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Mulheres avançam no trabalho, mas ganham 21% menos e são as mais sobrecarregadas

Mulheres no mercado de trabalho ganham 21% menos, tem maior desemprego e sobrecarga; entenda causas e soluções para gestão de pessoas.

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Mulheres avançam no trabalho, mas ganham 21% menos e são as mais sobrecarregadas

A presença feminina no mercado de trabalho aumentou nas últimas décadas, mas os avanços não se traduzem em igualdade plena. Apesar da queda do desemprego, indicadores como participação na força de trabalho, rendimento médio e taxa de subutilização mostram que as mulheres seguem em desvantagem — com impactos claros na carreira, renda e qualidade de vida.

Desemprego e participação

Dados recentes apontam desemprego de 6,2% entre mulheres contra 4,2% entre homens. Embora a desocupação feminina tenha recuado para o menor nível desde 2012, a taxa de participação permanece baixa: 52,8% das mulheres em idade de trabalhar estão na força de trabalho, ante 72% dos homens. Essa diferença de quase 20 pontos percentuais indica que ainda há barreiras significativas para que mulheres entrem ou permaneçam no mercado.

É importante distinguir conceitos: enquanto a taxa de desemprego mede quem procura e não encontra trabalho, a taxa de participação mostra quem está ativamente inserido no mercado. A combinação de desemprego relativamente mais alto e participação estagnada sugere que muitas mulheres desistem de procurar emprego ou enfrentam obstáculos de acesso — desde falta de vagas compatíveis até responsabilidades familiares.

Renda e subutilização

O rendimento médio feminino alcançou R$ 3.137, recorde histórico, mas permanece cerca de 21% abaixo do rendimento masculino (R$ 3.977). A taxa de subutilização da força de trabalho — que inclui desempregados, desalentados e pessoas que trabalham menos horas do que gostariam — foi de 16,6% para as mulheres no 4º trimestre de 2025, contra 10,9% para os homens. Isso significa que, além de ganhar menos, as mulheres têm maior probabilidade de estar em empregos que não aproveitam seu potencial ou não oferecem jornada suficiente.

Parte da diferença salarial é explicada pela concentração feminina em setores com remuneração menor e por interrupções de carreira relacionadas à maternidade. No entanto, também há componente de discriminação e barreiras estruturais de progressão que demandam intervenção ativa de empresas e políticas públicas.

Trabalho de cuidado

As tarefas domésticas e de cuidado pesam desproporcionalmente sobre as mulheres. Em média, elas dedicam 17,8 horas semanais a essas atividades, contra 11 horas dos homens. Essa sobrecarga reduz a disponibilidade para jornadas mais longas, deslocamentos e atividades de qualificação, afetando oportunidades de promoção e desenvolvimento profissional.

Relatos de profissionais ilustram a rotina dupla: trabalho formal durante o dia e a maior parte das tarefas domésticas à noite. Essa terceira jornada tem custos econômicos e de saúde, e contribui para que muitas mulheres optem por posições com maior flexibilidade, ainda que menos remuneradas.

Jovens e creches

Entre os 9,8 milhões de jovens de 15 a 29 anos que não estudam nem trabalham, 63,9% são mulheres. O acesso a creches é um determinante crítico: 68,1% das mulheres com filhos matriculados em creche estão ocupadas, frente a 42,6% das que não têm esse serviço. Assim, investir em cuidado infantil não é apenas política social, é política de emprego.

Além disso, as disparidades variam por região e raça. Mulheres pretas ou pardas apresentam participação menor que mulheres brancas, e regiões com menor infraestrutura de cuidado e mercado formal, como o Nordeste, registram índices de participação especialmente baixos.

O que empresas podem fazer

Empresas podem adotar medidas práticas e mensuráveis para reduzir o gap de gênero:

  • Transparência salarial: divulgar faixas salariais e realizar auditorias periódicas por gênero e raça.
  • Flexibilidade de jornada e trabalho híbrido: permitir conciliação entre trabalho e cuidado sem penalizar trajetórias.
  • Políticas de parentalidade inclusivas: licenças e programas de retorno ao trabalho com apoio e mentoria.
  • Apoio direto ao cuidado: convênios, vouchers ou creches corporativas aumentam retenção.
  • Processos de avaliação sem vieses: usar critérios objetivos e treinamentos anti‑viés.
  • Planos de desenvolvimento: garantir trajetórias de carreira com métricas claras para promoção.

Políticas públicas

Medidas públicas com evidência de impacto incluem expansão de vagas em creches e pré‑escolas, programas de qualificação voltados a mulheres, incentivos fiscais para apoio ao cuidado e monitoramento por gênero das estatísticas oficiais. Investir em serviços de cuidado tem retorno em aumento da participação feminina, produtividade e redução de desigualdades estruturais.

Outra frente é a fiscalização e incentivo à divulgação de dados por gênero em empresas e setores, que permite monitoramento e políticas mais eficazes. Programas que apoiem a reconexão de mulheres ao trabalho — requalificação, estágios de retorno e mentorias — também têm impacto significativo.

Conclusão

Os avanços na redução do desemprego e nos rendimentos femininos são importantes, mas insuficientes enquanto persistirem participação baixa, renda 21% menor e sobrecarga de cuidado. A transformação exige ação coordenada entre empresas, sociedade civil e poder público, com foco em creches, flexibilização, transparência salarial e combate a vieses.

Para quem atua em gestão de pessoas ou busca promover equidade no ambiente de trabalho, acompanhar análises práticas e ferramentas é essencial. A Descomplica oferece conteúdo, guias e recursos que ajudam profissionais e gestores a planejar intervenções e colocar em prática medidas que geram impacto real.

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