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Hardware BR mira EUA: R$10M, produto aberto e oportunidade pra devs

Tecnologia nacional ganha força: Wave AV cria equipamentos brasileiros e mira expansão internacional com investimento de R$10 mi.

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Hardware BR mira EUA: R$10M, produto aberto e oportunidade pra devs

A dependência de componentes e equipamentos importados foi exposta pela pandemia — e, para algumas empresas brasileiras, isso virou um gatilho para desenvolver soluções próprias. A Wave AV, liderada por Pedro Retes, é um exemplo prático: em poucos meses a equipe criou internamente um controlador central, painéis de parede e um processador de áudio de alta performance. Com o portfólio validado no mercado interno, a empresa projeta um investimento de R$ 10 milhões em cinco anos para entrar em mercados maduros, como os Estados Unidos.

Case Wave AV: inovação e autonomia

O desenvolvimento dessas três linhas não é apenas hardware; envolve eletrônica de potência, projeto de placas, firmware embarcado, software de integração e testes de interoperabilidade. O controlador central age como o cérebro do sistema, orquestrando sinais, rotinas de automação e comunicação entre dispositivos. Os painéis de parede são a interface do usuário, com ênfase em usabilidade, latência e integração com sistemas de videoconferência. O processador de áudio incorpora processamento digital de sinais (DSP) para equalização, cancelamento de eco, supressão de ruído e mixagem, garantindo inteligibilidade em ambientes corporativos.

Levar um produto do protótipo à produção exige ciclos completos de testes, validação em campo, documentação técnica e estrutura de suporte. A Wave aproveitou conhecimento técnico, certificações e experiência de mercado para acelerar esse caminho, resultando em soluções que já equipam instituições relevantes.

Por que produto aberto é vantagem real

Uma escolha estratégica citada pela empresa foi a adoção de arquitetura aberta e frameworks modernos. Na prática, isso significa projetar APIs documentadas, suportar protocolos padrão de rede e usar stacks que facilitem integração com TI. As implicações técnicas e de mercado incluem:

  • Interoperabilidade via APIs REST/GraphQL e WebSocket, permitindo comunicação padronizada entre dispositivos e aplicações corporativas.
  • Redução do vendor lock-in, porque clientes podem integrar ou substituir partes do sistema sem reestruturar toda a instalação.
  • Atração de talentos de TI, já que profissionais de front-end, back-end e infraestrutura reconhecem ferramentas e frameworks comuns (por exemplo, Node.js, containers leves e front-ends em JavaScript/TypeScript).

Tecnologias adotadas nesse contexto costumam incluir comunicação segura (TLS), gestão de configuração remota, APIs para telemetria e logs, além de pipelines de CI/CD que contemplam firmware e software embarcado. Essa convergência entre AV e TI diminui o tempo de entrega e facilita manutenção e evolução do produto.

Validação no mercado: clientes que importam

Ter contratos com organizações como a Marinha do Brasil, Localiza, Abbott, SEBRAE e SESCOOP fornece provas de robustez operacional e conformidade. Clientes institucionais e corporativos exigem requisitos distintos: segurança reforçada para órgãos públicos, aderência a normas para o setor de saúde e padronização para redes de franquias. Atender essa diversidade demonstra capacidade de customização, suporte e qualidade em escala.

Estratégia para os EUA e execução do plano de R$10 milhões

Entrar em um mercado maduro como o norte-americano demanda esforço além do produto: certificações, homologações, parceiros locais e adaptação de processos. O aporte planejado de R$ 10 milhões deve cobrir frentes como:

  • Certificações técnicas e regulatórias (por exemplo, FCC, UL, testes EMC/EMI) e adequação a normas regionais.
  • Adaptação de documentação, tradução de manuais, e adequação de firmware e interfaces para requisitos locais.
  • Parcerias com integradores, distribuidores e canais que conheçam a cadeia logística e comercial do mercado-alvo.
  • Estrutura de pós-venda e SLA com suporte técnico local, estoque de peças e serviços rápidos de manutenção.
  • Provas de conceito com clientes-âncora e investimentos em marketing técnico para estabelecer confiança em um ecossistema já competitivo.

Além disso, manter controle sobre a cadeia de suprimentos e estratégias de produção é essencial para garantir competitividade em preço e prazo. A combinação de certificações, P&D e presença comercial local aumenta as chances de penetração em segmentos que valorizam qualidade e suporte.

Oportunidades para profissionais de TI

Essa transição do hardware nacional para o mercado internacional gera demanda por perfis variados. Entre as oportunidades práticas estão:

  • Engenheiros de firmware e sistemas embarcados (C/C++, RTOS, Linux embarcado).
  • Desenvolvedores backend e full-stack (APIs, integração, serviços em nuvem).
  • Desenvolvedores frontend e UX para painéis e interfaces web embutidas.
  • Especialistas em redes, segurança e protocolos (TLS, VPNs, multicast, MQTT, WebSocket).
  • Profissionais de DevOps e SRE para pipelines de CI/CD, deploy e atualizações OTA (over-the-air).
  • Especialistas em DSP e áudio para ajustes, equalização e algoritmos de processamento de sinal.

Habilidades valorizadas incluem testes automatizados, integração contínua para firmware, conhecimento de containers leves onde aplicável, e experiência em monitoramento remoto e telemetria. Para quem estuda Análise e Desenvolvimento de Sistemas, áreas como APIs, segurança e integração entre software e hardware são rotas naturais de entrada.

Conclusão

O caso da Wave AV mostra que combinar expertise técnica, arquitetura aberta e foco em integração com TI transforma uma limitação em vantagem competitiva. A estratégia de expansão com investimento planejado indica que hardware brasileiro pode competir em mercados maduros, desde que acompanhado de certificações, parceiros locais e suporte robusto. Para quem quer se preparar para essa demanda, desenvolver competências em firmware, APIs, segurança e DevOps é um bom caminho.

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