Tech sai do eixo: Norte e Nordeste crescem, mas Sudeste ainda domina
Panorama geral
Um levantamento da Brasscom aponta que o mercado formal de tecnologia no Brasil começou a se descentralizar entre 2023 e 2025. Apesar disso, a concentração regional permanece alta: o Sudeste concentra 62,5% dos empregos formais em TIC — cerca de 588.943 trabalhadores — sendo São Paulo responsável por 420.996 vagas (44,7% do total) e salário médio de R$ 7.321. No recorte considerado, são aproximadamente 943 mil trabalhadores contratados pela CLT em funções diretamente ligadas à tecnologia.
Crescimento por região
As altas percentuais de crescimento indicam movimentação no mapa de oportunidades: Norte +5,4%, Nordeste +3,8% e Centro-Oeste +3,2% entre 2023 e 2025. Sul e Sudeste cresceram 3,1% e 2% respectivamente. O aumento proporcional em regiões com base menor pode representar janelas de oportunidade para quem vive fora dos grandes centros.
Salários e ocupações
Há grande dispersão salarial. Regiões com crescimento proporcionalmente maior seguem com médias salariais mais baixas: Norte R$ 2.715; Nordeste R$ 3.950; Centro-Oeste R$ 4.855; Distrito Federal R$ 6.622; São Paulo R$ 7.321. Entre as ocupações, o analista de desenvolvimento de sistemas reúne o maior contingente (252.346 empregos formais) com salário médio de R$ 8.335,81. Helpdesk foi a função que mais criou vagas em 2025 (+7.089), com remuneração média de R$ 2.333,70. Já cargos de direção e gerência aparecem com médias muito superiores, como diretor de serviços de informática (R$ 40.543,46) e gerente de segurança de TI (R$ 20.986,82).
Impactos locais e desafios
O surgimento de polos regionais traz benefícios econômicos: geração de renda local, fortalecimento de cursos técnicos e estímulo ao empreendedorismo em tecnologia. No entanto, há desafios consistentes: falta de oferta qualificada, diferença salarial que dificulta retenção de talento e infraestrutura desigual. Para que o crescimento seja sustentável é preciso integração entre formação, incentivos locais e investimento privado.
Oportunidades práticas para jovens
Para quem quer entrar ou migrar para a área, a tendência de descentralização combina com passos práticos e alcançáveis. Entrar por suporte ou helpdesk é uma estratégia realista para ganhar experiência operacional. A partir daí, especializar-se em desenvolvimento, cloud, dados ou segurança aumenta a possibilidade de progressão salarial e geográfica.
- Portfólio: construa projetos reais (apps, scripts, análises de dados) e exponha-os em plataformas como GitHub.
- Certificações: invista naquelas alinhadas com a trilha desejada (cloud, segurança, bancos de dados) para acelerar empregabilidade.
- Networking: participe de meetups, comunidades locais e grupos online; muitas vagas ainda vêm por indicação.
- Vagas remotas: aplique-se a oportunidades remotas que paguem conforme mercados maiores — isso pode compensar diferenças regionais.
- Compare custo de vida: avalie salário vs. custo local antes de decidir migrar; às vezes um salário menor em cidade com custo reduzido rende mais.
Trajetória sugerida
Uma trajetória prática recomendada: começar em helpdesk para entender processos e infraestrutura, migrar para desenvolvimento ou operações com projetos e cursos, e depois buscar especialização (cloud, segurança, dados) que tende a elevar salários e atrair oportunidades remotas ou em polos maiores.
Conclusão
A expansão do mercado de tecnologia para Norte, Nordeste e Centro-Oeste representa uma abertura real de oportunidades, mas não elimina as diferenças estruturais que ainda favorecem o Sudeste. Para jovens interessados em TI, a combinação entre portfólio prático, especialização técnica e networking é o caminho mais eficaz para aproveitar vagas regionais e remotas. Se você quer se preparar para essa mudança, a Descomplica oferece materiais e trilhas que ajudam a construir conhecimento prático e avançar na carreira.
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Revisão editorial: Bruno Quintela - LinkedIn
