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Refugiadas viram devs: Chicas Digitais abre portas pra carreira em TI

Chicas Digitais mostra como a formação em TI abre portas para a mulher refugiada em Manaus, oferecendo programação, IA e apoio ao emprego.

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Refugiadas viram devs: Chicas Digitais abre portas pra carreira em TI

Sherli tinha 17 anos quando participou do Chicas Digitais, programa do Instituto Hermanitos em parceria com o ACNUR que ofereceu imersão em informática, programação e inteligência artificial para jovens refugiadas e migrantes em Manaus. A primeira turma reuniu 18 jovens venezuelanas entre 16 e 20 anos e, durante dois meses, elas tiveram aulas práticas todas as manhãs. Para muitas, foi o primeiro contato profundo com ferramentas e conceitos de tecnologia — o suficiente para transformar escolhas educacionais e abrir portas profissionais.

Chicas Digitais: imersão em TI e segurança digital

O objetivo do Chicas Digitais foi oferecer aprendizado prático em tópicos que hoje são demanda no mercado de trabalho e base para carreiras em tecnologia. O curso combinou noções de informática, lógica de programação, introdução a inteligência artificial e sessões específicas sobre segurança digital, destinadas a reduzir riscos de violência online e proteger a presença digital das participantes.

  • Programação: aprendizagem de raciocínio lógico e sintaxe básica para criar pequenos programas e automatizar tarefas — uma habilidade aplicável em desenvolvimento web, scripts e ferramentas internas de empresas.
  • Inteligência artificial (IA): conceitos introdutórios sobre como modelos podem identificar padrões em dados e como IA é usada em produtos, desde recomendações simples até automações que economizam tempo em processos.
  • Segurança digital: práticas de proteção de contas, identificação de golpes, gestão de senhas e medidas para reduzir exposição a assédios e fraudes online.

Além do conteúdo técnico, o ambiente de turma só para mulheres foi destacado pelas próprias participantes como um fator decisivo: um espaço mais seguro para tirar dúvidas, errar e se reconectar com a aprendizagem sem o peso de estereótipos que muitas vezes afastam meninas das carreiras de tecnologia.

Por que turmas só de mulheres importam

Formar turmas exclusivamente femininas é uma estratégia deliberada para mitigar desigualdades que se sobrepõem no caso de mulheres refugiadas: gênero, condição de deslocamento e, por vezes, barreiras linguísticas ou econômicas. Estudos globais mostram que mulheres representam uma minoria nas formações e nos empregos em áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática. No Brasil, essa desigualdade se agrava no contexto de pessoas deslocadas à força, que enfrentam discriminações interseccionais e maior risco de violência baseada em gênero.

Em ambientes exclusivos para mulheres, estereótipos e normas sociais tendem a perder força: as alunas têm mais confiança para levantar questões técnicas, experimentar e construir redes de apoio entre si. Para programas de inclusão, isso resulta em maior retenção e em um impacto mais forte na empregabilidade e nas escolhas de educação superior.

Do curso ao emprego: portas que se abrem

Um aspecto prático do Chicas Digitais foi o apoio ao encaminhamento para vagas de jovem aprendiz e referências ao mercado local. Essa ponte entre formação e oportunidades é crucial: muitas empresas relatam dificuldade em preencher vagas iniciais em tecnologia, e programas como esse criam um pipeline de talentos que vêm com noções práticas e segurança digital básica.

A trajetória de Sherli ilustra esse efeito. Após concluir a imersão, ela decidiu se aprofundar e foi aprovada em Engenharia da Computação. Para ela, o curso funcionou tanto como uma porta de entrada para o ensino superior quanto como alavanca para buscar estágios e oportunidades na área de programação. Para empregadores, contratar jovens vindos desses programas representa acessar candidatas com disciplina, vontade de aprender e uma formação prática alinhada às necessidades básicas do mercado.

Rede de apoio: mãe, empreendedorismo e inclusão intergeracional

O impacto do trabalho do Instituto Hermanitos foi ampliado por iniciativas complementares. A mãe de Sherli, Yannys, participou do projeto Mulheres Fortes, que oferece formação em educação financeira, marketing digital e estratégias de vendas — instrumentos que a ajudaram a empreender no ramo da confeitaria. Esse entrelaçar de ações para diferentes idades e perfis cria uma rede de apoio que fortalece a autonomia familiar e comunitária.

Modelos integrados — capacitação técnica para jovens, empreendedorismo para mulheres adultas e suporte a mães solo — mostram maior impacto social do que ações isoladas. Em escala nacional, a inclusão socioeconômica de mulheres refugiadas e migrantes no Brasil também contou com apoio internacional, com recursos direcionados por parcerias que possibilitam desde cursos até medidas de proteção e empregabilidade.

O que isso significa para quem quer entrar na área

Para quem planeja seguir carreira em tecnologia, há caminhos diversos: formações intensivas e práticas que ensinam lógica e ferramentas, programas de imersão com mentoria e encaminhamento, graduações e estágios que consolidam o aprendizado. Habilidades técnicas são importantes, mas competências transversais — comunicação, resolução de problemas e trabalho em equipe — também são determinantes para crescimento profissional.

Além disso, iniciativas que criam ambientes seguros e oferecem apoio adicional (como transporte, horários compatíveis com estudo e cuidado infantil) aumentam as chances de permanência de mulheres nas carreiras técnicas. Essas medidas tornam a inclusão mais efetiva e sustentável.

Conclusão

O caso de Sherli e do Chicas Digitais demonstra que formação tecnológica bem articulada transforma trajetórias: de cursos curtos podem surgir escolhas de carreira, vagas de trabalho e autonomia econômica. Programas que combinam capacitação técnica, proteção digital e apoio socioeconômico criam um efeito multiplicador para as participantes e suas comunidades.

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