Em 2024, as contratações de profissionais brasileiros por empresas estrangeiras cresceram 53%, segundo levantamento da Deel. Engenheiros de software, especialistas em dados e profissionais de cibersegurança aparecem no topo da demanda. Por trás desse movimento estão fatores econômicos (disparidade cambial), culturais (soft skills valorizadas) e estruturais (expansão do trabalho remoto e plataformas globais de contratação).
Por que as empresas estrangeiras estão de olho no Brasil?
Existem três forças que explicam o boom: 1) o câmbio favorável para empresas estrangeiras, 2) a maturidade técnica crescente da força de trabalho brasileira e 3) a expansão de plataformas que facilitam contratação internacional, como a Deel, Remote e outras. Essas plataformas cuidam de folha, impostos e compliance, reduzindo a barreira para contratar talento remoto ou híbrido em países diferentes.
Disparidade cambial: o que significa na prática
Quando uma empresa americana contrata no Brasil, ela costuma pagar em dólar. Como o real vale menos em comparação ao dólar, um salário pago em dólares tende a representar um ganho real muito maior para o profissional no Brasil — ou permite à empresa pagar uma quantia competitiva internacionalmente que ainda é mais barata que contratar localmente nos EUA. Em termos simples: um mesmo valor em dólares compra muito mais poder de compra no Brasil do que nos EUA.
Isso cria dois efeitos simultâneos: atrai profissionais brasileiros que querem salários com poder de compra em moeda forte e incentiva empresas estrangeiras a buscar talento em países com custo local mais baixo. Mas atenção: trabalhar para empresas estrangeiras também traz questões como tributação, necessidade de contratos claros (PJ, contrato empregatício local ou via empregadora intermediária) e exposição à volatilidade cambial.
Soft skills e adaptação cultural: o diferencial brasileiro
Contratos remotos não são só sobre código. As empresas internacionais valorizam profissionais que se comunicam bem, se adaptam a dinâmica de times multiculturais e entregam com autonomia. As principais habilidades não técnicas mencionadas por recrutadores incluem comunicação clara, proatividade, capacidade de resolver problemas e habilidade para receber e dar feedback direto.
Profissionais que já atuam em times internacionais relatam outro ponto: diferenças de estilo comunicativo. Em muitas empresas fora do Brasil, a comunicação tende a ser mais direta — algo que muitos brasileiros precisam praticar. Outro diferencial da geração Z é a familiaridade com ferramentas digitais e a curva de aprendizado rápida, o que facilita migração entre stacks e adoção de novas práticas.
Quais cargos estão em alta e o que aprender
- Engenheiro de software: domínio de linguagens modernas (Python, JavaScript/TypeScript, Go), boas práticas de arquitetura e versionamento (Git).
- Especialista em dados: SQL avançado, pipelines de dados, ETL/ELT, conhecimento em ferramentas de cloud (BigQuery, Redshift, Databricks).
- Cibersegurança: fundamentos de redes, pentesting, resposta a incidentes, conformidade (GDPR/LGPD quando aplicável).
- IA e prompt engineering: conhecimento de modelos de linguagem, fine-tuning, avaliação de modelos e interpretação de resultados.
Essas vagas frequentemente exigem experiência prática (portfólio, projetos no GitHub, contribution em código aberto) e certificações em nuvem ou segurança podem acelerar a contratação.
Impactos para o mercado nacional
A saída de profissionais sêniores pressiona empresas brasileiras: há aumento da competição salarial e maior investimento em programas de retenção. Para mitigar o efeito, muitas empresas locais estão acelerando a capacitação de talentos juniores, adotando programas de trainee e parcerias com plataformas educacionais.
No curto prazo, quem fica pode ver aumento de salários e melhores benefícios; no médio prazo, o mercado tende a se reequilibrar com mais investimento em formação técnica e modelos de carreira que seguram talentos.
Como se preparar para concorrer a vagas que pagam em dólar
Se o objetivo é ganhar em moeda forte, aqui estão passos práticos e testados:
- Aperfeiçoe o inglês técnico e conversacional: entrevistas, documentação e comunicação diária exigem fluidez; pratique com entrevistas simuladas e apresentações técnicas.
- Monte portfólio ativo: projetos no GitHub, artigos técnicos, blog ou vídeos mostrando soluções e raciocínio.
- Adapte seu currículo para ATS: inclua palavras-chave da vaga, resultados quantificáveis e links para projetos.
- Treine entrevistas remotas: resolução de problema em pares, coding challenges com tempo e perguntas comportamentais (STAR).
- Aprenda sobre contratos internacionais: entenda modelos como PJ, contrato local via Employer of Record (EOR) e as implicações fiscais.
- Fortaleça soft skills: feedback direto, autonomia e comunicação assíncrona são cruciais para times distribuídos.
Checklist rápido
- Inglês fluente para entrevistas e documentação
- Portfólio com projetos relevantes
- Perfis atualizados no LinkedIn e GitHub
- Conhecimento de ferramentas de colaboração (Slack, Notion, Figma)
- Entendimento sobre modelos de contratação internacional
Conclusão
O crescimento de 53% nas contratações de brasileiros por empresas estrangeiras mostra que o talento nacional é competitivo e desejado. A combinação entre salários em dólar, soft skills valorizadas e a expansão de plataformas internacionais cria uma oportunidade real — para quem se preparar. Se você quer aproveitar essa onda, invista em inglês, projetos práticos e comunicação direta.
Na Descomplica, a gente ajuda você a construir as habilidades técnicas e comportamentais para chegar lá. Conheça nossos conteúdos e trilhas focadas em tecnologia, preparação para entrevistas e desenvolvimento de carreira — e comece hoje a se posicionar para as vagas que pagam em moeda forte.
Fonte:Fonte

