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SiloBio chega: ozônio que elimina micotoxinas e promete ROI <2 anos

SiloBio usa ozônio para reduzir micotoxinas em milho, garantindo grãos mais seguros, sustentáveis e com melhor valor para ração animal.

Atualizado em

Ozônio que limpa seu milho

O que é o SiloBio

O SiloBio é um silo biorreator desenvolvido pela Embrapa Milho e Sorgo em parceria com a Nascente (NCT). Na prática, é um equipamento híbrido que combina armazenamento e tratamento controlado de grãos em escala industrial. A solução utiliza gás ozônio para reduzir micotoxinas, controlar fungos e pragas de armazenamento, sem recorrer a tratamentos químicos tradicionais.

Como funciona o processo

A aplicação é feita a seco: o sistema gera ozônio a partir do oxigênio do ar usando eletricidade, concentra o gás e o injeta na massa de grãos. O interior do biorreator tem uma rosca helicoidal que move continuamente o lote, enquanto anéis com injetores distribuídos ao longo do corpo asseguram que o ozônio alcance os grãos de forma homogênea. Essa combinação de movimentação e múltiplos pontos de injeção reduz bolsões de baixa exposição e aumenta a eficiência do tratamento.

Do ponto de vista químico, o ozônio (O3) é um agente oxidante potente: ele reage com moléculas orgânicas — incluindo componentes de fungos e de micotoxinas — quebrando ligações e transformando-as em subprodutos menos tóxicos. Após a reação, o ozônio perde um átomo e volta a ser oxigênio (O2), o que explica por que o processo é classificado como de resíduo zero.

Fumonisinas: por que reduzir é crítico

Fumonisinas são micotoxinas produzidas por fungos do gênero Fusarium, muito comuns em milho. Em animais, a exposição pode causar problemas hepáticos, respiratórios, perda de desempenho, efeitos reprodutivos e, em casos graves, aumento de mortalidade. Para humanos, a exposição crônica também preocupa por riscos à saúde.

A Anvisa estabelece Limites Máximos Tolerados (LMT) para fumonisinas totais em milho não processado de até 5.000 μg/kg. Em segmentos da cadeia de proteína animal — como aves e suínos, e em fases sensíveis da produção — costumam ser adotados limites mais rigorosos, na ordem de 1.000 μg/kg. Por isso, reduzir fumonisinas não é apenas um ganho sanitário, é também uma exigência de mercado e um diferencial competitivo.

Resultados de laboratório e em escala

Estudos iniciais da Embrapa, com aplicação a seco em protótipos que simulavam silos, mostraram reduções expressivas: até 88% nas fumonisinas totais e queda de até 96% na incidência de fungos dos gêneros Fusarium e Penicillium. Ensaios avaliaram também a resistência da qualidade do grão: mesmo com exposições prolongadas (até 60 horas), não houve alteração significativa em parâmetros como teor de água, proteínas, lipídeos e cinzas.

Com base nesses resultados de bancada, o projeto evoluiu para escalonamento industrial em parceria com a Nascente. A engenharia aplicada — rosca helicoidal e anéis com injetores — permitiu tratar lotes naturalmente contaminados e alcançar níveis compatíveis com os LMTs demandados pela indústria de ração e pela Anvisa.

Sustentabilidade e segurança

O SiloBio opera apenas com ar e eletricidade: o ozônio é gerado a partir do oxigênio do ambiente, sem adição de solventes ou resíduos químicos. Após a ação, o ozônio retorna a oxigênio, o que evita contaminação persistente do grão, do solo ou das águas — um ponto forte em termos de ESG e Saúde Única (One Health).

É importante destacar a necessidade de controles operacionais robustos: ozônio em alta concentração é tóxico para humanos, portanto o equipamento industrial incorpora monitoramento, controles de vazamento e protocolos de segurança para proteger trabalhadores e ambientes adjacentes.

Impacto econômico e logístico

Do lado econômico, a adoção do SiloBio apresenta potencial atraente: a Nascente e a Embrapa estimam Retorno Sobre o Investimento (ROI) em menos de dois anos. Esse ganho vem da combinação de redução de perdas por contaminação, diminuição do uso de químicos complementares, valorização dos grãos (maior acesso à cadeia de proteína animal) e melhor desempenho animal ao consumir ração com menos micotoxinas.

Na operação logística, integrar o SiloBio exige planejamento do fluxo de recebimento, tratamento e armazenagem. O equipamento trabalha com movimentação interna (rosca helicoidal), então o dimensionamento deve condizer com o throughput da unidade. Para operadores de armazenagem e logística, grãos tratados significam menor risco de rejeição, menos retrabalhos e maior confiabilidade nas entregas para indústrias e exportação.

Limitações e pontos de atenção

  • Parâmetros críticos: eficácia depende de concentração de ozônio, tempo de exposição e homogeneidade do lote — a dose e o tempo devem ser ajustados para equilibrar eficácia e capacidade de processamento.
  • Segurança: é obrigatório ter sistemas de controle de vazamento e monitoramento de ozônio, além de procedimentos de operação seguros.
  • Investimento inicial: há custo de aquisição e adaptação operacional; entretanto, o ROI projetado e a redução de custos recorrentes podem compensar o investimento.

Conclusão

O SiloBio representa a convergência entre pesquisa pública e engenharia privada para trazer ao agro uma solução escalável que reduz micotoxinas, controla fungos e minimiza o uso de químicos. Para produtores, gestores de logística e empresas de nutrição animal, a tecnologia oferece mais segurança sanitária, valor agregado ao produto e potencial de economia com retorno rápido.

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