e as micro e pequenas empresas. No acumulado do ano, o setor de Comércio foi o maior responsável pelo saldo positivo, com 1.423 vagas. Ainda mais relevante foi o desempenho dos MEIs e microempresas, que criaram 5.281 postos de trabalho ao longo de 2025, compensando perdas registradas em empresas de maior porte.
Por outro lado, as grandes empresas apresentaram saldo negativo de 1.891 vagas no ano e a Construção Civil foi o único setor a terminar 2025 no vermelho: fechamento de 566 vagas em dezembro e saldo anual negativo de 107 vagas. Esses contrastes mostram uma dinâmica heterogênea, em que a capacidade de adaptação de pequenos negócios foi crucial para manter o emprego formal na cidade.
Por que dezembro puxou os números para baixo
A queda registrada em dezembro não necessariamente sinaliza uma crise estrutural. Economistas e analistas locais classificam o recuo como uma correção sazonal típica do fim de ano: encerramento de contratos temporários para o comércio e eventos sazonais, término de estágios e ajustes no quadro de funcionários para o planejamento do ano seguinte. Ainda assim, o impacto foi sentido em todos os grandes setores, com o setor de Serviços sendo o mais afetado naquele mês.
Renda e desigualdade
Do ponto de vista da remuneração, houve sinal positivo: o salário médio de admissão em dezembro foi de R$ 2.238,00, e no acumulado do ano a média salarial de contratação apresentou valorização real de 4,01%, acima da inflação do período. Esse ganho real indica melhora no poder de compra dos novos contratados e pode sinalizar pressões salariais positivas em segmentos específicos.
Entretanto, a análise por gênero revela que a desigualdade persiste. Mesmo entre trabalhadores com níveis de escolaridade mais altos (Superior e Pós-Graduação), mulheres seguem sendo contratadas com salários inferiores aos homens para funções equivalentes. Esse é um ponto de atenção para políticas públicas e práticas de gestão de pessoas nas empresas locais.
Por que microempresas e MEIs fizeram a diferença
Microempreendedores Individuais (MEI) e microempresas têm mais flexibilidade para ajustar oferta e horários, reagindo rapidamente às mudanças na demanda local. Em contextos de retomada do consumo e adaptação pós-pandemia, esses pequenos negócios tendem a empregar com mais agilidade, seja para atender picos sazonais ou para explorar nichos de mercado. Em Uberlândia, essa capacidade de resposta foi determinante para que o ano fechasse no azul, mesmo com a pressão negativa de dezembro.
Implicações práticas para profissionais e gestores
- Profissionais em busca de emprego: foque em vagas no comércio e em micro e pequenas empresas; habilidades em atendimento, vendas e ferramentas digitais aumentam a empregabilidade.
- Empreendedores: a formalização como MEI ou microempresa continua sendo uma rota viável para participar da recuperação; considerar inovação de oferta e presença digital pode ampliar mercado.
- Gestores de RH: planejem para a sazonalidade, apostem em programas de retenção e desenvolvimento (treinamento, planos de carreira) e monitorem desigualdades salariais internas.
- Políticas públicas locais: apoiar micro e pequenas empresas com crédito, capacitação e desburocratização é essencial para manter a geração de empregos e mitigar a vulnerabilidade de setores cíclicos como a construção.
O alerta da Construção Civil
A retração na Construção Civil exige atenção: além do efeito direto sobre empregos no segmento, há impacto multiplicador sobre fornecedores e serviços relacionados. Possíveis causas incluem queda de investimentos, aumento do custo de insumos e dificuldade em financiamentos. Estratégias para mitigar esse impacto incluem estímulos a obras locais, programas de financiamento direcionados e iniciativas de qualificação da mão de obra para diversificação de atividades.
Conclusão
O balanço de 2025 em Uberlândia mostra um mercado resiliente e desigual ao mesmo tempo: comercio e microempresas foram a força motriz da geração de vagas, enquanto grandes empresas e a construção civil enfrentaram dificuldades. Houve ganho real salarial no ano, mas a persistência da desigualdade de gênero aponta para a necessidade de ações específicas por parte de empresas e poder público.
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